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Velejar sozinho me faz sentir livre (Português, English e Español)

bandeira_pt Velejar sozinho me faz sentir livre

Sempre gostei de velejar sozinho (em solitário).

Não me entenda mal, também aprecio velejar em companhia, com tripulação, principalmente com minha família. Contudo, velejar sozinho me dá uma sensação incrível de prazer e liberdade, já que tudo parece automático, integrado, natural, como se o veleiro fosse uma extensão de mim mesmo.

Muitos anos de prática

Mas não se iluda: para chegar a esse ponto foram muitos anos velejando sozinho, aperfeiçoando a técnica de me integrar e de depender somente de mim para qualquer atividade ou eventualidade no veleiro.

Já testei de tudo velejando sozinho: desde diferentes ajustes de vela com diversos tipos de vento, até como ir ao banheiro em condições extremas de vento e de mar.

Tudo começou nos anos 1980, quando comecei a velejar na minha primeira prancha de windsurfe, uma Windglider, na Represa de Guarapiranga, em São Paulo. Lembro como se fosse hoje.

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Minha primeira prancha Windglider. Naquela época, eu ainda não tinha trapézio e velejava de dock-sider… era tudo no braço! Velejando na represa de Guarapiranga.

Naquele dia, ventava forte e eu velejava perto da Ilha dos Amores, quando, de repente, a prancha fica desgovernada. A popa não segue mais o rumo e gira, me obrigando a compensar com o corpo e a vela para não cair na água. Pensei de imediato: perdi a quilha. Fato constatado, sozinho, cansado após horas velejando, como era meu costume, comecei a pensar em como voltaria ao hoje extinto Clube Desportivo Municipal de Iatismo (CDMI).

Remar, nem pensar (quem teve uma Windglider e tentou remar com o corpo apoiado sobre o mastro/retranca/vela sabe como era desconfortável).

Tinha de me virar para sair dali. Não havia chances de resgate, pois eu estava isolado naquela área da represa. Ir para terra, apesar de perto, não era uma opção. Lembro que pensei um pouco e a solução veio rápido: quando perdi a quilha, havia realizado vários movimentos com o corpo e com a vela para não cair na água. Ali estava a solução. Fiquei de pé na prancha, subi a vela e tentei manejar sua posição e seu ângulo, concomitantemente com a posição do meu corpo, para continuar velejando. Após algum tempo, consegui identificar os movimentos certos e, em ziguezague, com pequenos giros do corpo e do mastro sobre a bolina, movimentos que passaram a ser quase que naturais, velejei em direção ao CDMI.

Após umas duas horas, cheguei ao clube exausto e “quebrado”, por causa do movimento de corpo e de braços. No entanto, a sensação de chegar, sem assistência e sem depender de ninguém, utilizando somente meus próprios meios, foi o que me fez, naquele momento, amar velejar sozinho. Cheguei cansado, porém calmo e realizado.
Desde então, várias pranchas e veleiros depois, inúmeras foram as vezes em que passei por situações nas quais as coisas deram errado, mas, em vez de reclamar, encarei cada uma como uma nova lição. Muitas vezes o mesmo problema se repetia, até eu encontrar uma maneira de resolvê-lo. Não importa. Ter de achar uma solução e sair dessa sozinho é o que sempre me motivou.

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Velejando sozinho no meu Hobby-Cat 16 de nome “Bad Max”.

São poucos os velejadores solitários

Admiro muito todo velejador que deixa o píer para velejar sozinho. Principalmente para se aventurar pelo mar. Tanto faz se é apenas por um dia ou por vários deles.

Assim, não dá para escrever sobre velejar sozinho sem mencionar alguns velejadores que admiro, como Joshua Slocum, Bernard Moitessier, Éric Tabarly, Ellen MacArthur, Robin Knox-Johnston, além de brasileiros como Izabel Pimentel, Amyr Klink, Aleixo Belov, Elio Somaschini, entre outros.

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Chegando na marina no meu veleiro de nome ORM, um Mariner Ranger 26 de 1983, modelo 1/4 tonner, em que aprendi muito sobre como velejar em solitário entre Santos e Ilhabela – SP.

O desafio de se velejar sozinho

Velejar sozinho é um desafio, principalmente em alto-mar. Afinal, essa é uma atividade na qual o indivíduo é totalmente responsável por sua própria segurança: não tem a quem recorrer, nem é possível esperar alguém resolver um problema.

