Veleiro Fast 230 (Fast Yachts) / Vega 23 (Golden Náutica) / Barracuda 23 (Barracuda Náutica)

Nos anos 80, a faixa dos então chamados “ocean-racers”, veleiros entre 20 e 30 pés, aumentou no Brasil com um novo modelo de sucesso comprovado no exterior, o veleiro Vega 23, do projetista Tony Castro (então campeão mundial da classe One Tonner).

O Vega 23, construído em série no Brasil pela Golden Náutica de propriedade do Sr. Pedro Pena Franco, conhecido por todos como Pepe, apesar de servir para pequenos cruzeiros, já que foi concebido com uma boca mais larga e uma cabine com quatro beliches, foi desenvolvido para as regatas, onde se conseguia seu melhor desempenho.

Apesar de na época possuir um peso maior que os barcos de sua classe, mesmo assim, era extremamente rápido, pois, Tony Castro, seu projetista, tirando proveito das novas regras da classe IOR (International Offshore Rule), diminuiu a popa em pouco mais de um pé (0,3048 metros), além de conceber um casco que aproveitava ao máximo os benefícios das novas especificações da IOR.

Na época, os barcos tiveram seu molde produzido pela firma Inglesa Fairweather Marine e foram construídos em fibra de vidro em cabine com umidade controlada.

O sucesso do Vega 23 levou a Fast Yachts, na época de propriedade do Sr. Gil de Souza Ramos, a adquirir os moldes e a produzir este veleiro projetado por Tony Castro.

O nome adotado pela Fast Yachts foi Fast 230, seguindo a nomenclatura do estaleiro, sendo o mesmo nome usado nas versões Standart e Regata do estaleiro.

Quando o estaleiro Fast Yachts parou a fabricação do Fast 230 no ano de 1988, este vendeu a forma ao estaleiro Barracuda Náutica, que aparentemente não usou o molde e sim produziu uma cópia modificada feita a partir do casco de um FAST 230. A Barracuda construiu alguns exemplares do Barracuda 23 de 1989 a 1994.

O veleiro fabricado pela Barracuda possuía um interior mais simples, com várias modificações no convés, principalmente a “nova” plataforma de popa e o paiol de proa.

Com o fim das operações da Barracuda, quem comprou o molde do casco do Barracuda 23 foi o estaleiro Paturi, de Ubatuba (SP), que passou a fabricar este veleiro, só que com uma qualidade inferior, com o nome Paturi 23.

Na época, o casco era inovador tanto na sua forma quanto na sua construção.

 

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Características técnicas

Estaleiros: 

  • Golden Náutica Ltda. – Belfort Roxo – RJ
  • Fast Yachts Ltda. – São Paulo – SP
  • Barracuda Náutica – São Paulo – SP
  • Veleiros Paturi – Ubatuba – SP

Período de Produção no Brasil: ?

Classe: Originalmente para a classe IOR e hoje pela IMS ou pela RGS

Armação/ Tipo: Sloop / Regata ou Standard (cruzeiro)

Projeto: Tony Castro (www.tonycastroyachts.com)

Desenho: ?

Material do casco: Fibra de vidro

Categoria: Mar aberto

Motorização: Motor de Popa de aproximadamente 9 HP de potência

Propulsão: Popa

Tripulantes: 4

Pernoite: 3 pessoas (não dá para colocar 2 pessoas na cama de proa)

Comprimento: 7,05 m

Linha d’água: 5,58 m

Boca: 2,50 m

Calado: 1,40 m

Área vélica (Mestra e Genoa): 25,55 m²

Área vélica (Balão): N/D

Deslocamento: 1.050 kg

Lastro: 420 Kg

Tanque de água: 38 litros

Ferragens: ?

Catracas: ?

Acesse aqui o manual de fábrica: manualFast230

 

Como Navega

O Fast 230/ Vega 23 anda bem principalmente em mar de ondas curtas e nos ventos de popa e través.

 

Casco e Deck

As linhas do casco do Vega 23/ Fast 230 são muito harmoniosas e sua popa lançada lhe confere um aspecto de barco rápido, típico dos “ocean-racers” da época.

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Seu cockpit, auto-esgotante, é suficientemente amplo para acomodar confortavelmente quatro pessoas, liberando o timoneiro, que fica à ré do traveller da vela grande.

Ainda no cockpit, dois paióis com tampa facilitam a organização.

As principais mudanças na versão Regata, em relação à versão Standart, ficam por conta da quilha em formato elipsóide de chumbo, contra formato reto em ferro, e do mastro que possui duas cruzetas e é em formato de cone.

Fast 230 - Leme - Max Gorissen

O leme do Fast 230 é de fibra de vidro, com eixo em inox.

Os guarda-mancebos também são de aço inox, de altura adequada e com hastes em alumínio. Os púlpitos são de inox, sendo que o de proa é dividido ao meio, facilitando o acesso ao barco.

