Desafio Africa do Sul Cusco Baldoso – Soneca 2018 – Atualização diária.

 

Este artigo está sendo replicado/escrito, mantendo sempre o último relato/data no topo da página para facilitar a leitura… caso deseje ler o relato da viagem desde a sua primeira entrada (início da viagem), vá ao final desta página.

Caso deseje ler o relato no Blog da Cusco Baldoso, acesse o link: http://desafioafrica18.blogspot.com.br/

 

Fotografias da primeira semana.

Boas!

Temos cerca de  mil fotografias e algumas horas de vídeos.  Levará algum tempo para organizar tudo isso e segunda já começo a escrever o livro.  Mas, para ajudar quem nos acompanha a visualizar um pouco como foi nosso dia a dia a bordo, seguem algumas fotos, com legenda explicativa:
O Veleiro Soneca (Samoa 33) no cais da Marina Boreal, em Guarujá, no dia 05 de janeiro de 2018.
Juca Andrade, Alan Trimboli e José Spinelli Neto (Tio), segurando as bandeiras da Cusco Baldoso e da ABVC minutos antes da partida para Cape Town.
Tio.
Leila e Alan Trimboli.
05 de janeiro de 2018 – a última terra que vimos, por volta de 17h. Ilha Queimada Grande, no través de Itanhaém. Terra à vista, depois dessa, apenas no dia 12 de fevereiro, quase quatro mil milhas longe dali, na costa da Africa do Sul.
Primeiro conserto a bordo…
Tope da gennaker. Ao logo da viagem poucas coisas quebraram. O Soneca é um veleiro incrivelmente forte e o Tio é cpaz de consertar simplesmente qualquer coisa.
06/01/2018. Entramos no “deserto azul”. Uma calmaria de vinte horas nos deixou boiando, sem ter o que fazer a não ser contemplar. Eu me sentia dentro de algum fundo de tela do Windows.
Azul que não se mede. Dois mil metros de profundidade, a cerca de cem milhas ao largo de Paranaguá.
No dia seguinte ao deserto azul o pôr do sol não dava sinais que o clima iria mudar tanto em tão poucas horas. Era um trailer do que nos esperava.
A AVENTURA CONTINUA NA PRÓXIMA POSTAGEM… mas, a SailBrasil para por aqui… continue lendo em:  http://desafioafrica18.blogspot.com.br/

Chegamos!

Boas!

Nossa travessia terminou as 10h04 do dia 12/02/2018, com o Soneca atracado no Royal Cape Yacht Club (horário de Cape Town).

O Alan já está no Brasil; eu embarco hoje a tarde, via Angola e o Tio Spinelli já está preparando o barco para a perna de volta, com seus novos tripulantes: Tomas e Fabio.

Cape Town, a cidade, foi uma grata surpresa. Nas 48 horas que fiquei aqui, me apaixonei pelo clima , pelas paisagens e pelo calor humano sem igual. E, claro, em um lugar onde o vinho custa menos que a água, fica fácil fazer grandes gestos, em grandes cenários e dar um bordo na vida.

Essa travessia foi meu caminho de Santiago, mas sem a endorfina. Foi a coisa mais difícil que fiz, mas faria de novo, sem pestanejar.

Assim que eu estiver no Brasil postarei fotos e vídeos de nossa travessia.

O blog continuará até o final do projeto.

Que Deus proteja o Spinelli (com quem eu aprendi muito) e sua nova tripulação em seu retorno. A volta tende a ser mais tranquila e assim será.

Obrigado a todos pelo carinho, pela preocupação e pela energia positiva.

Confiram o vídeo a seguir e Vamos no pano mesmo: https://youtu.be/DDRFp45q5_E

 

Juca.

Dias 36 e 37 – O dia em que o cockpit virou jacuzzi

Boas!

Estamos a “apenas” 582 milhas de Cape Town. Na medida do possível mantemos nossa agulha no rumo 110 0 o mais direto que conseguimos para lá. Para quem já navegou 3400 milhas, 582 é ir só até ali.

