Velejar é uma experiência incrível que mexe com todos nossos sentidos

É difícil pensar em um esporte no qual nossa relação com o vento e o mar seja mais completa e prazerosa do que na vela.

Isso porque, ao velejar, nossa recompensa resume-se a alcançar o máximo desempenho para cumprir nosso objetivo usando apenas as forças da natureza.

Esse é um dos motivos que fazem da vela uma experiência única, intensa, emocionante, incrível.

Nosso desempenho demanda uma observação constante do vento e das ondas, que, ao serem confrontados com respostas apropriadas do leme e seu correspondente ajuste das velas, nos permitem avançar na direção desejada.

E tudo isso depende de reflexos coordenados por ações premeditadamente estabelecidas em nosso cérebro.

Este, ao ter entendido e memorizado os ajustes do veleiro para cada ângulo de vento, dá comandos para o ajuste das velas e da posição do leme. Então, ao usar o vento – essa força da natureza que ninguém consegue dominar –, o velejador integra-se a ele e sente-se vitorioso por usá-lo em seu benefício. E, como sabemos, a vitória é uma sensação de extrema satisfação mental.

Inserido nesse ambiente, esquecemos nossas preocupações, e nossas sensações se aguçam. Começamos a perceber de maneira muito mais intensa o tudo que está a nossa volta, como quando o vento passa rasteiro através das águas (vemos a diferença na coloração da superfície da água durante a rajada) e sentimos quando as velas “pegam o vento”, o casco aderna e começa a se mover, e percebemos o aumento da velocidade, como se uma mão invisível estivesse nos empurrando. É uma experiência maravilhosa!

Por do sol no mar após um dia de velejada – Foto: Max Gorissen

Contudo, velejar demanda total atenção e mexe com todas as suas capacidades. Os olhos “varrem” tudo no entorno, checando se as velas estão na posição correta, ao mesmo tempo em que se concentram nas ondas, nas lãzinhas que indicam a direção da rajada de vento, no enchimento, no bater e no contorno das velas, na posição da tripulação, nas outras embarcações e nas ilhas ou praias próximas. Os ouvidos registram o som das ondas, do vento, das velas e qualquer barulho no casco ou na mastreação. O tato imediatamente transmite ao cérebro diversas sensações, como se existissem sensores espalhados por todo o veleiro e conectados a você, mostrando qualquer mudança na direção ou na força do vento, na umidade do ar, no rumo do veleiro, na influência das pequenas marolas ou ondas batendo no costado, do casco respondendo ao vento ou às ondas e, até, se o veleiro está velejando solto ou não. Na vela, todas as suas capacidades são essenciais e precisam estar ajustadas com perfeição para aquele momento.

Por isso, é difícil menosprezar a intensidade da sensação que velejar provoca nas pessoas, porém poucas são as pessoas que terão a dádiva e o dom de sentir tudo isso.

Se você for uma delas, a recordação de uma dessas velejadas ficará viva por toda sua vida.

Bons ventos!

Max Gorissen

Editor SailBrasil e SailBrasil Magazine e Velejador.

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