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Por causa do motor, ficamos dois meses sem velejar.

Navios entrando e saindo do porto de Santos - Foto: Zabetta

Apenas esclarecendo para quem não leu o relato anterior (clique aqui para ler) onde descrevo a viagem do Rio de Janeiro à Santos antes do natal de 2014, o motor do Gaia 1, um Volvo Penta 2003T (turbo) de 1987, simplesmente pifou!

Antigo motor Volvo Penta 2003T (turbo) - ano 1987 - Foto: Max Gorissen
Antigo motor Volvo Penta 2003T (turbo) – ano 1987 – Foto: Max Gorissen

Ele já dava sinais de que não aguentaria o uso que pretendo dar a este veleiro, onde tudo gira em torno de velejadas longas de cruzeiro, em vários lugares da costa brasileira, antes de rumar para águas internacionais.

Ainda tentei, e consegui, fazer o motor ligar novamente, mas ele decidiu pela aposentadoria (pelo histórico de regatas e viagens para diversos locais do Brasil, é bem merecido!) e, nem um mecânico experiente em Volvo Penta, sua última chance, conseguiu fazê-lo voltar à ativa.

A solução foi buscar outro motor, em pleno Janeiro de 2015, época de férias no Brasil.

Por sorte, no Guarujá, as Assistências Técnicas Autorizadas são excelentes! Cotei um Volvo Penta modelo DR-40R e um Yanmar modelo 3JH5.KM35A. Ambos com a mesma potência, +/- 40 Hp e a pronta entrega.

Como tenho um Yanmar 1GM de 9 Hp no meu veleiro ORM e nunca tive nestes 15 anos nenhum problema, além de conhecer a rede autorizada e saber onde encontrar peças de reposição, optei pelo Yanmar.

Outra premissa era que o motor atendesse às novas exigências internacionais de emissão de poluentes, o que ambos atendem.

O motor chegou ao Guarujá no dia 14 de Janeiro e, no mesmo dia, recebi a programação e a lista de peças e MO.

Tudo aprovado, valores depositados, marina avisada, decidimos retirar o motor e instalar o novo motor com o veleiro dentro da água, para evitar a deformidade do casco, comum quando se retira o veleiro da água e se apoia o mesmo na quilha e nos suportes reguláveis de sustentação.

É obvio que, quando se retira o motor, é que se percebe que existe uma série de, vamos chamar de inconvenientes, para se montar o novo motor, sem contar o que já sabíamos de antemão como, por exemplo, a troca de todo o sistema de escapamento que passou de 2 polegadas no Volvo para 3 polegadas no Yanmar.

Novo motor Yanmar instalado - Foto: Max Gorissen
Novo motor Yanmar instalado – Foto: Max Gorissen

De qualquer maneira, não vou relatar os infortúnios pelo qual passamos durante todo o processo de troca do motor. Todo velejador sabe e entende que, quando se mexe em qualquer coisa no veleiro, sempre tem algo complicado que leva tempo para solucionar.

O que importa é que, no dia 28/02/2015, o novo motor estava no lugar, montado, com todos os seus instrumentos ligados, tanque de diesel limpo e abastecido, só esperando para realizar o teste de Prova de Mar … nesse mesmo dia, chovia torrencialmente no Guarujá!

Como velejador sempre tem de passar por mais um pouco de sofrimento antes de aproveitar a liberdade e o prazer de velejar, mesmo tendo combinado sair com chuva mesmo, fui avisado de que o teste somente seria realizado se mandasse limpar o fundo para tirar o limo e as cracas que se acumularam nos últimos dois meses… assim, em cima da hora… às 12:00 hs saio para buscar um mergulhador… Bendito o Benedito Mergulhador, que me atendeu imediatamente e às 14:00 hs já havia terminado o serviço e o Gaia 1 estava com o casco limpo, esperando o mecânico para sair e realizar o teste.

Cabeça do Benedito Mergulhador limpando o casco - Foto: Max Gorissen
Cabeça do Benedito Mergulhador limpando o casco – Foto: Max Gorissen

Contudo, o teste foi mais uma vez de paciência já que, o mecânico, havia se enrolado na manutenção do motor de uma lancha na Marina Nacionais, do outro lado do Guarujá, e chegaria em 1,5 horas… mais para 2,5 horas, pelo meu relógio… mas chegou… e saímos às 16:00 hs, não sob forte chuva, mas sim, sob um final de tarde ensolarado… prova de que estava terminando a etapa de sofrimento para entrar na etapa de liberdade e prazer de velejar!

Saindo para teste do motor - Foto: Zabetta
Saindo para teste do motor – Foto: Zabetta

O teste foi sendo executado conforme o procedimento imposto pela fábrica, contudo, já ao ligar o motor, percebemos uma forte vibração no ponto-morto, sinal de que o alinhamento entre a flange e o acoplamento do eixo do hélice (pé-de-galinha) não havia ficado perfeito. Em 1.000 RPM a vibração era sensível, aos 2.000 RPM perceptível e aos 3.000 RPM impossível de manter já que tudo vibrava… como velejador não fica sem pelo menos navegar, OK, definido, Domingo saio a 2.000 RPM!