Passamos vários dias de tempo muito bom, progredindo mais de cem milhas por dia.

Ontem o dia foi bem complicado. Ventos de NW, de 40 nós, com ondas de 3 metros na popa (até ai, tranquilo) e algumas esparsas de Norte, com 4 metros. Essas ficaram com a mania de estourar em cima do barco. O cockpit virou jacuzzi. Ficamos com medo de perdermos os painéis solares, pois as ondas varrias as targas.

Já havíamos pego mau tempo antes nessa travessia. Dia 16 de janeiro ainda foi pior. Não ouso dizer que nos acostumamos. Mas foi menos pior. Testamos várias configurações de plano vélico, até que descobrimos que sob 40 nós, o melhor é a mestra na terceira forra e só, sem trinqueta nem storm. O mar para de embarcar e os momentos de gravidade zero dentro da cabine somem.

Ninguém é o mesmo depois de passar por uma coisa dessas no Atlântico Sul. Tenho certeza disso.

Ainda assim a maior lembrança que eu levarei comigo não são desses dias de tormenta. Prefiro o azul do mar, em seus tons de variação infinita; o sol se pondo vermelho incandescente; os Albatrozes que nos seguem, imensos e sem bater asas e, principalmente, as “noites de planetário”, com a dança de Marte e Júpiter sob o atento olhar do caçador.

Nessas noites, ao final do meu turno, lá fora sempre vem à minha mente o final de uma versão da banda “Nenhum de Nós” para a música do David Bowie: “Vou chorar sem medo / vou lembrar do tempo / de onde eu via o mundo azul”. https://www.youtube.com/watch?v=ZmhSbgs5MCw

E vamos no pano mesmo!

Dias 32,33,34 e 35 – Cruzamos Greenwich!

Boas!

Estamos na reta final, se continuar ventando como ontem, a previsão de chegada será entre os dias 08 e 10.  O fogo é quando entra vento leste, em que temos que fazer aquele caminho de rato. Ou calmaria, aí não avança. No vento OESTE ou NOROESTE, como ontem, não conseguimos descer e estamos muito ao norte para aterrar em Cape Town. Ontem o dia estava lindo!
Ontem passamos por Greenwich às 5:03hs do Brasil. Eu filmei, mas não tinha nenhuma placa ou letreiro (decepcionante essa falta de sinalização! rs). Aqui é um imenso deserto azul. Lindo. Mas sem vida. A Lua está cheia e as noites têm sido deslumbrantes. Pena que não da para fotografar.
Estamos dando pouco Spot para economizar bateria pois chegamos naquela fase de racionar muita coisa. Mas hoje tomei um banhão e colocamos tudo para fora para secar e tomar sol.
E vamos no pano mesmo!

Dias 29, 30 e 31 – Hino da Travessia

Boas!

Por aqui mudamos de fuso mais uma vez. Agora estamos no fuso de Greenwich. No Brasil são 11hs e, aqui, 13hs. Estávamos seguindo para os turnos o horário do Brasil. Mas está estranho acordar como se fossem três da manhã e dar de cara com o sol nascendo. A partir de hoje usaremos o fuso local.

Estamos muito ansiosos por chegar. Em termos de navegação essa travessia é relativamente simples. Mas o desafio mental e psicológico é um Everest.

No dia 30, o comando do leme de vento quebrou. Foi um pouco desesperador pensar em ter que timonear. Mas o Tio pegou a esmerilhadeira e fez outro em apenas duas horas – nas quais eu fiquei no leme.

O Alan tem feito várias músicas. Temos até o hino oficial dessa travessia:

“Quanto rizo, oh/Quanta goteira, oh/Velejar para Cape Town não é brincadeira/
Vc navega caçando a vela a unha/ e nem vê tristão da cunha…”.

No desembarque estaremos bem ensaiados.

Na latitude 36º sul temos visto bastante navios. Passam perto, é inacreditável.

E é isso, vamos no pano mesmo!

 

Dias 27 e 28 – Tristão da Cunha

Boas!

