Veleiro Guanabara

Os dois primeiros veleiros da classe denominados de GUANABARA, foram construídos em Hamburgo-Alemanha pelo construtor naval Friederich Heuer, que também fez seu projeto, e importados para o Brasil chegando aqui em 1936 com os nomes Flanenlob IV e Sênior (posteriormente, os nomes foram trocados por Itapacis e Itaicis, respectivamente).

A chegada destes veleiros ao Brasil veio da encomenda de Walter Heuer, alemão naturalizado e primeiro velejador naturalizado brasileiro a participar de uma olimpíada (Berlim – 1936) que, no ano de 1935, pediu ao irmão para produzir o desenho de um veleiro com bolina retrátil, cabinado e confortável para cruzeiros e pernoites na Baía de Guanabara, baseados em uma Iole Alemã adaptada que ele havia visto em uma de suas viagens.

Com estes dois veleiros singrando às águas da Guanabara, a Escola Naval do Rio de Janeiro encomendou ao estaleiro Quaresma de Niterói, com base nos planos disponibilizados por Walter Heuer, a construção de outros três veleiros desta classe até então conhecidas por “Sharpies de Cruzeiro 20m²”.

Com a compra, o Comandante Alberto dos Santos Franco sugeriu um novo nome para esta classe de veleiros: Classe Guanabara.

As regatas disputadas em São Paulo, no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul fizeram com que a classe se desenvolvesse e a fabricação aumentou rapidamente.

Segundo a AVCG – Associação de Veleiros de Classe Guanabara (1946 a 1967), existiram mais de cem unidades das quais, pelo menos seis foram construídos em Miami – FL – USA, duas na Argentina e duas em Portugal.

Os “Guanabaras”, muito marinheiros e bastante competitivos, principalmente depois que ao seu plano vélico foi acrescido de uma genoa e um spinnaker (também existe relato de adição de trapézios para navegadas entre o Rio e Angra), revelaram-se também ótimos barcos para regatas de percurso dentro da baía que lhes dera o nome.

Tamanho sucesso, fez com que se tornassem os pioneiros no Brasil na formação do espírito de equipe, tão importante nos barcos de Oceano, para os quais a classe foi um grande celeiro de tripulações.

 

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Matéria do Veleiro Guanabara de nome Frauenlob II (posteriormente rebatizado Itapacis) na antiga revista Yachting Brasileiro de 1948 e intitulado “Como nasceu o Guanabara”, escrito por João Tavares:

Como nasceu o Guanabara

 

Características técnicas

Estaleiros: 

  • Estaleiro do construtor naval Friederich Heuer em Hamburgo – Alemanha
  • Estaleiro Quaresma – Niterói – RJ
  • Fábrica de Vagões Santa Mathilde – Petrópolis – RJ
  • Estaleiro Vareta – Vitória – ES
  • Estaleiro Roberto Funck
  • Outros

Período de Produção no Brasil: 1936 a 1970 (?)

Classe: Guanabara

Armação/ Tipo: Sloop

Projeto: Modelo de uma Iole Alemã adaptada às condições da Baía da Guanabara.

Desenho: N/D

Material do casco: Madeira

Categoria: Mar aberto

Motorização: nenhum

Tripulantes: 6 pessoas

Pernoite: 4 pessoas

Comprimento: 7,20 m

Linha d’água: 6,60 m

Boca: 2,36 m

Calado: 0,30/ 1,47 m

Área vélica (Mestra e Genoa): 20,00 m²

Área vélica (Balão): N/D

Deslocamento: 1200 Kg

Tanque de água: N/D

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Guanabaras participando da Semana Internacional de Vela de Ilhabela 2017

 

Como Navega

Os Guanabaras são barcos pesado para os padrões modernos, o que faz que acelere lentamente, porém também demora em perder velocidade. São veleiros que orçam muito bem por características da relação casco, quilha e leme e que velejam muito bem com ventos entre 8 e 12 nós. Abaixo disso fica lento e acima começa a pedir rizo. Em função de ser um barco de bolina, ainda que profunda, ele não prima pela estabilidade. Anda muito bem no través folgado. O leme é pesado, sendo este uma lâmina de aço com aproximadamente 35 Kg.