Por esse motivo, velejar sozinho é uma atividade de muita concentração e pouco descanso. Concentração no vento, no mar, no tempo, no movimento do veleiro… tudo tem de estar em harmonia. Pouco descanso porque não podemos nos dar ao luxo de dormir por oito horas seguidas – aliás, muitas vezes, nem por uma hora seguida –, o que causa exaustão até se acostumar (se é que dá para acostumar).

Além disso, velejar sozinho tem um grande impacto em nosso estado emocional, dados os inúmeros desafios mentais e físicos que precisamos enfrentar durante uma velejada.

Um exemplo bastante comum: durante uma ventania forte com mar desencontrado, o velejador normalmente assume o leme, pois não é possível manter o rumo no piloto-automático. Em pouco tempo, fica-se cansado por ter de ajustar constantemente o rumo, e com frio pelo vento batendo no corpo. E nesse momento não há ninguém para substituí-lo, para fazer um café quente ou trazer um sanduíche após horas no leme. Não dá para deixar o leme nem para um simples xixi. Esses são momentos em que precisamos estar bem mental e fisicamente para aguentar o desgaste, lembrando que não há outra saída. Não podemos parar no posto de combustível para descansar e comer ou fazer xixi, como em uma viagem de carro.

É nesses momentos que você percebe que depende única e exclusivamente de uma grande força de vontade interior. Quem não tem essa força padece.

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Nascer do sol por trás de Ilhabela após algumas horas de navegada indo rumo a Santos.

Velejador solitário tem de ser prevenido

Muitas pessoas acreditam que indivíduos que gostam de velejar em solitário possuem uma inclinação natural ao perigo e precisam fazer algo perigoso para se sentir vivos, precisando muitas vezes chegar ao ponto de ter de lutar por sua sobrevivência para serem felizes.

Esclareço: esse não é o meu caso e, pelo que li, também não é o caso dos velejadores que destaquei acima.

Ao contrário, o velejador solitário abomina e evita situações de perigo. Quando ocorre uma situação de perigo, é porque fugiu ao seu controle. É porque não estava preparado ou não era possível prevenir.

É por isso que, quando velejo sozinho, tenho de acreditar e confiar plenamente em minha capacidade de gerenciar situações complexas e, principalmente, evitar ou prevenir qualquer tipo de situação que possa me colocar em perigo.

Para isso, antes de mais nada, mantenho meu veleiro sempre nas melhores condições. Faço pessoalmente e a tempo as revisões, as inspeções e os reparos necessários (veja no site “Procedimento de montagem: Catraca Aldo 32”). Estudo e leio muito sobre tudo relacionado a veleiros, seu uso, navegação e equipamentos. Procuro sempre novas maneiras de me virar sozinho (veja no site “Rapel – Uma opção para subir sozinho no mastro do veleiro”). Tudo é pensado de antemão e, se alguma peça não está boa, troco o mais rápido possível por uma nova ou superior (veja no site “Por causa do motor, ficamos dois meses sem velejar”).

Faço isso porque minhas ações preventivas, especialmente se acertadas, são a única maneira possível para evitar que um problema venha a acontecer.

Isso vai desde algo simples, como a troca preventiva de uma cupilha desgastada, até um problema que pode ocasionar um risco de vida, como a revisão das abraçadeiras das mangueiras por onde entra ou sai água pelo casco. Mas lembre-se: até uma cupilha solta pode acarretar um risco de vida (por exemplo, se a cupilha do brandal se soltar durante uma ventania, o mastro pode quebrar e cair). Tudo o que fazemos tem de ser analisado e ponderado como em um jogo de xadrez. Só então se move a peça.

Vale repetir: diferentemente dos velejadores com tripulação, quem veleja sozinho está disposto a assumir o desafio de ser totalmente dependente das suas próprias ações, contando com seu conhecimento, com os recursos à disposição, com as próprias experiências e, principalmente, com as próprias decisões.

Essa maneira de pensar é tão extrema para as pessoas em terra, condicionadas por um cotidiano de segurança, que a maioria a confunde com insensatez (quantas vezes escutei: “Você é louco por sair sozinho!”).

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Velejando em solitário na Bahia de Santos – SP.

Sozinho devemos gerenciar a exaustão

Quem veleja sozinho está sujeito a um grau de exaustão mental e físico, muitas vezes causado por falta de descanso adequado, que ninguém em terra consegue imaginar. Mesmo assim, situações e problemas têm de ser analisados e decisões devem ser tomadas o tempo todo, mesmo nesses momentos em que se está mais vulnerável.