No dia 27, por volta das 15hs, uma nuvem muito nervosa trouxe ventos de SW. Depois de meia hora, calmaria. Com algum custo convencemos o Tio a ligar o motor e seguimos por um tempo com ele ligado. Entrou um vento Sudeste, com ondas de 4m, seguimos a 5,4 nós, no rumo magnético de 90 graus.

A meteorologia prevê ventos mais favoráveis daqui em diante. Essa semana foi muito boa!

Hoje passamos a umas 60 milhas do norte de Tristão da Cunha.

Para quem não sabe, Tristão da Cunha está localizado no sul do Oceano Atlântico (-37º04’03”; – 12º18’41”) e é um dos territórios ultramarinos da Inglaterra. Sua capital é Edimburgo dos Sete Mares também considerado o único local habitado da ilha. Em 2016, a população da ilha era de 262 habitantes, até que bastante gente se considerarmos que a ilha é o local habitado mais remoto do mundo. A cidade mais próxima da ilha, localizada em área continental, é a Cidade do Cabo, nosso destino!!!

Curiosidades: A ilha foi descoberta em 1506, pelo navegador português Tristão da Cunha, que deu seu nome à ilha (muito original! rs), mas não pôde atracar no local pois a ilha é cercada por penhascos com mais de 600 metros de altura (preguiçoso, podia ter escalado! rs).

O primeiro “maluco” que foi morar lá permanentemente foi Jonathan Lambert, que chegou na ilha em 1810 (acho que estava precisando de um pouco de tranquilidade na vida), mas logo em seguida, em 1812, morreu num acidente marinho.

A comunicação da ilha com o “mundo exterior” se dá por meio de comunicação via satélite, sendo que na ilha há apenas uma estação de rádio (Tristan Broadcating Service) e um único jornal, o Tristan Times.

A fonte de renda externa de Tristão da Cunha é a venda de selos para coleção (sim, selos daqueles que colocamos nas correspondências), bem como a pesca de lagosta que são exportadas para o Japão e Estados Unidos.

Chega de curiosidades da ilha, vamos as ocorrências a bordo!

Hoje, perto da civilização (quer dizer, não muito perto, mas…) uma rede de pesca enroscou em nossa quilha, mas conseguimos nos desvencilhar dela após algumas manobras.

A navegação está tranquila, embora um pouco desconfortável.

Todos bem a bordo!

E vamos no pano mesmo!

 

Dias 23,24 e 25 – Meteoro

Boas!

 

Por aqui está tudo bem. Muito sol e vento relativamente a favor.

Descemos para 34S e não planejamos subir mais.

Sábado devemos passar no través de Tristão da Cunha, mas não creio que a avistaremos. A prioridade é chegar em Cape Town.

Dos 600 litros de água, gastamos apenas 100. Temos comida para mais três meses, sem racionar.

Já gastamos dez horas de motor, sendo duas na saída de Guarujá e o restante apenas para aquecer água de banho. O Tio toma banho todo dia, o Alan dia sim, dia não e eu já tomei uns três banhos.

Ontem mudamos o fuso pela segunda vez. Agora são duas horas a mais que no Brasil. Seguimos, porém, o horário do Brasil para nossas atividades.

Não pegamos no leme desde as duas primeiras horas, ainda em Guarujá. Ainda bem, porque com mar grande é impossível ficar lá fora.

Ontem o Alan viu um meteoro que chegou a iluminar o mar! Sentirei falta dessas noites de planetário.

No mais, todos bem. Já-já a gente chega em algum lugar, rs.

 

E vamos no pano mesmo!

Dia 22 – Sol!

Boas!

O dia amanheceu como há algum tempo não amanhecia: com  sol!