Por outro lado, os Guanabaras com tripulação completa, com pelo menos 2 na escora, veleja muito bem em ventos fortes (acima de 15 nos).

 

Casco e Deck

O casco é de madeira, projetado para navegação em alto mar.

O cockpit é todo aberto e a tripulação senta-se na lateral do deck, sobre uns banquinhos ripados.

O fundo do cockpit se comunica direto com o porão. Não é estanque. De forma que toda a água que embarca pelo cockpit vai parar no porão interno. Para isso é necessário uma bomba de porão manual no cockpit. Dois bujões, no ponto baixo do porão, um de cada lado da quilha, permitem esvaziar o porão quando em seco.

Possui uma cana de leme em forma de “V” para permitir ao timoneiro ficar na escora, porém, esta ocupa muito espaço, o que diminui o conforto e capacidade do cockpit.

Abaixo, alguns dos desenhos fornecidos pela Associação de Veleiros da Classe Guanabara (Rio de Janeiro) e adaptada pelo Sr. F. Lavrador em 1949 para o veleiro da Classe Guanabara de nome Guanay, vela número 57 e de propriedade na época do Senhor Karl H. Boddener.

 

Plano de mastreação e Velame:

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Arranjos de construção e Plano de convés:

 

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Interior

Dentro, cabem quatro pessoas dormindo.

Não tem banheiro nem nenhuma instalação elétrica.

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Aos lados da portinhola da cabine, dois armários guardam os trecos.

Na proa uma caixa de madeira recebe a âncora, com acesso pela gaiúta de proa.

As vigias são todas fixas, com requadros em bronze externamente e madeira internamente.

Todo o casco e cavernas são visíveis desde dentro, sem nenhuma forração além dos paineiros.

Na popa, sob o deck tem espaço para bujão de gasolina, escada de abordagem, boia circular, defesas, etc.

 

Mastreação

Originalmente todas as adriças se ajustam no pé do mastro, com somente uma única catraca no centro do banco do cockpit que permite acionar, alternadamente, as escotas e o cabo da bolina.

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Mastro do Guanabara Espírito Pirata – Foto: William Bezerra Silva

O mastro é de pinho de riga maciço com trilho para garrunchos. Obéns e stais em cabo de aço 1/4″ com esticadores de bronze maciço. No topo, uma “Martingala” sustenta o fracionamento do estaiamento. Na popa um esticador de cabos regula o stay de popa.

A retranca é de cedro naval maciço também com trilho para garrunchos. A esteira se regula na própria retranca com redução por cabo de aço.

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Veleiro Mimbora pertencente ao Bruno Fraga Staiger e, atualmente (2019), no Clube Jangadeiros – Porto Alegre – RS. Repare na ferragem tipo “diamante”, ou “Martingala”, como dizem no sul, que sustenta o fracionamento do estaiamento e é usado na distribuição dos esforços dos estais no mastro.

O pau de spinaker é de pinho de riga maciço.

O traveller original é um simples trilho de bronze sobre o qual corre em seco a base do moitão da escota da grande.

Mimbora 2 - Foto Gustavo Pacheco 800 x 600
Repare no sistema do pé de mastro articulado, que permite “facilmente” subir/ baixar o mastro.

 

Detalhes

O Sr. Conrado García Ferrés, na época (2009), proprietário do veleiro Itacibá II, enviou para a SailBrasil uma série de fotos do exterior e do interior deste veleiro que apresento aqui para demonstrar os detalhes do Veleiro Classe Guanabara. Veja a seguir:

 

Flotilhas Guanabara (já extintas)

Como mencionado acima, em 1946, foi fundada a AVCG – Associação de Veleiros de Classe Guanabara (1946 a 1967) com a ajuda de José Candido Pimentel Duarte, Jethro Prado, Fernando Labrador, Aníbal Petersen, Abílio José Ferreira, Carlos Murillo Reis, entre outros.

