Revista Multihull publica matéria sobre catamarãs Bate Vento

Multihull Report & Multihull.de
Revista Multihull Report & Multihull.de

Quando você pensa em produção de catamarãs certamente de imediato não lhe vem a mente o nome do Brasil como um país fabricante de catamarãs, assim como nem em outros países da América do Sul encontram-se estaleiros que executem projetos de multicasco. No entanto, hoje quero lhe colocar frente a frente com um, a Bate Vento, um pequeno estaleiro que além de uma diversidade de modelos ofertados criou seus próprios designs. Vamos lhe apresentar Sérgio Marques, que conta a sua história no final da matéria, o construtor e projetista que certamente gostaria de um link com a Europa, para ter seu trabalho mais divulgado e conhecido. Provavelmente você não pensaria que desta parte do atlântico, saísse um catamarã completamente equipado para fazer um cruzeiro pelo mundo. Estas informações vêm precisamente do norte do Brasil, que descrevemos na reportagem a seguir:

Foto: Bate Vento
Multihull Report & Multihull.de – Foto: Bate Vento

O estaleiro

Na verdade, o negócio iniciou-se com a confecção de velas em tecido poliéster para alguns multicascos na ilha de São Luís. Em 1987 foram construídos o primeiro design autoral e o primeiro catamarã em stripplanking na cidade. Segundo Sérgio, com a venda deste catamarã de 25 pés, fundou seu micro estaleiro Bate Vento Sailmaker & Catamarans em 1990. De 1990 a 2000 foram produzidos os modelos Taara 600 (18 pés); Taaroa 900 (30 pés) e Taaroa 1000 (35 pés), construídos em madeira cedro/epóxi.

Em 2001 necessitaram mudar-se para outro lugar na cidade, com mais espaço. Além disso, evoluíram no design e concepção, desenvolveram e construíram um protótipo de 40 pés, com um orçamento muito restrito, comentou Sérgio.

Este catamarã foi cuidadosamente executado, com as melhores madeiras disponíveis, criteriosamente escolhidas.  As estruturas de cascos e cross beams foram feitas laminadas moldadas a frio com melhores madeiras barasileiras para tal fim, um compósito de madeiras duras (Cumarú) e madeiras leves (cedro) onde fosse necessário, com resinas epóxi e tecidos de fibra de vidro. O sucesso do objetivo seria produzir um catamarã tropical simples e funcional, com boas e confortáveis acomodações, elevado clearence, fácil de velejar como um pequeno cat, que apresentasse bom desempenho com as velas básicas e dispensasse completamente o uso de motores. A implantação do gurupés era essencial. Muito trabalho, conhecimentos empíricos, pesquisas e teorias foram dedicados a este projeto. Realmente, um bom resultado foi obtido. Este catamarã é capaz de velejar agradavelmente entre 14 a 17 nós, camba muito rápido e apresenta boa orça. O conforto ficou conforme o planejado, com 3 leitos de casal, um individual, um pequeno toilet para cabine do comandante e um banheiro completo para convidados, cozinha prática e um amplo cockpit. Acabamento simples, sem luxos. O barco obteve sucesso em ragatas no Maranhão e região nordeste, serviu com day charter e diving boat.

Logo alguns clientes apareceram para ver e velejar no BV40. O primeiro cliente da nova série, que efetivamente concretizou uma encomenda veio da França. Veio para comprar o BV40 e sua intenção era fazer mudanças sobretudo na cabine (bridge deck) e algumas outras. Alterar um bom barco não é recomendável e o estaleiro lhe propôs os planos do BV43, um barco de cruzeiro oceano, cuja plataforma de parâmetros foi o BV40.

Foto: Bate Vento
Multihull Report & Multihull.de – Foto: Bate Vento

Desde inicio da produção do BV43, e a nova linha dos modelos de catamarãs da Bate Vento, todos passaram a ser construídos segundo normas internacionais, com a técnica multicomposite que tem como núcleo espuma rígida de PVC acompanhados de materiais de alta qualidade, com mão de obra artesanal de elevado nível no acabamento de interiores. A construção de barcos e cascos em madeira cedro se tornou inviável, mas manteve-se o acabamento de interiores em madeiras nobres. Ao longo dos anos o estaleiro lançou mais de 40 multicascos ao mar, espalhados pela costa brasileira.

 

Os modelos de catamarãs a vela produzidos por Bate Vento:

BV26

É o modelo recomendado para uso em navegação costeira e de finais de semana, ótimo como camping boat ou ideal para velejar nos finais de semana. Um belo catamarã, certamente prazeroso de velejar e governar (steer). Desmontável para transporte.