Aproveitamos para por tudo para secar e, também, vedar com sikaflex algumas goteiras que nos dias de ondas altas acabam com a gente.
O vento está bem, bem ruim, de leste e bem fraco. Como ele estava nos levando de volta para o 29 S, aproveitamos para descer para os 32 ou 34S entre hoje e amanhã.
Como não encontramos o W quando estávamos la embaixo (e lá nos 43S não estamos muito a fim de ir – explico depois), estamos na zona de ventos variáveis. Como o nome indica, é um leão por dia. O ânimo as vezes cai, confesso. Mas por causa do tal do calendário. Hoje era dia de voltar para o escritório e não sei quando volto. Isso é ruim.
No mais está tudo bem por aqui. Todos com saúde, um pouco mais magros e com muitas saudades das nossas meninas.
E vamos no pano mesmo!

Dia 20 – Quem manda por aqui?

Boas!

Nos demos bem aqui pela latitude 31S. Ventos sempre favoráveis e com força.

Dia 18 o Soneca bateu seu recorde de singradura em 24hs: 163 milhas. Ontem fizemos 167. A de amanhã será menor, mas ainda dentro da meta de 120 milhas dia.

Nosso objetivo agora é ir descendo de novo, progressivamente, até 34 ou 35S.

Por volta das 20:00hs de hoje, eu estava dormindo enquanto o Alan e o Tio tricotavam. Entrou do nada 40 nós. Panos todos em cima. Fomos os três lá fora baixar a mestra, enrolar a genoa e subir a trinqueta.

É o Atlântico nos lembrando quem manda por aqui.

Todos bem a bordo.

E vamos no pano mesmo!

 

Dia 19 – Depois da tempestade vem a bonança… e um monte de hematomas

Boas!

Como vocês sabem, dia 16 fomos pegos por um mau tempo que fez a gente repensar nossos conceitos sobre esse assunto. Viramos um submarino em ondas de 5m. São muitos hematomas para contar essa história.

Nosso rumo norte foi uma guerra para não perder nossa longitude. Foi o rumo mais a leste que conseguimos. Acabou como nossas forças. Fora o medo, rs. Para ajudar, havia um aviso da Marinha para ventos de força 11 na nossa posição (por sorte essa tormenta foi para SE).

Ontem entramos numa faixa de ventos favoráveis e o barco está andando bem e para leste de novo.

ETA 07/02/2018 Cape Town.

Todos bem de saúde e de bom humor.

E vamos no pano mesmo!

 

Dia 18 – Nova Rota

Boas!

Estamos indo para NE pois há previsão de ventos de W por lá.

Pela nova rota, passaremos trezentas milhas ao norte de Tristão da Cunha. Estamos chegando em 31S e o GRIB nos diz que lá tem vento bom.

Agora o mar baixou, mas tivemos dias bem difíceis por aqui. Nunca vi tanta fúria.

Atrás da gente tem quase um furacão…força 11.

Todos bem a bordo!!!

E vamos no pano mesmo!

Dias 16 e 17 – Tempestade

Boas!

A tempestade dos últimos dias está fazendo o barco apanhar muito, ondas de 5 metros e tudo voando a bordo. Todos com muitos hematomas, rs.

Pior, não conseguimos tocar para leste.

Todos bem a bordo!

Dia 15 – Trancados na Cabine

Boas,

A segunda porranca da travessia chegou hoje pela manhã.

Ventos de NW, com seus 30 nós e mar de 3 metros.

Todos recolhidos dentro da cabine.

Mestra no terceiro rizo e trinqueta.

Mudamos de fuso, aqui agora é uma hora a menos.

Eu faço o turno das 21h às 0h; Alan faz turno entre 0h e 3h e o Tio faz das 3hs às 6h, horários de Ubatuba.

Dormimos pelo menos seis horas por noite. Fora as sonecas diárias…

Todos com dor de barriga de tanto rir das bobagens e causos contados a bordo.

Até às 20:19hs de hoje, já percorremos aproximadamente 1.263 MN.

Em vermelho, rota percorrida; em amarelo, rota projetada.

Posição SPOT às 20:19hs.

Todos bem a bordo!

Saudades!

 

E vamos no pano mesmo!