Imagine viver por longos períodos isolado e desconectado do mundo. Nem internet existe. Tudo depende de você. Não há ninguém para conversar (bom, tem gente que compra uma bola Wilson… 🙂 ). A solidão e o isolamento são reais. Não é como estar fechado em seu quarto, com sua família na outra sala. Em um veleiro, não há ninguém à sua volta, somente água. Mesmo dispondo de meios de comunicação como um telefone por satélite (o único que realmente tem alguma chance de pegar sinal no meio do mar), ainda assim você sabe que está sozinho.

Para quem não imagina o tipo de situações a que o velejador solitário está sujeito (na verdade, também estamos sujeitos a elas quando há tripulação, mas nesse caso podemos contar com a ajuda de outra pessoa), apresento aqui alguns exemplos de seus maiores temores: cair no mar e o veleiro ir embora, tropeçar numa catraca e quebrar um osso, bater a cabeça e desmaiar, o veleiro bater em algo (baleia, navio, contêiner, atol, pedra) e furar o casco, quebrar o mastro, rasgar velas, perder o leme, ficar sem energia elétrica e perder os instrumentos de navegação, vazar gás e incendiar o veleiro, bater em outra embarcação ao manobrar, entre muitos outros.

A possibilidade de todas essas situações contribui para exaurir suas forças, a ponto de, ao dormir, manter-se atento a qualquer barulho ou movimento fora do normal. Ou seja, quase não se dorme profundamente, por isso existe um aumento no grau de exaustão.

Para velejar sozinho tem de aprender a viver diferente

A exaustão é um fato para o velejador solitário.

Seja por não dormir, pela solidão, cansaço físico, preocupação, desconhecimento do que está por vir, medo, saudade, seja porque tudo se mexe o tempo todo, porque os espaços são pequenos, entre muitas outras percepções, emoções ou preconcepções.

Mas quem vive essa aventura tem por premissa pensar que tudo isso precisa e pode ser prevenido e que, se acontecer, deve ser encarado como algo que pode ser resolvido ou, ao menos, gerenciado. Não existe a atitude ou o pensamento negativo. Não existe a premissa de que não se pode resolver. Não existe a concepção de que se está vencido. Tudo – tudo – pode ser resolvido com mais ou menos esforço e com os recursos disponíveis.

Tudo deve ser sempre encarado de maneira positiva. É pensando positivamente que se lida com a exaustão mental e física e, com o tempo, isso faz com que o velejador solitário se integre ao seu entorno e passe a descansar, relaxar e dormir. Ele chega ao ponto de fazer parte do meio em que habita e, a partir desse momento, passa a viver bem, alegre, relaxado e em harmonia. Ainda um pouco cansado, mas bem.

Ver as coisas com uma atitude positiva faz com que coisas negativas pareçam positivas.

Por exemplo: “muitas horas de solidão” passam a ser percebidas como tempo para pensar e meditar; “problemas” são situações para testar suas habilidades e conhecimento; “não ter internet” é oportunidade de ficar longe de coisas que nada agregam à sua vida; “não ter ninguém para ajudar” serve para você aprender a ser autossuficiente; “não ter um restaurante por perto” serve para aprender a cozinhar e viver uma vida mais saudável; “estar longe do agito de uma cidade” permite estar em contato constante com o mar, com o vento, com o sol, a lua e as estrelas; “pegar uma chuvinha” é para se refrescar e lavar a alma a cada tanto; “dormir ao relento” permite conhecer melhor as estrelas… Tudo o que é negativo passa a ser complementado com percepções positivas, percepções que somente quem se distancia da cidade consegue experimentar. Ser levado pela força do vento, experimentar o silêncio, conhecer lugares incríveis que quase ninguém visitou, mergulhar com golfinhos e peixes exóticos em corais deslumbrantes, poder nadar pelado…

Quando você alcança essa paz interior, só então, você passa finalmente a ser livre. É assim que me sinto quando velejo sozinho.

Bons ventos!

Max Gorissen

bandeira_en Sailing alone makes me feel free

I always enjoyed sailing alone (singlehanded).

Do not get me wrong, I also enjoy sailing in company, with crew, especially with my family, but sailing alone gives me an incredible sense of pleasure and freedom since everything seems automatic, integrated and natural, as if the sailboat is an extension of myself.

Many years of practice

Do not be fooled, to get to the point where I am today as a sailor, I have been sailing alone for many years, perfecting the technique of integrating myself with the sailboat and depending only on me for any activity or eventuality that happens on the sailboat.