 

Multihull Report & Multihull.de Foto: Bate Vento
Multihull Report & Multihull.de – Foto: Bate Vento

Ficha Técnica BV 26:

LOA: 8,00

LWL: 7, 85

DRAF: 0, 45 a 1, 50 m

BEAM: 4,50m

DISPLACEMENT: 1.200 kg

MAST HIGT 11, 50 m

MAIN SAIL A JIB AREA: 40m²

Multihull Report & Multihull.de Foto: Bate Vento
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WATER: 120 l

BEARTH: 04 single

ENGINE: outboard 8 to 15 hp

Designer: Sergio Marques

Price BV 26_ Standard boat (without sails and electronics): 49.000 euros

 

Multihull Report & Multihull.de Foto: Bate Vento
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BV36

Este é o modelo de tamanho médio a pequeno fornecido pelo estaleiro, apto para mar aberto, e verdadeira navegação oceânica.  Como os demais, também pode encalhar numa praia para desfrute dos tripulantes. Oferecido em duas versões pelo mesmo preço. O modelo standard e versão proprietário (casco de boreste destinado ao proprietário). Na cabine (bridge deck) se encontra o salão, com sofá, mesa de jantar, cozinha completa com fogão, geladeira e freezer com vista panorâmica e gaiutas de alumínio. Na versão standard cada casco dispõe de um camarote com leito de casal, outro com leito de solteiro, banheiro completo e muitos armários. O barco é clean, simples e funcional, naturalmente iluminado em todos os cômodos graças as amplas vigias e gaiutas. Além do tamanho e o preço, este compacto catamarã tem se tornado bastante popular porque realmente se mostrou bastante resistente, de um comportamento muito bom e marinheiro quando navega em alto mar, além de fácil manejo e exigir pouco esforço para comanda-lo.

 

Ficha Técnica BV 36:

LOA: 11, 45 m

LWL: 11, 00 m

DRAF: 0, 70 a 1, 90 m

BEAM: 5, 95 m

DISPLACEMENT: 5000 kg

MAST HIGT: 15 m

MAIN SAIL AND GENOA AREA: 88 m²

WATER: 400 l

BEARTH: 2 double e 2 single

ENGINE: 2 X 29 hp

DIESEL: 200 L

DESIGNER: Sérgio Marques

Price BV36_ Standard boat (without sails and electronics): 202.000 euros

Multihull Report & Multihull.de - Foto: Bate Vento
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BV43

O BV43 é o carro chefe (ou melhor o barco líder) do estaleiro.

A tripulação embarcada pode relaxar ou fazer uma refeição com vista panorâmica no amplo salão olhando o horizonte enquanto o BV43 desliza suavemente sob um excelente desempenho num vento brando, a uma velocidade em torno dos 10 nós. O seu design inovador para esta categoria de barcos permite conforto, elegância e performance. O piloto pode comandar o barco protegido do sol e dos respingos, numa confortável cadeira de comandante com ampla e completa visibilidade. Na estação de comando concentram-se instrumentos e equipamentos de controle de velas.

Multihull Report & Multihull.de - Foto: Bate Vento
Multihull Report & Multihull.de – Foto: Bate Vento

O modelo standard dispõe de quatro amplas camas de casal em camarotes com privacidade, e opcionalmente mais dois leitos individuais. O pé direito é alto suficiente para qualquer pessoa caminhar em todo o seu interior sem entraves. Espaços para armazenagem, armários e gavetas são encontrados em todos os ambientes, a ventilação e iluminação natural são proporcionadas por inúmeras vigias e gaiútas instaladas em todos os ambientes do barco. Nota-se a disponibilidade de pelo menos dois espaços e completos banheiros.

Multihull Report & Multihull.de - Foto: Bate Vento
Multihull Report & Multihull.de – Foto: Bate Vento

No cockpit encontra-se caixa térmica, acentos em torno, mais uma mesa para refeições, espaço suficiente para recreação, pesca ou churrasco.

O BV43 é oferecido em três diferentes arranjos (layouts). Versão 1_ Satandard; Versão 2 _ dois banheiros ao meio e duas escadas de acesso por casco; Versão 3 _ versão proprietário, cujo um dos cascos é inteiramente dedicado ao seu uso.