Dia 14 – Um brinde ao Leste

Boas,
Aqui estamos muito alegres pois finalmente estamos indo para leste, ou seja, para a África. Ontem fizemos um brinde de whisky com cappuccino (bebida de todas as noites): ao leste!
As noites tem sido espetaculares. O céu fica iluminado pelo brilho das próprias estrelas, mesmo sem a lua.
Estamos aproveitando os conhecimentos do Tio em astronomia e fazendo sessões de planetário. Marte está alinhado com Júpiter de uma forma tal que eles parecem um só. Surgem bem na nossa proa, lá pela uma da manhã e fica até as cinco, na nossa cruzeta. Esses são um daqueles momentos da vida que sabemos ser especiais. Bebemos tudo isso de canudinho.
Palavras me faltam para descrever tanta beleza.
Esfriou e deve esfriar mais, pois dia 16 temos previsão de festa de 40 nós.
Todos com saudades e bem.
E vamos no pano mesmo!

Dia 13   

Boas,

Até às 16:25hs, percorremos aproximadamente 982 MN, aproximadamente 4,9 MN/h.

 
Em vermelho, rota percorridas até as 16:25hs. Já, em amarelo, rota projetada.

No dia 16, há previsão de ventos fortes, com previsão de ondas de 3,4m, com ventos de até 30 nós e rajadas que poderão chegar em 40 nós. Ventos e ondas vindos da mesma direção.

Todos bem a bordo!

E vamos no pano mesmo!

Dia 12 – Uma semana no mar

Boas,

Hoje completamos uma semana no mar.

Por aqui estamos indo mais lento que o esperado. Pegamos mar muito alto nos primeiros dias, mas depois acalmou bem. Na verdade acalmou demais.

Agora esperamos ventos de OESTE para seguir direto para Cape Town. Nossa previsão é de mais 25 dias no mar. Precisamos desesperadamente de ventos favoráveis. Façam seus contatos aí com São Pedro.

Acho que vamos descer até o paralelo 36S em busca de vento OESTE.

Nossa casa está bem organizada e já temos uma certa rotina. Ao contrário do que eu imaginava, os dias passam bem rápido e não são monótonos. Até ler está difícil.

Estamos sempre ocupados com alguma coisa importante. O leme de vento toca o barco, não pegamos no leme nada além do que as duas primeiras horas, na saída de Santos.

É impossível descrever a beleza das paisagens que temos visto. Cada pôr do sol é um sonho e as estrelas…UAU!

Ontem esfriou bastante por aqui…até peguei as meias que estavam na mala.

E vamos no pano mesmo!

Dia 11

Boas,

Até às 22:40hs, percorremos aproximadamente 770 MN, aproximadamente 4,9 MN/h.

 Rota percorrida até as 22:40hs:

 

 

Plano de navegação com melhor aproveitamento dos ventos em que ponto 1 = posição 11/01, ponto 13 previsão em 24/01 – Tristão da Cunha.

Visão do vento em 21/01

 Percurso estimado 1592MN, média 122MN/dia 5,10MN/h

Todos bem a bordo!

 E vamos no pano mesmo!

Dia 10 – Manda Presunto!!!

Boooooooas,

Escrevo de 31º11.875 S – 45º54.224 W, já fora de águas territoriais brasileiras. Abaixo de nós há 3.444 metros de água.

Nossa descida até aqui foi com contravento de trinta nós médios e mar de três metros. Vamos com grande no terceiro rizo e trinqueta. Depois de algumas milhas sentimos falta de potência na proa, então abrimos 70% de genoa, mantendo a trinqueta.

Hoje, após 60 horas de orça apertada (e duas quase colisões com o MSC Musica e com o Costa Fascinosa), o vento finalmente rondou para NE e seguimos no rumo 165M num través glorioso e com o barco reto! Devemos seguir mais dois dias nesse rumo – mas aqui nada é certo.

Não temos como descrever as paisagens que temos visto…

O sol abriu e estamos arejando a casa e secando o que estava molhado. Os albatrozes estão sempre por perto. Durante as horas de orça ficamos confinados na cabine, pois a cada cinco minutos uma onda lavava o convés.