I’ve tested everything by sailing alone; From different sail settings with different types of wind, to even going to the bathroom in extreme wind and sea conditions.

It all started in the 80’s, when I started sailing on my first windsurf, a Windglider, at the Guarapiranga Dam in São Paulo … I remember the day as if it were today.

That day, it was windy and I was sailing near the “Ilha dos Amores” (Love Island) when, all of the sudden, the board went unruly. The stern no longer followed the course and it started to rotate, making me compensate with my body and with the sail position, just so I would not fall in the water. I thought; I lost the keel. Problem identified, alone, tired after hours of sailing as was my custom, I consider how to return to my club, the CDMI (Municipal Club of Sailing).

Forget about rowing (who had a Windglider and tried to paddle with his body propped up on the mast / boom / sail, knows how uncomfortable it was). I had to find a way to get out of there. No chance of rescue because it was isolated in that area of ​​the dam. Going to land, although close, was not an option. I remember thinking a little and the solution came quickly … When I lost the keel, I had made several movements with my body and with the sail to avoid falling into the water. That was the solution. I stood on the board, raised the sail, and tried to manage the position and angle of the sail, concomitant with the position of my body, to continue sailing. After some time trying, I was able to identify the right movements and, zigzagging, with small turns of the body and the mast on the keel, movements that became almost natural, I sailed towards the club.

After about two hours, I arrived at the club exhausted and “broken” because of the movement of body and arms, however, the feeling of arriving, without assistance and without depending on anyone, through my own means, I believe, was what made me, at that moment, love to sail alone. I arrived tired, however, calm and accomplished.

Since then, several boards and several sailboats afterwards, there have been innumerable times when I went through various situations in which things went wrong, however, instead of complaining, I looked at each one as a new lesson. Often, the same problem would recur, until I found a way to solve it. It did not matter. Having to find a solution and getting out of this alone is what has always motivated me.

Few singlehanded sailors

I really admire every sailor who leaves the dock to sail alone. Especially, the ones that venture out to sea. It does not matter if is just for a day or for several days.

For this reason, I cannot write about sailing alone without mentioning some of the “lonely” singlehanded sailors I admire, such as Joshua Slocum, Bernard Montessier, Éric Tabarlie, Ellen Macarthur, Robin Knox-Johnston and Brazilians such as Izabel Pimentel, Amyr Klink , Aleixo Belov, Elio Somaschini, among others.

The challenge of sailing alone

Sailing alone is a challenge, especially offshore. This is because, sailing alone, is an activity where the individual is totally (100%) responsible for their own safety and his/her ability to deal with everything that is “throw” on him/her. You have no one to turn to, and you cannot wait for someone to solve it.

For this reason, sailing alone is a sport of great concentration and little rest. Concentration on the wind, the sea, the weather, the movement of the sailboat … everything has to be in harmony. Of little rest because we cannot afford to sleep for 8 hours in a row, often, not even for an hour, which causes exhaustion, until we get used to it (if we can get used at all…).

In addition, sailing alone has a great impact on your emotional state since, you go through numerous mental and physical challenges while sailing alone.

I will give a very common example: during a windy day, with the sea hitting from different directions, you normally assume the rudder because you cannot keep the course on the autopilot. In a short time, you get tired of having to constantly adjust the course and get cold by the wind or the rain pounding on your body. At that time, there is no one to replace you, no one to make you a hot cup of coffee and no one to bring you a sandwich after hours at the helm … And, by the way, you cannot leave the helm or go to the bathroom for a simple pee … In those cases, you must be well mentally and physically to endure such abuse by remembering that, on your own, you have no other way out. You can´t simply stop at the gas station to rest and eat, as we do when traveling in a car.

It is in these moments that you realize that it depends solely and exclusively on a great inner will power. Who does not have this strength, suffers.

Solitary sailor must be prepared

There are many people who say that individuals who enjoy sailing singlehanded have a natural inclination to danger and need to do something dangerous to feel alive and often go so far as to have to fight for their survival to be happy …

Clarification: it is not my case and, I believe, from what I read in the books, it is not the case of the sailors I highlighted above.

On the contrary, the solitary sailor avoids and abhors dangerous situations. When a situation of danger happens, it is because it has escaped his/her control. It happened because he/her were not prepared or could not prevent it.

That is why, when sailing alone, I must believe and trust fully in my ability to manage complex situations and, above all, to avoid or prevent any kind of situation that could put me in danger.