Na época da sua fundação, existiam um total de 40 destes veleiros só no Rio de Janeiro, e suas várias flotilhas chamadas de Guanabaras, passaram a fazer parte da Associação. São estas:

  • Flotilha 1: Iate Clube Brasileiro
  • Flotilha 2: Grêmio de Vela da Escola NAval
  • Flotilha 3: Iate Clube do Rio de Janeiro
  • Flotilha 4: Clube de Regatas Guanabara
  • Flotilha 5: Iate Clube Carioca (Iate Clube Jardim Guanabara)
  • Flotilha 6: Clube dos Jangadeiros
  • Flotilha 7: Clube Veleiros do Sul

 

Campeonatos Classe Guanabara

  • 1950 – I Campeonato Brasileiro – realizado na Baía de Guanabara – RJ e vencido por Jorge Franke Geyer.
  • 1955 – II Campeonato Brasileiro – realizado na Baía de Guanabara – RJ e vencido novamente por Jorge Franke Geyer.
  • Regata Pau a Pino (décadas de 40 e 50)
  • Florianópolis – Rio de Janeiro

 

Estaleiro

Os Guanabaras foram construído por vários estaleiros e, a medida que vamos descobrindo quais foram, os relaciono abaixo:

Estaleiro do construtor naval Friederich Heuer

Este estaleiro, propriedade do irmão de Walter Heuer, alemão naturalizado, que no ano de 1935 encomendou o projeto de um veleiro tipo “Sharpies de Cruzeiro”, com base em um Iole Alemão e, em 1936, importou os dois primeiros veleiros construídos por este estaleiro para o Brasil (Itapacis e Itaicis).

Estaleiro Quaresma – Niterói – RJ

O estaleiro Quaresma de Niterói, na época localizado na ponta da areia em Niterói-RJ, com base nos planos disponibilizados por Walter Heuer, construiu três veleiros Classe Guanabara, até então conhecidas por “Sharpies de Cruzeiro”, para a Escola Naval do Rio de Janeiro.

Fábrica de Vagões Santa Mathilde – Petrópolis – RJ

No ano de 1943, 15 unidades foram construídas nesta fábrica pertencente a José Candido Pimentel Duarte.

Estaleiro Vareta

De propriedade do mestre Manoel Rodrigues, construiu os veleiros modelo Guanabara “Itacibá II” (1946)  e “Bruma”. Este estaleiro estava localizado na Rua Afonso Sarlo, 300 – Vitória – ES.

Estaleiro Roberto Funck

Estaleiro do Roberto Funck no Bairro Tristeza, Rua Armindo Barbedo.

 

Matérias da época

Artigo:

Cópia de artigo extraído da revista Yachting Brasileiro No. 183 de Janeiro de 1960 escrito por Henrique Schmidlin intitulado “De Paranaguá ao Rio de Janeiro em Guanabara” – Todos os direitos reservados – Copyright de seus autores/ publicações.

 

Fotos:

Algumas destas fotografias são fotos de família e nos foram fornecidas pelos próprios herdeiros… outras nos foram fornecidas por nossos usuários… Caso alguma fotografia não contenha os créditos de autoria e seja sua/de sua família, favor enviar um e-mail para gorissen @sailbrasil.com.br autorizando seu uso e com o nome do autor ou pedindo sua remoção.

 

Veleiros conhecidos (Foram construídos 101 veleiros … se souber, informe o nome dos que estão faltando para completarmos a lista!)