O clima a bordo está excelente, com muitas piadas e a comida é de primeira. Hoje acabou o presunto.

Devemos seguir até o 34S para adotarmos um rumo mais direto até Tristão da Cunha, onde estimamos chegar lá pelo dia 22 de janeiro.

O Alan já está dormindo melhor.

Tio já não fala tão baixo, rs.

O Canto do Senegal toca a cada segundo na minha cabeça, rs.

Bons ventos!

E vamos no pano mesmo!

 

Dia 09 – Aprumando

Boas,

Às 22:40hs de ontem (08/01/2018), cruzamos o Cabo de Santa Marta.

Depois de 44 horas de contravento, amanhã cedo o vento deve rondar e a vida a bordo deve ficar menos inclinada. Tentaremos começar a ganhar longitude.

Temos comido bem.

O Tio está mais relaxado, apesar das pancadas que o Soneca leva quando cai das ondas.

Alan tem dormido mal.

Troquei de cama  com ele hoje e ele está mais fixo no colchão.

Eu passei perto da Alice hoje – Saudades.

Todos bem e muito animados!

Excelente clima a bordo.

Dia 08 – Primeira Tempestade

Boas,

Todos bem a bordo.

A primeira tempestade chegou dia 7 de madrugada.

Contravento muito difícil, mar grande e 30 nós.

Estamos animados!!!

Hoje até às 20:32hs, percorremos  aproximadamente 370 milhas.

Às 20:30hs, no Través de Laguna, estávamos com vento de aproximadamente 21 nós.

E vamos no pano mesmo!

 

Dia 07 (domingo) – Mudança de Rumo

Boas,

Até às 21:33hs (ponto 53 do Spot*), percorremos aproximadamente 238 milhas.

* As posições do Spot foram alteradas no aplicativo. Considerar posições da planilha e tabelas como duas a mais do que a prevista no Spot. Ex: 51 Spot, 53 planilha.

Mudamos o rumo ao longo do dia para fugirmos dos buracos de vento.

Projeção de rota até 15/01/2018, considerando as condições climáticas para os próximos dias.

Todos bem a bordo!

E vamos no pano mesmo!

Dia 06

Boas,

Todos bem a bordo!

Excelente velejada até Paranaguá.

Depois, calmaria. Céu azul se fundindo com o mar. Lindo.

Após 15h, seguimos rumo 145M.

 

E vamos no pano mesmo!

 

Dia 05 – Guarujá – Sul

Boas, Partida da Marina Boreal às 6:40hs, seguindo o rumo magnético 210º.

 

Até às 22:08hs (ponto 33 Spot), aproximadamente 90,5 milhas percorridas.

Planilha Estatística:


 

Dias 02, 03 e 04 – Ubatuba – Guarujá

Boas,

A partida foi perfeita, mas nos ensinou para que servem viagens teste: para quebrar aquilo que não quebraria na viagem oficial.

O Soneca saiu de Ubatuba na vela, desde a poita.

Ao chegar próximo a Ilhabela, o vento miou. O Spinelli ligou o motor e… nada!

O motor de arranque, novinho, não dava nem sinal de vida.

Voltar para Ubatuba e pegar outro. Falar é fácil… Foram 17 horas para fazer menos de vinte milhas.

Ontem, 03 de janeiro, com dois arranques novos a bordo, partimos novamente. Vento noroeste inconstante. Seguimos no motor por dentro do canal de Ilhabela. A entrada no canal pela Ponta das Canas foi um belo desafio: ventos de 30 nós, “na cara” e corrente de dois nós contra (sem contar a chuva muito volumosa).

Chegamos na Marina Boreal – a quem desde já agradecemos o apoio pela acolhida (obrigado, Elisângela!) às 7h30 e terminamos de arrumar as coisas. Nosso próximo waypoint deve ser alcançado após três dias navegando a partir da baia de Santos no rumo magnético 190º, o que nos colocará a 360 milhas da costa, na altura do Rio Grande do Sul. As comunicações devem ficar mais precárias a partir de hoje, pois em algumas horas perderemos o sinal de internet como o conhecemos em terra… E vamos no pano mesmo!

