Pajé por aí – de Bora-Bora a Tonga.

imagem: Nana&Kauli
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Maio a junho de 2015

Com o motor consertado, ainda ficamos uns dias por Raiatea: mais um grande swell onde o Kauli se esbaldou. Em Tahaa, ilha vizinha onde fomos a seguir, foi a vez da Nana se esbaldar mergulhando horas a fio com os peixes palhaço, sua paixão.

Bora-Bora, mais um grande swell – esse cara parece que atrai ondas grandes…

Já que decidimos esperar o mar melhorar antes de navegar para as ilhas Cook, o Sr. Seadi se deu bem de novo. A coisa estava tão séria que tinha onda em lugares que nunca havíamos visto. Parceirão, o Kauli insistia para que eu fosse também, mas sem condição. O normal e tranquilo pra ele é completamente assustador e impossível para o velhinho aqui. Mas todos nos divertimos muito velejando de kite e mergulhando com as arraias e tubarões limão.

imagem: Nana&Kauli
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Próximo destino – Maupihaa, uma das ilhas mais a oeste na Polinesia Francesa, ainda mais interessante por ser um atol minimamente visitado. O passe de entrada ao lagoon é o mais estreito e um dos mais perigosos, o que desestimula a maioria dos navegadores.

Mas estávamos nos sentindo valentes e resolvemos tentar. Bem, o passe é estreito meeeesmo e com uma correnteza infernal. Mas deu tudo certo e ancoramos em 8 metros de água. Diversos tubarões vieram nos dar as boas-vindas. O primeiro mergulho para olhar a âncora revelou inúmeros coqueiros espalhados pelo fundo, resultado de um ciclone que devastou a ilha alguns anos atrás.

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Já na primeira tarde ficamos amigos do Hio, um dos 17 habitantes do atol e fomos espetar uns peixinhos dentro do lagoon, numa área super rasa e infestada de tubarões. O Hio arpoava os peixes, rapidamente os levantava sobre a água e nadava para o bote. Quando algum tuba mais afoito se aproximava, golpeava fortemente à superfície com a mão livre, segundo ele o suficiente para espantar os bichos.

O melhor ainda estava por vir, pois nos próximos dias nos dedicamos a mergulhar do lado de fora do atol, próximos à um naufrágio. Aquele paredão de coral, água com uma visibilidade absurda, peixes de bom tamanho, e claro, muitos tubarões.

Mergulhei com o arpão amarrado a um cabo e boia, a boia na mão da Paula, no bote.

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Avistávamos um peixe no fundo, eu descia, arpoava e a Paula rapidamente puxava o cabo e peixe para dentro, sempre seguidos de perto pelos ávidos tubarões. Logramos vários, mas alguns perdemos – os tubas levavam o peixe e as vezes o arpão junto. Emocionante, e o Janjao firme lá filmando o que podia.

Na volta à ilha, churrasco na praia. Numa fatídica noite aceitamos o convite do Hio para pegar lagostas na barreira de coral. Programa incrível, munidos de lanternas ficamos horas caminhando na barreira, com as ondas quebrando muito próximas. O Hio tirou de letra, apanhou diversas lagostas e caminhava sem dificuldade. Mas para a gente virou uma roubada. Cansados, com os pés arrebentados, ninguém queria mais saber de lagosta.

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imagem: Janjao

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imagem: Janjao
imagem: Janjao

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Após dias maravilhosos, deixamos Maupihaa com tristeza, foi uma despedida incrível da Polinésia francesa. Fomos acolhidos de maneira extraordinária até pelos padrões locais, inesquecível. E os mergulhos também não sairão da memória.

Chegamos a Aitutaki, ilhas Cook depois de 3 dias navegando calmamente, um sossego. O passe, dragado, era muito estreito e sinuoso, decidimos não arriscar e usamos uma poita imensa do lado de fora da barreira de corais. Velejamos de kite em um motu ao sul do lagoon, perfeito. Muitas filmagens, tomadas de drone e passeios pela ilha.

Em seguida, Beveridge Reef, um anel de corais semi-submersos no meio do nada. A caminho muito vento e mar, bem desconfortável. Na primeira noite ancorados sofremos com muito vento e chuva, não se via nada. Sabíamos que estávamos próximos aos corais e se a âncora soltasse do fundo ia ser um desastre. Como não se via nada, caso tivéssemos que nos mover não daria para saber nem para onde ir, já que as cartas eletrônicas não são precisas neste local e radar também não ajudava. Motoramos em marcha lenta apontados para o vento e de olho na profundidade durante toda a madrugada.