First of all, I always keep my sailboat in the best condition. I make the necessary, on-time revisions, inspections and repairs in person (see, for example, Assembly procedure: Aldo Catraca 32). I study and read a lot about everything related to sailboats, their use, navigation and their equipment. I always look for new ways to deal with things alone (see, for example, Abseiling – An option to climb alone on the sailboat mast). Everything is thought of beforehand, and if any part/component is not in perfect condition, I change it as soon as possible by a new one or for one of higher quality (see, Because of the engine, we stayed two months without sailing.).

I do this because, my preventive actions, especially if right, are the only possible way to prevent a problem from happening.

This ranges from something simple, such as the preventive exchange of a worn coupling, to a life-threatening problem, such as reviewing the hose clamps where water enters the hull.

However, remember, even a loose coupling can be life-threatening (for example: if a coupling comes out from a shroud during a gust, the mast can break and fall). Everything we do has to be analyzed and weighted as in a game of chess. Only then, we move the piece.

Again, unlike boaters with crew, I am aware that those who sail alone are willing to take on the challenge of being totally (100%) dependent on their own actions, through their knowledge, the resources at their disposal, their experiences and, especially, on their decisions.

This way of thinking is so extreme for people, conditioned by their dayly security, that most confuse it with folly (how many times have I listened: you are crazy to go out alone!).

Alone we must manage exhaustion

Those who sail alone are subject to a degree of mental and physical exhaustion, often caused by lack of adequate rest, which no one on land can imagine. Even so, situations and problems must be analyzed and decisions made all the time, even in those times when you are most vulnerable.

Imagine; Who sail alone lives for long periods isolated and disconnected from the world we know. No internet exists. Everything depends on him/her. There’s no one to talk to (well, there are people who buy a Wilson ball 😊) … Solitude and isolation are real. It’s not like being locked in your bedroom with your family in the other room. Even in the “bedroom”, or cabin / stateroom on a sailboat, there is no one around you, only water … Even with telecommunications such as a satellite phone (the only one that actually has any chance of catching signal in the middle of the ocean), even so, you feel and know that you are alone …

For those who cannot imagine the kind of situations that the singlehanded sailor is subject to (although this can happen with crewed boats as well but, with crew, you can count on the help of another person), here are some examples of things that can happen and which are usually the biggest fears of every lonely sailor: falling in the sea and the sailboat to go on autopilot, trip on a ratchet and break some bone, hit your head and faint, hit something (Whales, ships, containers, atolls / rocks) and water start to get in the boat, break the mast, tear the sail, lose the rudder, run out of electricity and lose the navigation instruments, gas leak and catch fire on the sailboat, hit another boat when maneuvering, among many others …

All these situations contribute to exhaust your strengths to the point that, when sleeping, we are always alert to any noise or movement outside the normal. That is, you hardly sleep deeply and, therefore, there is an increase in the degree of exhaustion.

To sail alone you have to learn to live diferente

As mentioned so far, exhaustion is a “fact” for the singlehanded sailor.

Whether it is for not sleeping, loneliness, physical exhaustion, worry, ignorance of what is to come, fear, nostalgia, everything is moving all the time, spaces are small, among many other phobics, perceptions, emotions or preconceptions.

However, those who experience this adventure have the premise to think that all this has to, and can be, prevented and that, if it happens, it has to be seen as something that can be solved or at least managed … there are no negative attitude or negative thinking. No thinking that it cannot be resolved. There is no conception that one is beaten. Everything. Everything can be solved with more or less effort and with the resources available.

Everything must always be viewed positively. It is with positive thinking that one deals with mental and physical exhaustion and, over time, this causes the singlehanded sailor to become integrated into his/her surroundings and to rest, relax and sleep; To the point of being part of the environment in which he/she lives and, from that moment, to live well, happy, relaxed and in harmony … still a little tired, but well.

So, the way you look at things changes to such an extent that your perception of everything that happens in your surroundings is seen in a positive way.

Seeing things with a positive attitude makes negative things look positive.

Examples: “many hours of loneliness” (negative) are there to think and to meditate (positive), “problems” (negative) are situations to test your skills and knowledge (positive), “not having internet” is to have the opportunity to stay away from things that add nothing to your life, “not having anyone to help” is for you to learn to be self-sufficient, “not having a restaurant close by” is for learning to cook and live a healthier life, “being away from the City “allows you to be in constant contact with the sea, the wind, the sun, the moon and the stars, “get some rain” is to refresh and wash your soul every so often,” sleep in the open ” allows you to better see the stars … everything that is negative becomes complemented with positive perceptions, perceptions that only those who distance themselves from the city and achieve inner peace can experience, such as: being carried by the force of the wind, experiencing silence, get to know amazing places that almost nobody visited, dive with dolphins and exotic fish in dazzling corals, be able to swim naked …

When you reach that inner peace, only then, you finally become free … that’s how I feel when I sail Alone.