 

DIA 01 – Ubatuba – Guarujá

Partimos!

A primeira perna será entre Ubatuba (Saco da Ribeira) e Guarujá (Boreal). Essa primeira perna, de apenas 80 milhas náuticas, tem por objetivo testar o barco antes da segunda perna (entre Guarujá e Tristão da Cunha) – essa um pouquinho mais longa.

Nos dias anteriores fizemos a saída do barco na Capitania dos Portos e da tripulação na Polícia Federal.

A segunda perna deve começar amanhã, 02 de janeiro, ao meio dia, a partir de Guarujá.

A previsão do tempo indica para o dia 03 de janeiro ventos favoráveis de N/NW, com 40 nós. Vela de tempestade logo no segundo dia, ao que tudo indica.

Devemos deixar as águas territoriais brasileiras em cerca de dois ou três dias.

Fotografia: Elson Mucuripe.

 

O bom marinheiro sabe que ele nunca venceu a tempestade;  foi o mar que o deixou passar. Que os deuses do vento e do mar nos permitam uma travessia segura. “Senhor Nosso Deus, protegei nosso barquinho, tão pequeno diante do Teu mar”.

E vamos no pano mesmo!

 

Nosso caminho até a Cidade do Cabo…

Boas, Na escola aprendemos que a menor distância entre dois pontos é uma linha reta.

No mar e à vela, isso não é bem assim.

A derrota direta entre Ubatuba e a Cidade do Cabo nos colocaria em uma área de ventos e correntes contrárias. Não seria impossível fazer em orça apertada (velejar contra o vento), porém o barco (e a tripulação) seriam forçados em demasia. Gentlemen don´t sail up wind. Alem disso na superfície da Terra é impossível andar em uma linha reta verdadeira, já que o planeta é curvo.

O caminho que iremos percorrer no mar foi muito estudado. No planejamento utilizamos a experiência do Philippe Gouffoun, que fez essa travessia em um 32 pés, saindo de Angra e que forneceu muitos dados relevantes. O Phillipe tem um blog onde relata suas travessias: https://veleirokilimandjaro.wordpress.com. Não temos como, mais uma vez, agradecer a ele. De toda forma, obrigado, obrigado e obrigado.

Além disso utilizamos as informações trazidas no livro do Jimmy Cornell, World Cruising Routes.

Por fim utilizamos o programa Route Planner. Esse programa utiliza as informações das cartas piloto (que trazem informações sobre a predominância da direção e intensidade dos ventos) em cada trecho, além da previsão do tempo, para indicar qual caminho possui as condições mais favoráveis.

A distância a ser navegada é de cerca de 3.850 milhas náuticas, ou um pouco mais que 7 mil quilômetros (1 milha náutica = 1.852 metros). A data de partida permanece dia 01/01/2018, a partir do Saco da Ribeira. E vamos no pano mesmo!

“- Tio, vamos para a África do Sul?”

Boas,

Em julho de 2017 eu liguei para o José Spinelli Neto, curto e grosso: “- Tio, vamos para a África do Sul?”.

E foi assim que depois de quase seis meses, o veleiro Soneca está pronto para se soltar da poita em Ubatuba/SP (Saco da Ribeira) com destino à Cidade do Cabo.  No final de setembro juntou-se a nós nosso amigo Alan Trimboli. Desde então o pessoal anda por ai contando a piada do advogado, do engenheiro e do médico que entraram num veleiro e foram para a África do Sul…

Brincadeiras a parte, nós e o veleiro passamos por uma intensa preparação. Instalação de equipamentos, revisão de equipamentos, itens e procedimentos, estudo das derrotas possíveis, meteorologia, check ups médico e odontológico, vacina contra a febre amarela (mandatória para a entrada na África do Sul). De todas as etapas a mais complicada foi, porém, … a comida!

Temos que levar a bordo comida para a ida e para a volta, além de uma reserva, para toda a tripulação. É muita coisa.