  • Abraão (ex. Fideli) – Ano 1968
  • Albacorra
  • Alcatraz
  • Aloha
  • Arisco
  • Atlantis
  • Ayesha – G 26
  • Bem-Bom
  • Bolero
  • Brequelé
  • Bruma II
  • Corriola
  • Djali II ( ex. Capricho)
  • Embaré
  • Erika
  • Espírito Pirata
  • Fideri
  • Hawaii
  • Itacibá II – G 97 – Ano 1946
  • Itaicis (ex. Sênior)
  • Itapacis (ex. Flanenlob II)
  • Meia Noite – G 14
  • Mimbora – Ano 1970
  • Motim
  • Nazaré (ex. Xucro e Bonanza-A)
  • Nina IV – G 36 (ex. Alouete)
  • Nirvana
  • Nudd
  • Nuvem Branca – G 10
  • Pato Preto
  • Pernalonga
  • Serenella – G 9
  • Stepenwolff
  • Sua Mãe
  • Tiragem
  • Trabuzana
  • Traquejado – G 19
  • Umuarama
  • Xerem – G 16

 

As fotos dos veleiros a seguir são fotos que me foram enviadas por seus proprietários para postar na SailBrasil.com.br. O crédito está descrito na maioria das fotos. Caso não esteja e for uma foto de sua propriedade, favor enviar seu nome para que possa destacar o crédito da foto.

Veleiro Abraão:

 

Veleiro Espírito Pirata (Crédito das fotos: William Bezerra Silva):

 

Veleiro Nazaré (crédito das fotos: Hellen José Florez Rocha):

 

Veleiro Nudd (Crédito das fotos: Roberto Clément Figueira):

 

Depoimentos e contribuições para esta matéria

E-mail enviado por Roberto Clément Figueira, em 27/03/2010:

O Guanabara de nome Arisco pertenceu ao meu avô Octávio Baptista Figueira nos anos 40, notem que a imagem dele é do Iate Clube do Rio de Janeiro e não havia nenhum veleiro ancorado na enseada de Botafogo, ela esta completamente vazia.

 

E-mail enviado por Hellen José Florez Rocha (15/05/2009):

Sou proprietário de um veleiro e apaixonado pela classe Guanabara.
Comprei um há três anos no limite de não ter mais condições de recuperação.
Assim, estou praticamente fazendo um barco novo; desde trocar metade do convés, paredes da cabine, um terço da quilha, mais da metade das cavernas, o tabuado das obras vivas na proa, junto à quilha, uma nova caixa de bolina, novo cockpit, enfim uma baita reforma.
Gostei muito de como ficou o Itacibá II, os atuais proprietários estão de parabéns. Hoje moro em Florianópolis, mas meu Guanabara ainda está em Porto Alegre onde morava. Na região conheci outros Guanabara que posso citar a seguir:
O mais íntegro de todos – MIMBORA de Bruno Steiger, construído (se não me engano) pelo Roberto Funck no Bairro Tristeza, Rua Armindo Barbedo onde tinha um estaleiro. Este veleiro foi encomendado pelo Breno Caldas, dono do Correio do Povo na época.
Outros Guanabara, além dos citados no texto do site são o ALOHA, que foi reformado pelo Pedro que trabalhava na Marina Lessa, o PATO PRETO, de propriedade do Derli (o veleiro está na Marina Lessa e o proprietário trabalha no Iate Clube Guaíba), o PIRATA que é um Guanabara um pouco diferente, mais comprido (alteraram a planta, mas é um Guanabara) e do qual retiraram a caixa de bolina e colocaram um patilhão. Tem o PERNALONGA que está (ou estava) apodrecendo no arroio Itapuã, o HAWAII e o FIDERI que estão no Rio Grande Yatch Club, em Rio Grande.
Ouvi uma história sobre um Guanabara que certa vez ia (se não me engano) de São Lourenço a Tapes e capotou com umas quatro ou cinco pessoas dentro, que morreram neste acidente. Diz que este Guanabara está deitado de lado em um quintal em São Lourenço, mas ainda inteiro.
Outro Guanabara que deve estar em Porto Alegre é o UMUARAMA que foi doado ao Pão dos Pobres para que fosse reformado pelos alunos de carpintaria de lá.
Outro Guanabara que me recordo é do STEPENWOLFF (não sei se é esta a grafia correta) do Capitão Centauro, que escreve para a revista velejar e meio ambiente.
Por fim, o meu Guanabara, que estava em Tapes, seu nome foi XUCRO e BONANZA-A. Creio eu que nenhum era o nome original, assim renomeei a embarcação: NAZARE. Provavelmente estará navegando pelas baías de Florianópolis daqui há alguns meses e terei o prazer de relatar como foi a reforma com detalhes e fotos.
Histórias interessantes sobre Guanabara são encontradas na página do Popa, inclusive da Copa Brisa, uma regata só de Guanabara, saíam do Veleiros do Sul, iam ao farolete da Ilha do Barba Negra na Lagoa dos Patos, farolete das desertas e retorno.
Como disse sou um apaixonado e quero mais, se alguém conhecer minha embarcação e souber algo sobre sua história, quem construiu, seu ano de construção, onde, histórias e fotos de outros Guanabara, ficaria super feliz em compartilhar.