Fair winds!

 

Max Gorissen

bandeira_es Navegar en solitario me hace sentir libre

Siempre me ha gustado navegar solo (en solitario).

No me entienda mal, también aprecio navegar en compañía, con tripulación, principalmente con mi familia, sin embargo, navegar solo me da una sensación increíble de placer y de libertad, ya que, todo me parece automático, integrado, natural, como si el velero fuese una extensión de mí mismo.

Muchos años de práctica

No se engañe, para llegar a ese punto fueron muchos años navegando solo, perfeccionando la técnica de integrarme y de depender solamente en mí para cualquier actividad o eventualidad que ocurra en el velero.

He probado de todo navegando solo; Desde diferentes ajustes de vela con diversos tipos de viento, hasta cómo ir al baño en condiciones extremas de viento y de mar.

Todo empezó en los años 80, cuando empecé a navegar en mi primera tabla de windsurf, una Windglider, en la represa de Guarapiranga en São Paulo … Recuerdo el día como si fuera hoy.

En aquel día, ventaba fuerte y yo navegaba cerca de la “Isla de los Amores” cuando, de repente, la tabla queda desgobernada. La popa no sigue más el rumbo y gira haciendo que tenga que compensar con el cuerpo y la vela para no caer en el agua. Pensé de inmediato. Perdí la quilla. Hecho constatado, solo, cansado después de horas navegando como era mi costumbre, pienso en cómo volver al hoy extinto CDMI (Club Municipal de Iatismo).

Remar ni pensar (quien tuvo una Windglider e intentó remar con el cuerpo apoyado sobre el mástil / bota / vela sabe cómo era incómodo). Tenía que improvisar para salir de allí. Sin posibilidades de rescate pues estaba aislado en aquella zona de la represa (por eso el nombre Isla de los Amores). Ir a tierra, a pesar de cerca, no era una opción. Recuerdo que pensé un poco y la solución vino rápido … cuando perdí la quilla, había realizado varios movimientos con el cuerpo y con la vela para no caer en el agua. Allí estaba la solución. Me quedé de pie en la tabla, subí la vela e intenté manejar la posición y el ángulo de la vela, concomitante con la posición de mi cuerpo, para seguir navegando. Después de algún tiempo intentando, conseguí identificar los movimientos correctos y, en zigzag, con pequeños giros del cuerpo y del mástil sobre la bolina, movimientos que pasaron a ser casi naturales, me dirigí hacia el club.

Después de unas dos horas, llegué al club exhausto y “roto” a causa del movimiento de cuerpo y de brazos, sin embargo, la sensación de llegar, sin asistencia y sin depender de nadie, a través de mis propios medios, creo, fue lo que, en aquel momento, me izo amar navegar solo. Llegué cansado, sin embargo, tranquilo y realizado.

Desde entonces, varias tablas y varios veleros después, innumerables fueron las veces en que pasé por diversas situaciones en que las cosas salieron mal, sin embargo, en vez de reclamar, encaré cada una como una nueva lección. A menudo, el mismo problema se repetía, hasta que encontré una manera de resolverlo. No importaba. Tener que encontrar una solución y salir de ella solo es lo que siempre me motivó.

Son pocos los navegantes solitarios

Admiro mucho a todo navegante que deja el muelle para navegar solo. Principalmente para aventurarse por el mar. Me da lo mismo que sea sólo por un día o por varios días.

Por eso, no se puede escribir sobre navegar en solitario sin mencionar algunos navegantes que admiro, como Joshua Slocum, Bernard Montessier, Éric Tabarlie, Ellen Macarthur, Robin Knox-Johnston y, también, brasileños como Izabel Pimentel, Amyr Klink, Aleixo Belov, Elio Somaschini, entre otros.

El desafío de navegar en solitario

Navegar solo es un desafío, sobre todo en alta mar. Esto porque, esta es una actividad donde el individuo es totalmente (100%) responsable de su propia seguridad y capacidad de resolver diferentes situaciones. No tiene a quién recurrir y ni siquiera puede esperar que alguien lo ayude a resolver.