Usamos um sistema de conservas de alimentos em potes sem refrigeração. Conseguimos levar, assim, frango xadrez, carne assada, filé mignon e outras iguarias. A preparação dessas refeições, porém, é bastante exaustiva e por isso acredito que a primeira pessoa, das dezenas que nos ajudaram nesse projeto, é a Cecília, esposa do Tio, que passou dias cozinhando e fervendo nossos potes.

Outro desafio é a água doce. O Soneca tem capacidade para seiscentos litros de água em seus tanques, o que para a tripulação da ida dá duzentos litros por pessoa. Nessa travessia em barcos do mesmo porte a média tem sido de cem litros por pessoa.

O Soneca é um Samoa 33 pés, projetado por Roberto Mesquita Barros (o Cabinho) e construído pelo próprio Spinelli, ao longo de onze anos. É um veleiro robusto e muito testado, absolutamente seguro e adequado para essa travessia Nossa expectativa é de trinta dias de navegação, o que se mantivermos uma média de velocidade de cinco nós é algo bastante razoável.

Este blogue tem como objetivo específico relatar o Diário de Bordo da expedição. Teremos acesso à internet a bordo (ainda que de um jeito que lembre as jurássicas BBS) e o plano é enviar relatos diários, ainda que sucintos, de nosso progresso e eventos a bordo – tudo o que couber em apenas cento e vinte caracteres.

Nossa viagem pode ser acompanhada, também, através do SPOT da tripulação, clicando em um dos links abaixo:

http://share.findmespot.com/shared/faces/viewspots.jsp?glId=04WqrW7ssVt6HtTteQu77oKuaNBtLgyO6

http://share.findmespot.com/shared/faces/viewspots.jsp?glId=0uTjrkv3BEmZTs52R0qATpMEzdhc1ORd7

http://share.findmespot.com/shared/faces/viewspots.jsp?glId=0eo83rfUZf1lXNYJUruAqjXgXVRV1YEkU

 

O Desafio África do Sul 2018 Cusco Baldoso – Soneca é realizado pela Cusco Baldoso Experiências em Vela Oceânica, com o apoio de:

  • ABVC – Associação Brasileira de Velejadores de Cruzeiro
  • Almanáutica
  • SailBrasil
  • Pharmácia Essencial (São Bernardo do Campo/SP) Grupo Terapia (Whatsapp)
  • Marina Boreal (Guarujá/SP)

 

  • Alexandre Dangas
  • Claudio Renaud
  • Cesar Pastror
  • Christiane Coimbra
  • Eduardo Colombo
  • Gabriela Paraty
  • Jardel Itocazo
  • Júlio França
  • Mauro Pascotto
  • Max Gorissen
  • Philippe Gouffon
  • Ricardo Allegretti
  • Ricardo Amatucci
  • Rodrigo Gouvêa
  • Thais Antonelli
  • Vagner Georgette Jr.
  • Vinicius Maciel
  • Wagner Neugebauer
  • Walnei Antunes
  • Walter C. Gudayol

 

Além de ler sobre nossa viagem você também pode aprender a velejar ou participar de expedições como esta. Para mais informações sobre cursos e atividades, acesse nosso site – www.cuscobaldoso.com.    

E vamos no pano mesmo!

 

Juca Andrade

Capitão Amador

Os textos, fotos, print-screens e vídeos aqui reproduzidos são de propriedade da Cusco Baldoso Escola de Vela Oceânica, tendo sido reproduzidos a partir do Blog da viagem (http://desafioafrica18.blogspot.com.br/) pela SailBrasil com autorização dos autores.

Cusco Baldoso Escola de Vela Oceânica

Descrição Cursos e treinamentos em vela oceânica.
Telefone 13-99790-8175
Cidade Guarujá/SP
País Brasil
Site www.veleirobaldoso.blogspot.com.br
E-mail cuscobaldoso@gmail.com
Latitude 20º 30′ 99,99999″ S
Longitude 45º 6′ 99,99999″ W
Contato Juca Andrade

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