Conferimos a âncora no dia seguinte e estava ótima, super bem unhada, não iríamos sair do lugar. Mas enfim, o seguro morreu de velho.

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Acabamos ficando quase uma semana, sozinhos no mundo, esperando mar e vento acalmarem. E estava frio. Nossos vídeo-makers mais uma vez filmaram muito. Nos intervalos, tranca e pesca. O desafio era trazer o peixe para dentro do barco antes dos tubarões abocanharem. Kauli e Janjao se divertiram a valer enquanto aguardávamos uma boa janela de tempo para nossa perna até Niue.

Assim que o tempo melhorou zarpamos e chegamos a Niue com poucos dias para aproveitar, já que o tempo iria virar de novo e preferíamos estar em Tonga antes que isto acontecesse.

Aproveitamos intensamente este curto período, mergulhando e percorrendo as inúmeras cavernas. Usamos um carro alugado e o drone novamente possibilitou imagens incríveis.

A maior decepção foi da Nana, que queria mergulhar por lá e teve o mergulho cancelado pela operadora no único dia que tínhamos disponível.

A passagem para Tonga foi com mar e vento razoáveis, de traves, o que judia bastante do barco e da tripulação. Poucas horas depois da nossa saída o barco começou a se comportar de maneira estranha e após alguns momentos de não entendermos o que estava acontecendo notamos que estávamos sem o leme de bombordo. O eixo, 30 mm de aço inox, partiu-se rente ao casco. Ainda bem que temos dois. O que sobrou nos levou até Neiafu, Tonga. Mas foi tenso.

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Em Neiafu, a chegada foi como sempre é: alfandega, imigração, controle sanitário etc. Pós burocracia e rápido provisionamento, fomos rapidamente visitar algumas ilhas para que nossos amigos aproveitassem um pouco do lugar antes de voltarem ao Hawaii e Brasil.
Finalmente o Kauli conseguiu velejar de windsurfe nas ondas, apesar das condições (na opinião dele) não serem as ideais. Mas os poucos dias renderam imagens lindas de drone, velejos de kite e free style no windsurf.
Mas não foram só as maravilhas da natureza que nos aguardavam por aqui. Nossos queridos amigos do Lil’Explorers, família que conhecemos em 2013 no Panamá, nos deram as boas vindas de uma forma inusitada! Uma mensagem numa garrafa cuidadosamente escondida entra tantas outras numa cafeteria local! Bom receber o carinho dos amigos e se sentir em casa. De lambuja ainda ganhamos um guia de navegação local e um chip de celular, preciosidades! Obrigado Lil’Explorers, nos vemos em breve em qualquer outro canto.
Depois de 2 meses de convivência intensa, nas roubadas e nas euforias, nossos queridos amigos embarcaram com toda a tralha num ferry boat que os levou até Tongatapu. O barco ficou deserto e silencioso e nós também –  já estávamos acostumados e nos divertindo com os takes, links, drones, áudios, entrevistas cavernas, as discussões de roteiro, aos pedidos do Kauli para chegarmos ainda mais perto das ondas… Mas já tá tudo combinado. Um dia desses, antes cedo do que tarde, vamos gravar mais alguns episódios de Waterman juntos.

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O Pajé anda por aí desde 2004 quando o Mario começou a viver seu grande sonho de morar a bordo. A Paula, além de primeira-dama e CEO, também é diretora administrativo-financeira, chef de cozinha e relações públicas. Cá entre nós, também é responsável por todos os outros assuntos, enquanto o Mario caminha rapidamente para a completa obsolescência. Alguns meses por ano o Alex, filho de treze anos do Mario vem passar suas férias escolares a bordo. Aí quem manda é ele e roteiros e atividades são feitos de acordo, ou seja, muita atividade. Buscamos conhecer lugares novos e aproveitar cada dia. Não temos projeto ou estamos em expedição, nem somos aventureiros. Vivemos com o Pajé, por aí…

Paula e Mário

Veleiro Pajé

veleiropaje@gmail.com

http://pajeporai.blogspot.com.br/

Texto e fotos reproduzidos pela SailBrasil – Vida de Cruzeiro com autorização dos autores. Proibida reprodução sem autorização dos autores que podem ser contatados pelo e-mail: veleiropaje@gmail.com

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