 

E-mail enviado por Hellen José Florez Rocha, em 15/05/2009:

Ouvi uma história sobre um Guanabara que certa vez ia (se não me engano) de São Lourenço a Tapes e capotou com umas quatro ou cinco pessoas dentro, que morreram neste acidente. Dizem que este Guanabara está deitado de lado em um quintal em São Lourenço, mas ainda inteiro.
Na época, existia a Copa Brisa, uma regata só de Guanabara, que saíam do Veleiros do Sul, iam ao farolete da Ilha do Barba Negra na Lagoa dos Patos, farolete das desertas e retorno.

 

E-mail enviado por Hellen José Florez Rocha, em 25/11/2009:

Buenas companheiros, é um prazer poder compartilhar com vocês um assunto extremamente prazeiroso: falar de veleiros antigos, especialmente nossos Guanabaras! Já não me lembro o que disse sobre minha embarcação naquele e-mail que enviei para o Max, assim se for repetitivo por favor ignorem.
Vamos lá, estou curiosíssimo para saber quem construiu meu Guanabara, onde e quando, não sei. Era originalmente todo de cedro com a quilha e as cavernas de louro. O convés e a cabine são de tábuas com calafeto, característica esta que sugeriu ao Conrado que o meu é ainda mais antigo que a maioria. Ele é semelhante ao Umuarama, Atlantis e Nirvana, cujas fotos aparecem no Popa (tem um texto ilustrado com fotos bem bacana de uma viagem Porto Alegre-Rio Grande-Porto Alegre)…

 

E-mail enviado por Conrado García Ferrés, em 23/11/2009:

O “Itacibá” foi construído no Estaleiro “Varetas” em 1946, propriedade do Mestre Manoel Rodrigues, em Vitória, ES. No mesmo estaleiro foi construído o Guanabara “Bruma” do Comandante Justus, hoje no ICB de Niterói, Baia de São Francisco.
O “Itacibá” teve sua caixa de bolina modificada em 1958, deixando de ser tipo “meia lua” e passando a ser tipo “patilhão bolina” com 1,70m de calado com ela abaixo. Esta solução, além de baixar o CG da bolina, limpou a cabine, deixando a caixa de bolina bem baixa e servindo como mesa. Ela não ultrapassa a altura dos beliches.
Dentro, cabem quatro pessoas dormindo. Não tem banheiro nem nenhuma instalação elétrica. Aos lados da portinhola da cabine, dois armários guardam os trecos. Na proa uma caixa de madeira recebe a âncora, com acesso pela gaiúta de proa. As vigias são todas fixas, com requadros em bronze externamente e madeira internamente.
Todo o casco e cavernas são visíveis desde dentro, sem nenhuma forração além dos paineiros.
Sob os paineiros da cabine enchi de garrafas Pet para ajudar na flutuação em caso de capotagem. Sob os paineros do cockpit e na proa coloquei flutuadores de Optimist com o mesmo objetivo.
O fundo do cockpit se comunica direto com o porão. Não é estanque. De forma que toda a água que embarca pelo cockpit vai parar no porão interno. Para isso temos uma bomba de porão manual no cockpit. Dois bujões, no ponto baixo do porão, um de cada lado da quilha, permitem esvaziar o porão quando em seco. O cockpit é todo aberto e a tripulação senta-se na lateral do deck, sobre uns banquinhos ripados.
Não há guarda-mancebo no barco.
Originalmente todas as adriças se manobravam no pé do mastro. Eu desviei a adriça da grande e da buja para o teto da cabine com acesso desde o cockpit.
Originalmente tinha somente uma única catraca no centro do banco do cockpit que permite acionar alternadamente, as escotas e o cabo da bolina. Eu comprei duas catracas de bonze maciço em um desanche em San Isidro, Buenos Aires, e coloquei nas bases existentes em cada bordo. Agora temos 3 catracas de bronze, com suas manicacas originais.
Originalmente tinha uma cana de timão em forma de “V” para permitir o timoneiro ficar na escora. Porém ocupava um espaço enorme, diminuindo o conforto e capacidade do cockpit. Coloquei uma cana reta com extensão “Spinlock” e ficou bem mais espaçoso e comodo. Com a cana em “V” era impossível manobrar quando alguém tinha que acionar o motor de popa.
O mastro é de Pinho de Riga maciço com trilho para garrunchos. Obéns e stais em cabo de aço 1/4″ com esticadores de bronze maciço. No topo, uma “Martingala” sustenta o fracionamento do estaiamento. Na popa um esticador de cabos regula o stay de popa.
A retranca é de Cedro naval maciço também com trilho para garrunchos. A esteira se regula na própria retranca com demultiplicador de cabo de aço.
O pau de spinaker é de Pinho de Riga maciço.
O traveller original era um simples trilho de bronze sobre o qual corria em seco a base do moitão da escota da grande, com o qual sob pressão não corria devidamente. Troquei por um traveller de trilho de alumínio com carrinho sobre roletes e agora funciona fácil.
Na popa, sob o deck tem espaço para bujão de gasolina, escada de abordagem, boia circular, defesas, etc.

 

E-mail enviado por Omar Sfair, em 15/11/2009:

Olá, fui proprietário durante alguns anos de um Guanabara e gostaria de dar algumas informações a respeito deste formidável veleiro.
Não obstante seja um projeto muito antigo, nos final dos anos 70, Bruce Farr, um conhecido projetista lançou o “revolucionário” na época J 24, um barco muito similar ao Guanabara. Li no depoimento constante no texto a respeito do barco o desconhecimento de seu desempenho com o “balão” . Posso garantir é espetacular. Fizemos uma perna de popa na famosa Regata da Escola Naval (Baia da Guanabara) inteira com o Edu Penido e Marcos Soares e seu 470 (campeões olímpicos) a 10 metros atrás de nosso barco de uma boia a outra. Estávamos os 5 tripulantes na popa, meia bolina e com genoa.
O Guanabara é um barco escola fantástico. Nos anos 70 fizemos regatas com quase 20 barcos Guanabaras, divididos em 3 categorias, A, B e C.
Lembro dos seguintes barcos: Serenella G 9, Ayesha G 26, Nuvem Branca G 10, Traquejado, Trabuzana, Albacora, Meia Noite, Brequelé, entre outros.
O maior feito de um Guanabara em regatas pelo que me lembro, foi com o próprio Serenella que conquistou uma fita azul numa regata com vários barcos oceano de volta de Paquetá/ YCRJ, quando chegamos duas horas na frente do segundo lugar, um barco oceano de quase 40 pés preparado para regatas.