Por este motivo, navegar en solitário, es una actividad de mucha concentración y de poco descanso. Concentración en el viento, en el mar, en el tiempo, en el movimiento del velero … todo tiene que estar en armonía. Poco descanso porque no podemos darnos el lujo de dormir por 8 horas seguidas, por lo demás, muchas veces, ni por una hora seguida, lo que causa agotamiento, hasta acostumbrar (si es que se consigue acostumbrar …).

Además, navegar solitario tiene un gran impacto en su estado emocional ya que, usted pasa por innumerables desafíos mentales y físicos mientras navega.

Voy a dar un ejemplo bastante común: en un día de viento fuerte con mar desencontrado, usted normalmente asume el timón porque no puede mantener el rumbo con el piloto automático. En poco tiempo, te quedas cansado por tener que ajustar constantemente el rumbo y te quedas con frío por el viento o por la lluvia golpeando el cuerpo. En ese momento, no hay nadie para sustituirlo, nadie para hacer un café caliente y nadie para traer un sándwich después de horas en el timón … Y tampoco se puede dejar el timón ni para ir al baño para un simple pis. En estos casos, usted tiene que estar bien mental y físicamente para aguantar tal abuso recordando que usted no tiene otra salida. No puede simplemente parar en la estación de combustible para descansar y comer, o hacer pis, como lo hacemos cuando viajamos en un coche.

Es en estos momentos que usted percibe que depende única y exclusivamente de una gran fuerza de voluntad interior. Quien no tiene esa fuerza, padece.

El navegante solitario tiene que ser prevenido

Hay mucha gente que dice que individuos que gustan de navegar en solitario poseen una inclinación natural al peligro y que necesitan hacer algo peligroso para sentirse vivos y, muchas veces, llegan al punto de tener que luchar por su supervivencia para ser feliz …
Aclaro: no es mi caso y, creo, por lo que he leído en los libros, no es el caso de los navegantes que he destacado.

Por el contrario, el navegante solitario evita y abomina situaciones de peligro. Cuando ocurre una situación de peligro, es porque ha huido a su control. Es porque no estaba preparado o no tenía como prevenir.

Por eso, cuando navego solo, tengo que creer y confiar plenamente en mi capacidad para gestionar situaciones complejas y, sobre todo, evitar o prevenir cualquier tipo de situación que pueda ponerme en peligro.

En primer lugar, mantengo mi velero siempre en las mejores condiciones. Hago personalmente las revisiones, las inspecciones y las reparaciones necesarias y a tiempo (véase, por ejemplo, Procedimiento de montaje: Catraca Aldo 32). Estudio y leo mucho sobre todo relacionado a los veleros, su uso, navegación y sus equipamientos. Busco siempre nuevas maneras de resolver las cosas solo (ver, por ejemplo, Rapel – Una opción para subir solo en el mástil del velero). Todo es pensado de antemano y, si alguna pieza/ componente no está en buenas condiciones, cambio lo más rápido posible por una nueva o de calidad superior (ver, Debido al motor, nos quedamos dos meses sin navegar).
Lo hago porque, mis acciones preventivas, especialmente si son acertadas, son la única manera posible para evitar que un problema venga a suceder.

Esto va desde algo simple, como el cambio preventivo de un contra pino desgastado, hasta un problema que puede ocasionar un riesgo de vida, como, por ejemplo, la revisión de las abrazaderas de las mangueras por donde entra / sale agua por el casco.

Sin embargo, recuerde, hasta un contra pino desgastado puede acarrear un riesgo de vida (por ejemplo: si se suelta el contra pino del brandal durante un día de vientos fuertes, el mástil puede romperse y caer). Todo lo que hacemos tiene que ser analizado y ponderado como en un juego de ajedrez. Sólo entonces se mueve la pieza.

Repito de nuevo: a diferencia de los veleros con tripulación, soy consciente de que quien navega solo está dispuesto a asumir el desafío de ser totalmente (100%) dependiente de sus propias acciones, a través de su conocimiento, de los recursos a su disposición, de sus experiencias y principalmente, de sus decisiones.

Esta manera de pensar es tan extrema para las personas en tierra, condicionadas por un cotidiano de seguridad, que la mayoría la confunde con insensatez (cuántas veces escuché: ¡usted está loco por salir solo!).

Sólo debemos gestionar el agotamiento

Quien navega solo está sujeto a un grado de agotamiento mental y físico, muchas veces causado por la falta de un descanso adecuado, que nadie en tierra puede imaginar. Sin embargo, las situaciones y los problemas tienen que ser analizados y las decisiones tomadas todo el tiempo, incluso, en esos momentos en que se está más vulnerable.