O suporte para o motor de popa, que é o tipo de motorização indicada pelo estaleiro, suporta um motor de aproximadamente 9 HP de potência.

 

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Plataforma de popa aberta do Barracuda 23 de nome Swan III, o que facilitou o uso do motor de popa.

Interior

O interior do Vega 23/ Fast 230 é bem dimensionado, iluminado e com uma engenhosa distribuição que permite um excelente aproveitamento de espaços.

Uma gaiúta de ventilação localizada avante do mastro facilita a iluminação da cabine. Já a gaiúta principal, corrediça, em fibra de vidro, com veneziana em madeira, garante uma boa passagem e uma ótima ventilação para o seu interior.

Fast+230-planta2-Max

Na proa, separada por duas anteparas simétricas, há uma cama de casal com espaço aberto em baixo, junto ao pé do mastro.

Separando a cabine principal da de proa, situa-se a bombordo um vaso sanitário que pode ser químico ou hidráulico e, a boreste, uma pia com bomba manual e tampo de madeira que serve como mesa de navegação.

Como complemento opcional do sistema hidráulico, podia ser encomendo um tanque de água com 50 litros, torneira e chuveiro no cockpit, pressurizados.

Na cabine principal há dois amplos beliches que compõem o ambiente e, debaixo da gaiúta de entrada, existe uma geladeira (era opcional) com capacidade de 50 litros que pode ser removida, facilitando o transporte de perecíveis para o barco. Uma prateleira rebatível, por baixo do acesso comporta um fogão de duas bocas e forno.Vega

 

Interior do Barracuda 23

O veleiro Barracuda 23 é mais simples por dentro, mas as camas são maiores… observe nas fotos abaixo que a cama de proa passa o apoio de fixação do mastro. Ali dormem um casal tranquilamente. As camas laterais não vão para debaixo do cockpit, como no Vega 23 e no Fast 230.

Além disso, o Barracuda 23 não tem móveis laterais e tem a mesa desmontável no meio,  atrás do mastro.

Essas são basicamente as diferenças internas entre o Barracuda 23 e os veleiros mencionados.

 

Mastreação

Todas as escotas e adriças são direcionadas ao cockpit, facilitando as manobras. O barco tem duas catracas tamanho 7 e quatro stoppers no teto da cabine.

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O equipamento do spinnaker é opcional, o traveller da vela grande, o trilho e o carrinho são de alumínio, sendo que os moitões das escotas deslizam sobre trilhos de alumínio de uma polegada.

O estaleiro oferecia ainda como opcionais os stays volantes em inox, com chicotes em cabo sintético e dois moitões.

Especificações do estaiamento: fast230estaiamento1

Especificações dos cabos: fast230cabos

 

Detalhes

Com base no veleiro Catavento, tirei uma série de fotos do exterior deste veleiro e apresento aqui para demonstrar os detalhes do Fast 230. Veja a seguir:

 

 

Estaleiro

O Fast 230 (Fast Yachts), inicialmente chamado de Vega 23 (Golden Náutica) foi construído pelos seguintes estaleiros no Brasil:

 

Fast Yachts

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Material de marketing do Fast 230 – Copyright Fast Yachts.

Nos anos 1980, o Sr. Gil de Souza Ramos comprou o estaleiro Fast Yachts. Junto com seu filho Eduardo Souza Ramos, mantiveram a fábrica por alguns anos, contudo, o negócio de fabricar veleiro fugia muito do negócio principal da família, que eram os automóveis e assim acabaram encerrando as atividades da fábrica. Os moldes foram vendidos.

 

Golden Náutica

De propriedade do Sr. Pedro Pena Franco, conhecido por todos como Pepe ficava na Av. Carvalhais, 350, Belfort Roxo – RJ

 

Barracuda Náutica

Quando o estaleiro Fast Yachts parou a fabricação do Fast 230 no ano de 1988, este vendeu a forma ao estaleiro Barracuda Náutica, que aparentemente não usou o molde e sim produziu uma cópia modificada feita a partir do casco de um FAST 230. A Barracuda construiu alguns exemplares do Barracuda 23 de 1989 a 1994.

O estaleiro Barracuda Náutica se mudou do Rio de Janeiro para São Paulo, Rua Samarinda, 130 B – Vila São José – São Paulo – SP, onde deu continuidade à construção do veleiro Aladim 30 até o encerramento das operações.

Veleiros Paturi

Com o fim das operações da Barracuda, quem comprou o molde do casco do Barracuda 23 foi o estaleiro Paturi, de Ubatuba (SP), que passou a fabricar este veleiro, só que com uma qualidade inferior, com o nome Paturi 23 e que, na época, custava R$ 22.000,00. Outros veleiros deste estaleiro eram o Paturi 16 e o Paturi 28.

 

Matérias da época

Veja algumas matérias da época… todos possuem Copyright de seus autores/ publicações.