 

Texto enviado por Conrado García Ferrés, em 07/05/09 (Como veleja o Itacibá II):

Você (Max Gorissen) me perguntava como veleja o Itacibá. Ainda tenho velejado pouco com ele, apenas uns dois meses antes de pará-lo para restauração e algumas semanas depois de restaurado. Posso dizer que é um barco pesado para os padrões modernos, na ordem dos 1000 Kg para 24. Isso faz que acelere lentamente, porém também demora em perder velocidade. Meu ponto de comparação é com meu antigo Microtonner Seaside, BRA 179, que sem dúvida era muito mais ágil e rápido. O Itacibá orça muito bem até os 40º de WA. Com ventos entre 8 y 12 nós é quando anda melhor. Abaixo disso fica lento e acima começa a pedir uma mão de rizo. Em função de ser um barco de bolina, ainda que profunda, ele não prima pela estabilidade. Anda muito bem no través folgado, nos 120/130º de WA. Ainda não levantei o spi, para avaliá-lo no popa. O leme é pesado, ele mesmo é uma lâmina de aço com seus 30/35 Kg. Na entrada da rajada tem que segurar a cana com as duas mãos para que o barco não entre no vento. Isto talvez ocorra porque velejo com a buja. Possivelmente colocando o genoa fique mais equilibrado. Na Represa não tem ondas como para avaliar o comportamento marinheiro, porém quando encontro alguma esteira de lancheiro, corta as marolas sem se inteirar. O peso e o fundo em V ajudam para isto. Como não tenho GPS não tenho medido velocidades.
Texto enviado por Conrado García Ferrés:, em 06/03/09.

Pelo que tenho entendido a Associação de veleiros da Classe Guanabara disponibilizava os desenhos dos barcos, entregando cada jogo de plantas com um numeral específico.

História do veleiro ITACIBÁ II, Guanabara 24, Numeral G-97:

  • Construído artesanalmente em cedro naval pelo Mestre Manoel Rodrigues em 1946, na Praia de Suá, baia de Vitória, Vitória, ES.
  • 1946-49: Estaleiro Varetas. Vitória, ES.
  • 1949-59: Edson Nicoll. Iate Clube Icaraí, Niterói, RJ.
  • 1959-2002: Karl. H. Boddener. Iate Clube Brasileiro, Niterói, RJ.
  • 2002-2008: Cassiano Monteiro Neto. Iate Clube Brasileiro, Niterói, RJ.
  • Março 2008 em diante: Conrado García Ferrés, Yacht Club Paulista, Guarapiranga, São Paulo, SP.
  • Restaurado em 2009 por Luiz Domingues (YCP).

 

Texto enviado por Raymond Grantham em 08/05/2019:

Max! Boa tarde! Sobre o Guanabara: no nosso clube RGYC, foi construído o Motim, feito pelo carpinteiro naval Acir. Foi todo feito em Peroba rosa. Pesadíssimo. Era do Sr. Waldir Fonseca.

Em Pelotas, havia o “super” Guanabara de nome Capricho do Chico Caruccio. Este, ao contrário do anterior, era todo aliviado. Cedro rosa no casco e deck de compensado fino. Foi o primeiro Guanabara com cockpit estanque. Vendido depois para o Sr. Henrique José Vieira da Fonseca com nome de Djali II. Acho que hoje está no Museu de Rio Grande.

Em Pelotas há alguns ainda ativos.

Havia também o do Prof. Wander. Cujo nome não me recordo agora… e o Guanabara de nome Embaré do Prof. Wander. Construção tradicional.

Outra história interessante é a do veleiro Guanabara de nome “Mimbora”, encomendado ao estaleiro do Roberto Funck que, na época, estava com pouco serviço, pelo Sr. Breno Caldas do Jornal Correio do Povo (também dono do veleiro Aventura, um Finisterre 38). Assim que o Roberto entregou o veleiro, este foi enviado ao Haras do Breno e colocado em um galão onde permaneceu por muitos anos “sem nunca ter visto água” até ser vendido como parte da maça falida do jornal.