Gostaria de deixar registrado que o serviço do pessoal da Yamamoto Boat, revenda autorizada Yanmar no Guarujá, foi sempre profissional e impecável! Valeu!

Interior com os antigos estofados azuis (originais) e as capas feitas xadrez amarela e azul
Interior com os antigos estofados azuis (originais) e as capas feitas xadrez amarela e azul

Saída no Domingo com a família

Domingo, acordamos às 9:45 hs e tomamos um café da manhã tranquilo, na nossa casa no Guarujá e não no veleiro, pois não tinha ficado pronto o novo estofamento das camas e dos sofás da cabine principal que havíamos encomendado duas semanas antes.

Havíamos decidido trocar o antigo estofado com acabamento em linhão Azul Marinho, original do veleiro e já bem gasto, e as capas feitas pelo dono anterior, com uma estampa xadrez amarelo e azul clara, por um estofado de ante mofo branco. Também trocamos as cortinas, que eram da mesma estampa xadrez amarelo e azul clara por brancas… quando instalarem tiro fotos e adiciono ao blog (foto incluída abaixo).

Novo estofado. O interior do veleiro ficou muito mais claro. - Foto: Max Gorissen
Novo estofado. O interior do veleiro ficou muito mais claro. – Foto: Max Gorissen

A saída neste Domingo tinha dois objetivos; inaugurar o novo motor e levar o veleiro para a Marina Supmar, onde ficará pelos próximos meses, até que decida onde será o ancoradouro pelo próximo período de aventura; Ilhabela, Ubatuba ou Paraty.

Antes, almoçamos no restaurante do ICS, onde é possível saborear pratos deliciosos. Comi um bife à milanesa com salada de batata que estava delicioso.

Finalizei o abastecimento com diesel Verana, pois tinha colocado apenas 40 litros para o teste, e saímos, minha esposa Zabetta, meu filho Maximilian e eu, para um passeio a motor até a Ponta Grossa, limite da Baía de Santos.

Balizamento da entrada do Canal de Santos - Foto: Max Gorissen
Balizamento da entrada do Canal de Santos – Foto: Max Gorissen

O dia estava espetacular, ensolarado e com um vento NW de uns 15 nós. Não dava para acreditar que no dia anterior a chuva foi tão forte que alagou parte do Guarujá, apesar de que, para alagar o Guarujá hoje em dia, qualquer chuvinha alaga.

De qualquer maneira, curtimos a “paisagem de porto”, com seus enormes navios container entrando e saindo, a fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, a praia do Góis (23º 59,811´ S e 46º 18,843´ W), Praia do Sangava (24º 00,084´ S e 46º 19,286´ W), Ilha das Palmas (24º 00,360´ S e 46º 19,392´ W) onde fica o Clube de Pesca de Santos, e toda a mata da costa do Guarujá enraizada nas rochas que dão no mar. Divino! Santos, no outro bordo, é uma orla com um paredão de prédios que, se não fosse uma que outra construção antiga, é muito feio!

O ponto alto do passeio foi pegar umas marolas de uns 4 metros, pela proa, na entrada do porto, com minha esposa e meu filho sentados na borda para molhar os pés na subida e descida das marolas e nas batidas do casco nas ondas.

Navios entrando e saindo do porto de Santos - Foto: Zabetta
Navios entrando e saindo do porto de Santos – Foto: Zabetta

Ao retornar do passeio, deixei a Zabetta no ICS (23º 59′ 13″ S e 46º 17′ 6″ W) para pegar o carro, e partimos, o Maxy e eu, para a Marina Supmar (23º 59′ 47″ S e 46º 15′ 53″ W) onde chegamos e paramos na vaga indicada, pelo rapaz do pier e a Zabetta, que já havia chegado. Eram por volta das 16:00 hs e estava na hora de voltar para São Paulo.

Veleiro Gaia 1 na sua nova vaga na Marina Supmar - Foto: Max Gorissen
Veleiro Gaia 1 na sua nova vaga na Marina Supmar – Foto: Max Gorissen

A semana do 02 ao 06 de Março de 2015 será intensa para o Gaia 1 já que, vão finalizar a instalação do motor, o eletricista deve terminar a instalação elétrica, o estofador deve entregar o novo estofado, mandei retirar todo o hardware da estrutura da cabine (não do deck), inclusive os vidros e gaiútas para trocar a vedação (Sikaflex), o Sr. Alcide (marinheiro) deve realizar uma limpeza “profunda” no veleiro e, para finalizar, trouxe o fogão de 3 bocas para São Paulo para uma limpeza e revisão e devo mandar alguém substituir toda tubulação de cobre do gás… de qualquer maneira, nada disto evita de sair para velejar!

Como escrevi no início, está na hora de aproveitar a liberdade e o prazer de velejar.

Bons ventos!

Max Gorissen

Velejador, escritor e editor da SailBrasil.com.br… nessa ordem! 🙂

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About Max Gorissen
Sailor, writer and editor, in that order...

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