 

Ficha Técnica BV 43:

LOA: 13, 40 m

LWL: 13, 00 m

DRAF: 0, 80 to 2, 10 m

BEAM: 7.80 m

DISPLACEMENT: 7.500 kg

MAST HIGT: 17, 50 m

MAIN SAIL AND GENOA AREA: 108 m²

WATER: 600 l

BEARTH: 4 double

ENGINE: 2 X 39 HP

DIESEL: 400 L

DESIGNER: Sérgio Marques

Price BV43_ Standard boat (without sails and electronics): 304.000 euros

 

Power boats:

BV36 Trawler

Multihull Report & Multihull.de - Foto: Bate Vento
Multihull Report & Multihull.de – Foto: Bate Vento

Vários clientes procuravam por catamarãs a motor, com cascos de deslocamento. Como tendencial mundial muitos estaleiros passaram a ofertar catamarãs a motor com características muito similares a versão a vela para cruzeiro. Seguros, marinheiros (tradução do alemão para o inglês seaworthy), grande autonomia, e praticamente com mesmo nível de conforto de um veleiro. A Bate Vento vem fazendo o mesmo, já estão em produção duas unidades em fase de acabento. O BV 36 TRAWLER também é oferecido em duas versões de arranjo.

 

Ficha Técnica BV 36 _ T:

LOA: 11, 50 m

LWL: 11, 70 m

DRAF: 0, 70

BEAM: 5, 90 m

DISPLACEMENT: 6.000 kg

WATER: 400 l

BEARTH: 2 double e 2 single

ENGINE: 2 X 54 hp to 75hp

DIESEL: 600 L

DESIGNER: Sérgio Marques

Price BV36 TRAWLER_ Standard boat (without electronics): 198.000 euros

 

Novos Projetos:

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BV45 Fly

Designers de multicascos de várias partes do mundo têm mostrado quanto espaço é acrescentado num deck de um catamarã com a introdução de um flybridge. O estaleiro lança o BV45 Fly, no entanto aproveita muito do modelo líder o BV43. O lançamento tem cascos mais longos e mais largos, um barco com bastante volume.

As acomodações internas num casco com mais boca permitem um deck (cockpit) extralargo, assim como os acessos aos comôdos privados e banheiros se tornam mais amplos e confortáveis. O comando no flybridge permite que se tenha várias opções de layout abaixo do bimini, como um espaço gourmet, etc., de fato a área de convivência no BV45 Fly são dois grandes salões integrados, um na popa e outro no interior da cabine (bridgedeck). Muito espaço por todo lado, de proa a popa! Certamente o BV45 FLY atende muito bem para que procura um belo barco de charter.

As bolinas foram retiradas, a área vélica não foi notavelmente aumentada, mas veio equipado com mais potencia e autonomia sob o uso de motores, ofertado com duas unidades que vão de 75HP a 110 HP cada motor.

 

Ficha Técnica BV45:

LOA: 14, 05 m

LWL: 13, 80 m

DRAF: 0, 85

BEAM: 7.80 m

DISPLACEMENT: 11.000 kg

MAST HIGT 18m

MAIN SAIL AND GENOA AREA: 115 m²

WATER: 800 l

BEARTH: 4 double and 2 single

ENGINE: 2 X 75 HP

DIESEL: 800 L

DESIGNER: Sérgio Marques

Price BV45 Fly_ Standard boat (without sails and electronics): 465.000 euros

 

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Multihull Report & Multihull.de – Foto: Bate Vento

Minha história.

Desde 1975/76, um garoto de 18 anos de idade inciei a velejar nas canoas artesanais do lugar, logo em seguida embarco como tripulante num catamarã de madeira com armação carangueja (crab rig) para conhecer umas ilhas ao longo do litoral maranhense, a Ilha dos Lençóis e Bate Vento. Na minha cidade natal não tinha ainda um Yacht Club nesse período. Este catamarã de madeira, com 12 metros foi construído no litoral do Maranhão por um cidadão português, “Manuel” que deixou Lisboa com um amigo, por volta de 1966, e veio direto para a costa norte do Brasil. Em poucos anos estes multicascos simples e rústicos começaram se adaptar a nossa paisagem. Acredito que os principais ingredientes foram amplitudes das marés, correntes fortes e um bom regime de vento fresco.