Aproveitando, o veleiro de nome Aventura, é um projeto de muito sucesso do escritório naval norte americano Sparkman & Stephens, construído a partir do desenho número 1054, também conhecido por Finisterre (nome do primeiro barco construído), um yawl centerboard de 38′ 8″ pés. Foi construído em Porto Alegre entre 1955 e 1957 pelo engenheiro naval alemão Robert Funk, todo em madeira (como Cedro Rosa e Cabreúva), inclusive os mastros, para o jornalista Breno Caldas.

 

Texto e foto enviado por José Clementi Charles em 09/05/2019:

ItacibaII - Jose Clementi
Itaciba II – Foto enviada por José Guilherme Clementi Charles

 

Uma correção no texto, os Guanabaras com tripulação completa, com pelo menos 2 na escora, veleja muito bem em ventos fortes (acima de 15 nos). Na foto acima, na semana de vela de 2014, velejavamos com ventos de até 25 nós na rajada e o barco respondeu super bem.

 

 

  • Raul Pinho – foto do Guanabara de seu pai Xerem – G 16 de João Pinho Filho

 

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SailBrasil: O bom e velho veleiro

Desde o seu lançamento, a SailBrasil desenvolve um conteúdo focado no que interessa aos 99% dos velejadores e proprietários de veleiros… sim, você, que aproveita sempre que pode para velejar no seu veleiro, que tenta realizar a maior parte das manutenções, que está sempre em busca de como melhorar a sua velejada ou o seu veleiro e que busca inspiração em outros velejadores.

Sim, você, que como eu, possui e mantém um veleiro de cruzeiro ou de regata um pouco mais “antigo” … o “Bom e velho veleiro”.

ORM-Max

Como você sabe, hoje, a grande maioria dos veleiros que estão em uso no Brasil não são novos, assim como também, a grande maioria dos velejadores hoje no Brasil não está pensando em comprar um veleiro novo… a grande maioria, hoje, se for comprar um veleiro, este será um veleiro usado… o “Bom e velho veleiro”.

Como sei que é muito difícil no Brasil encontrar informações sobre os diversos “antigos” veleiros produzidos em algum momento pela indústria nacional, decidi criar uma nova categoria na SailBrasil na qual vamos nos concentrar em pesquisar, identificar, compilar e disponibilizar as informações de “todos” (os que pudermos identificar) os veleiros já produzidos em série no Brasil.

Sim, são muitos modelos e, como tudo no Brasil, não existe registro disponível ou de fácil acesso… então… vamos ter de ir devagar… curtindo a viagem… conversando, pedindo informações e trocando ideias com a comunidade da vela… como um velejador que, pacientemente, aproveita os ventos para chegar ao seu destino.

Com esta ação, a SailBrasil segue seu objetivo de disponibilizar informações para que você possa:

  • Estar atualizado com o que acontece no mundo da vela;
  • Conseguir as informações de que precisa para construir, reformar, manter ou melhorar seu veleiro/velejada;
  • Prover um lugar onde velejadores de recreação possam encontrar informação e dicas para cruzeirar ou competir no Brasil.

Veja os veleiros que já estão disponíveis no menu principal na categoria “Bom e velho veleiro” e, se algo faltar ou encontrar algo errado, entre em contato no e-mail gorissen @sailbrasil.com.br e nos informe para que possamos realizar a correção.

Também ficamos muito felizes se apenas escrever umas linhas de incentivo…

 

Bons ventos!

 

Max Gorissen

Veleiro Gaia 1 – F&C 40 – 1987… o “Bom e velho veleiro” … 😊

Velejador, escritor, editor… nessa ordem

 

 

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Comentários

Um comentário em “Veleiro Guanabara”
  1. PAULO ATHAYDE MELGACO disse:

    Fui tripulante de Veleiro de no Trabuzana comandado pelo CAP. Trindade

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