 

Veleiros conhecidos (se faltar algum nos avise!)

  • Musashi (ex. Boomerang)
  • Gaia III
  • Caleuche – BRA 108
  • Camonia
  • Catavento
  • Corda Bamba
  • Coxinhas – Ano 1987 – BRA 3582
  • Enza
  • Feiticeiro
  • Freedon II – BRA 1631
  • Kamikaze II
  • Khamnsin
  • Lady Babs
  • Letom
  • Luna
  • Manic
  • Serelepe
  • Rabbit
  • Sirroco – BRA 1954
  • Tao
  • Tatuí
  • Taturana
  • Utopia – BRA 2507
  • Paturi – BRA 777
  • Magia – BRA 2176
  • Biguá – BRA 1239
  • Prado – BRA 1079
  • Lung Tá – BRA 1020
  • As Ostras
  • Paraguaçu – BRA 1881
  • Emotion II – Ano 1986
  • Pitanga St. – Ano 1994
  • Mais Bakanna ou +Bakanna – Ano 1987 – BRA 3588
  • Boreal II – Ano 1990
  • Quicker – Ano 1986 – BRA 3611
  • Charade – Ano – 1987 – BRA 2199
  • Alinhado II
  • Bicho Bom
  • Fomalhault – BRA 1145
  • Rapunzel II – BRA 1147
  • Crustace – BRA 3543
  • Sepé
  • Comandante Bá – BRA 1754
  • Sedna – BRA 1842
  • Yellow Fox – BRA 3232
  • Inti Raimi – BRA 1240
  • Wayan – BRA 3041
  • Zua – BRA 1101
  • Mephisto – BRA 1205
  • Voluí – BRA 1698
  • Uay ou Uai
  • Galileo
  • Felipe I – BRA 1291
  • Kurumí – BRA 3333
  • Mixuruca Nit – BRA 3334
  • Monforte – BRA 313
  • Xilique – Ano 1984
  • Swan III – Ano 1989 (Barracuda 23)
  • Yellow Fox

 

Estas são fotos que me foram enviadas por seus proprietários para postar na SailBrasil.com.br. O crédito está descrito na maioria das fotos. Caso não esteja e for uma foto de sua propriedade, favor enviar seu nome para que possa destacar o crédito da foto.

 

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Contribuíram para esta matéria com informações ou fotos: Newton Ferreira

 

SailBrasil: O bom e velho veleiro

Desde o seu lançamento, a SailBrasil desenvolve um conteúdo focado no que interessa aos 99% dos velejadores e proprietários de veleiros… sim, você, que aproveita sempre que pode para velejar no seu veleiro, que tenta realizar a maior parte das manutenções, que está sempre em busca de como melhorar a sua velejada ou o seu veleiro e que busca inspiração em outros velejadores.

Sim, você, que como eu, possui e mantém um veleiro de cruzeiro ou de regata um pouco mais “antigo” … o “Bom e velho veleiro”.

ORM-Max

Como você sabe, hoje, a grande maioria dos veleiros que estão em uso no Brasil não são novos, assim como também, a grande maioria dos velejadores hoje no Brasil não está pensando em comprar um veleiro novo… a grande maioria, hoje, se for comprar um veleiro, este será um veleiro usado… o “Bom e velho veleiro”.

Como sei que é muito difícil no Brasil encontrar informações sobre os diversos “antigos” veleiros produzidos em algum momento pela indústria nacional, decidi criar uma nova categoria na SailBrasil na qual vamos nos concentrar em pesquisar, identificar, compilar e disponibilizar as informações de “todos” (os que pudermos identificar) os veleiros já produzidos em série no Brasil.

Sim, são muitos modelos e, como tudo no Brasil, não existe registro disponível ou de fácil acesso… então… vamos ter de ir devagar… curtindo a viagem… conversando, pedindo informações e trocando ideias com a comunidade da vela… como um velejador que, pacientemente, aproveita os ventos para chegar ao seu destino.

Com esta ação, a SailBrasil segue seu objetivo de disponibilizar informações para que você possa:

  • Estar atualizado com o que acontece no mundo da vela;
  • Conseguir as informações de que precisa para construir, reformar, manter ou melhorar seu veleiro/velejada;
  • Prover um lugar onde velejadores de recreação possam encontrar informação e dicas para cruzeirar ou competir no Brasil.

Veja os veleiros que já estão disponíveis no menu principal na categoria “Bom e velho veleiro” e, se algo faltar ou encontrar algo errado, entre em contato no e-mail gorissen @sailbrasil.com.br e nos informe para que possamos realizar a correção.

Também ficamos muito felizes se apenas escrever umas linhas de incentivo…

 

Bons ventos!

 

Max Gorissen

Veleiro Gaia 1 – F&C 40 – 1987… o “Bom e velho veleiro” … 😊

Velejador, escritor, editor… nessa ordem

 

 

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