Ficamos muito entusiasmados, eu, meus irmãos e amigos, nesta primeira expedição de uma velejada num catamarã num percurso de cerca de 180 milhas para conhecer nosso peculiar litoral e ilhas, ainda selvagem. Iniciava meus estudos em economia na universidade federal, e em poucos anos eu e um dos irmãos já velejávamos no nosso próprio catamarã de 28 pés, construído em compensado naval. Um barco de construção muito rústica. Sem eletricidade a bordo, sem caixa d’água, nem caixa térmica ou motores, vhf, com velas de algodão, estais galvanizados, e por aí afora. Também a concepção do barco e técnica construtiva já era de domínio e conceito regional, resultado do desenvolvimento e adaptações locais a partir do seu precursor, o Manuel Português.

Também nesta época tinha acabado de ser fundado o Iate Clube da cidade, e iniciávamos nossas expedições velejando nosso litoral, parte da costa norte e nordeste brasileira, nesse curioso barco. Nos tornamos uma espécie de pioneiros e “grandes” velejadores no Maranhão! Com uma vasta gama de experiências náuticas acumuladas. Apredemos rápido sobre os ventos, sobre o clima, sobre as marés, sobre as fases da lua, os portos abrigados, também sobre aspectos da costa e seus riscos. Além desses aspectos, tivemos que conhecer inúmeros outros, como um infernal leme pesado, velas com shapes horríveis, catracas improvisadas (que eu mesmo fiz), quebra de mastro, gaiutas que não vedavam, um barco muito molhado e péssimo para cambar… Todos finais de semana, feriados e férias dispensávamos nosso tempo livre neste catamarã, adorávamos! Anos de aprendizagem, a maior parte com os erros!

 

Multihull Report & Multihull.de - Foto: Bate Vento
Multihull Report & Multihull.de – Foto: Bate Vento

Ao longo dos anos 80 houve muita efervescência no nosso ambiente de multicascos local, muitas regatas no clube e na região, aventurava-me também a fazer eventuais entregas de barcos de outros proprietários. Início dos anos 90 apareceram as primeiras encomendas de catamarãs construção strip madeira/epóxi, com um pouco mais de exigência segundo os conceitos universais de um razoável barco de cruzeiro, o mercado naturalmente empurrava para o profissionalismo. Fiz alguns serviços como skipper para a costa brasileira e para o Caribe, assim como fazia as próprias entregas de todos os barcos que produzia no estaleiro. O mundo parecia ter encolhido, o acesso ao conhecimento e tecnologias se tornaram mais fáceis, e meu olhar apreendia distinguir as melhores tendências e formas, percepção adquirida nos anos de navegação intuitiva.

Apenas curiosidade e boa vontade não eram suficientes para sobreviver como designer e construtor de multicascos no terceiro mundo, numa economia de altos e baixos.

 

Multihull Report & Multihull.de - Foto: Bate Vento
Multihull Report & Multihull.de – Foto: Bate Vento

Por isso, decidimos subir mais um degrau. Nosso design já adquirira aceitação e identidade própria, os barcos contavam com mais sistemas embarcados e nossa turma da produção mostrava-se mais segura no que fazia. No inicio dos anos 2000, agora no século 21, mudamos nossas instalações para outro lugar na cidade, sob uma legislação institucional mais rígida, contam pelo menos vinte operários diretos na produção numa área coberta de 3000 metros quadrados. Nós decidimos dez a oito anos atrás, migrar da construção madeira cedro/epóxi para o multicomposite com núcleo de espuma PVC rígida, mantendo a madeira no interior com acabamento artesanal. Dispomos na nossa linha de produção de quatro modelos de catamarã a vela (26 a 43 pés), um modelo de catamarã a motor casco de deslocamento (36 pés). Além disso, dispomos na prancheta um projeto de um trimarã daysailer e os planos de um catamarã maior, 45 pés com flybridge e potentes motores. Enfim, estou no mercado profissionalmente e formalmente a mais de 25 anos, neste desafio como sailmaker e projetista/construtor de multicasco aqui no norte do Brasil, em busca, quem sabe, de uma parceria internacional!

A minha cidade, São Luís, é conhecida como a capital brasileira do multicasco!

 

Para ler a Matéria completa na revista MultiHull Report (em alemão), clique neste arquivo: Multihull_Report_2015juli

 

Reproduzido com base na tradução fornecida pela Bate Vento Sailmakers & Catamaras, que autorizou a reprodução desta matéria na SailBrasil News, com base no trecho específico sobre a Bate Vento na matéria publicada em Julho de 2015 na revista MULTIHULL Report (todos os direitos reservados: www.multihull-report.de).

sbnews-20150803-15

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Comentários

Um comentário em “Revista Multihull publica matéria sobre catamarãs Bate Vento”
  1. fausto cesar reis disse:

    estou a procura de um catamarã para 4 pessoas.

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