Imagínese; Vivir por largos períodos aislados y desconectados del mundo que conocemos. No existe Internet. Todo depende de ti. No hay nadie para conversar (bueno, hay gente que compra una pelota Wilson 😊) … La soledad y el aislamiento son reales. No es como estar encerrado en su habitación con su familia en la otra habitación. En el cuarto, o cabina / camarote en un velero, a su alrededor no tiene a nadie, sólo agua … Incluso, mismo con medios de comunicación como un teléfono por satélite (único que realmente tiene alguna posibilidad de atrapar la señal en el medio del mar), usted se siente y sabe que está solo …

Para quien no se imagina el tipo de situaciones a las que el navegante solitario está sujeto (a pesar de que las mismas situaciones pueden ocurrir con tripulación, sólo que, con tripulación, se puede contar con la ayuda de otra persona), presento aquí algunos ejemplos de situaciones que pueden ocurrir y que, normalmente, son los mayores temores de este tipo de navegante: caer en el mar y el velero se va, tropezar en un trinquete y romper algún hueso, golpear la cabeza y desmayarse, el velero golpea en algo (ballena, buque, contenedor, piedra/ atol) y se agujera el casco, se rompe el mástil, se rasgan velas, se pierde el timón, quedarse sin energía eléctrica y perder los instrumentos de navegación, el gas prender fuego, chocar en otra embarcación al maniobrar, entre muchas otras …

Todas estas situaciones, contribuyen a acabar con sus fuerzas hasta el punto en que, al dormir, nos quedamos atentos a cualquier ruido o movimiento fuera de lo normal. Es decir, casi no se duerme profundamente y, por eso, existe un aumento en el grado de agotamiento.

Para navegar solo tienes que aprender a vivir diferente

Como se mencionó hasta aquí, el agotamiento es “un hecho” para el navegante solitario.
Por no dormir, por la soledad, por el cansancio físico, por la preocupación, por el desconocimiento de lo que está por venir, miedo, nostalgia, todo mueve todo el tiempo, los espacios son pequeños, entre muchas otras neuras, percepciones, emociones o preconcepciones.

Sin embargo, quien vive esta aventura tiene por premisa pensar que todo eso necesita y puede ser prevenido y que, si sucede, tiene que ser encarado como algo que puede ser resuelto o, al menos, gerenciado … no existe la actitud o el pensamiento negativo. No existe la premisa de que no se puede resolver. No existe la concepción de que se da por vencido. Todo. Todo se puede resolver con más o menos esfuerzo y con los recursos disponibles.

Todo debe ser siempre encarado de manera positiva. Es pensando positivamente que se trata con el agotamiento mental y físico y, con el tiempo, eso hace con que el navegante solitario se integre a su entorno y pase a descansar, relajarse y dormir; Al punto de formar parte del medio en que habita y, a partir de ese momento, pase a vivir bien, alegre, relajado y en armonía … todavía un poco cansado, pero bien.

Entonces, la manera de encarar las cosas cambia a tal punto que, su percepción de todo lo que sucede en su entorno, pasa a ser visto de manera positiva.

Ver las cosas con una actitud positiva, hace que las cosas negativas parezcan positivas.

Ejemplos: “muchas horas de soledad” (negativo) son para pensar y meditar (positivo), “problemas” (negativo) son situaciones para probar sus habilidades y conocimiento (positivo), “no tener internet” es tener la oportunidad de quedarse lejos de cosas que no agregan nada a su vida, “no tener a nadie para ayudar” sirve para que usted aprenda a ser auto suficiente, “no tener un restaurante cerca” sirve para aprender a cocinar y vivir una vida más sana, “estar lejos de la agitación de una vida en la ciudad” permite estar en contacto constante con el mar, con el viento, con el sol, la luna y las estrellas, “tomar una lluvia” es para refrescarse y lavar el alma a cada tanto, “dormir al relente” te permite conocer las estrellas … todo lo que es negativo pasa a ser complementado con percepciones positivas, percepciones que sólo quien se aleja de la ciudad y logra alcanzar una paz interior logra experimentar, del tipo: ser llevado por la fuerza del viento, experimentar el silencio, conocer lugares increíbles que casi nadie visitó, buceo con delfines y peces exóticos en corales deslumbrantes, poder nadar desnudo …

Cuando usted alcanza esa paz interior, sólo entonces, usted finalmente pasa a ser libre … así que me siento cuando navego solo.

¡Buenos vientos!

Max Gorissen

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