Veleiros Classe Brasil

A Classe Brasil surgiu da percepção do Sr. Pimentel Duarte que, sentindo a necessidade de um barco de oceano adequado para cruzeiros e regatas mais longos em nosso litoral, entre elas a Santos-Rio e a Buenos Aires-Rio, encomendou à firma Sparkman & Stephens o projeto de um veleiro adaptado às águas brasileiras e que ficou conhecido como Classe Brasil, um “Slupe” de 42 pés.

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Copyright: Sparkman & Stephens

 

A Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945) atrapalhou um pouco os planos e a construção pois, nessa época, o Senhor Olin Stephens trabalhava para a marinha americana fazendo projetos de embarcações para a II Guerra Mundial.

Acabada a guerra, já em 1949, foi para a água o primeiro de uma série de 10 barcos (depois foram adiconados outros) chamado “Ondina”, de Joaquim Belem, que seria vencedor das duas primeiras Regatas Santos-Rio.

Em 1953 o Classe Brasil Cairu II, de Jorge Frank Geyer (filho de Leopoldo Geyer), venceria a III Buenos Aires-Rio.

O veleiro tem 43 pés e é baseado no Mackinak, outro projeto Olin Stephens, mas adaptado às condições de vento brasileiras.

Os primeiros veleiros saíram com um motor auxiliar “Gray” de 4 cilindros, 25 HP, Direct Drive e hélice automática Hyde Windlass de 16 x 7.

Os últimos dois veleiros Classe Brasil foram construídos em Salvador, no Yacht Club da Bahía.

 

Características técnicas

Estaleiros: 

  • Estaleiro Arataca – SC
  • Oficinas do Iate Clube do Rio de Janeiro – RJ
  • Yacht Clube da Baía – BA

Período de Produção no Brasil: 1948 a 1961

Classe: Brasil (também chamada de Mackinac nos USA)

Armação/ Tipo: Sloop

Projeto: Sparkman & Stephens

Material do casco: Madeira

Categoria: Mar aberto

Motorização: Gray Marine de 25hp

Tripulantes: 

Pernoite: 

Comprimento: 13,30 m

Linha d’água: 8,42 m

Boca: 3,06 m

Calado: 1,80 m

Área vélica (Mestra e Genoa): 64,1 m²

Área vélica (Balão): N/D

Deslocamento: 10.000 kg

Lastro: 

Tanque de água: 

Ferragens: Merriman Brothers

 

Como Navega

Os Classe Brasil…

 

Casco e Deck

Originalmente, os convés (deck) dos Classe Brasil seriam todos cobertos de lona, contudo, alguns proprietários decidiram por ter seu convés em madeira araribá.

 

Interior

 

Mastreação

Os mastros, as retranca e os pau de spinnaker foram encomendados nos Estados Unidos e, suas ferragem, produzidos pela empresa Merriman Brothers.

O mastro possui uma distribuição dos esforços dos estais usando uma ferragem tipo “diamante”, ou “Martingala”, como dizem no sul, que sustenta o fracionamento do estaiamento.

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Repare no mastro de madeira do Malagô, quase no topo do mastro, a ferragem tipo “diamante” ou “Martingala” – Foto: Max Gorissen

 

Detalhes

 

Regatas – alguns dos resultados dos veleiros da Classe Brasil em importantes regatas nacionais e internacionais

  • II Buenos Aires-Rio – realizada em janeiro de 1950:
    • 6º Ondina
    • 9º Majoy
    • DNF Aracaty
  • III Buenos Aires-Rio – realizada em fevereiro de 1953:
    • 1º Cayru II
    • 2º Mistral
  • Santos-Rio
    • 1951 – Ondina
    • 1952 Ondina
    • 1953 – Procelária
    • 1954 – Cangaceiro
    • 1955 – Mistral
    • 1957 – Procelária
    • 1961 – Procelária
    • 1962 – Turuna
    • 1963 – Bermuda
    • 1964 – Procelária

 

Matérias da época

Matéria do Veleiro Classe Brasil (classebrasil) – Ondina copiado da antiga revista Yachting Brasileiro de Janeiro de 1949 e intitulado “Classe Brasil – Lançada ao mar a sua primeira unidade” por Paulo Muniz.

Abaixo outras matérias…

 

Estaleiros

Estaleiro Arataca – SC

O estaleiro, que data de 1907 e pertencia ao Sr. Carl Hoepcke, ocupava uma área de 15 mil metros quadrados na Rua Forte Santana 405 – Centro – Florianólpolis – SC. Em 1952 empregava 114 funcionários, sendo então de propriedade do Almirante Saldanha da Gama.

Contudo, em 1945, devido ao esforço do Sr. Mario Nocetti, Engenheiro Naval e Diretor do Estaleiro Arataca na época, o estaleiro recebeu a encomendada de seis veleiros da Classe Brasil seguidas estas por outras quatro, que pertenceriam aos senhores Mariano Ferraz (SP), Eduardo de Carvalho, Pimentel Duarte (RJ), Leopoldo Geyer (RS), Jorge da Silva Prado, Eduardo Simonsen, José Cortez e Ulysses Ribeiro.

Ao todo, foram encomendados 10 barcos ao estaleiro, contudo, somente oito foram produzidos já que dois proprietários desistiram no meio do caminho.

Os veleiros produzidos por este estaleiro foram: Aracaty, Cairu II, Majoy, Simbad, Procelária, Mistral, Turuna e Cangaceiro.

 

Oficinas do Iate Clube do Rio de Janeiro

Construiu os Classe Brasil de nome Ondina e Gaivinia.

 

Iate clube da Bahía – ICB – Salvador – BA

Construiu três veleiros Classe Brasil: Voodoo, o Zumbi e o Malagô – 1961

 

Veleiros Classe Brasil com seus nomes originais e estaleiro, listados por ordem de varamento

  1. Ondina – Joaquim Belém – BL 13 – 1948 – Estaleiro ICRJ
  2. Aracaty (Mariano Marcondes Ferraz) – BL 10 – 1949 – Estaleiro Arataca
  3. Cairu II (Leopoldo Geyer) – BL 12 – 1949 – Estaleiro Arataca
  4. Majoy (Eduardo Simonsen) – BL 11 – 19?? – Estaleiro Arataca
  5. Gaivinia (João Manderback)  – BL ?? – 19?? – Estaleiro ICRJ
  6. Simbad (Alcides Lopes) – BL 14 – 1951 – Estaleiro Arataca
  7. Procelária (Fernando Pimentel Duarte) – BL 15 – 1951 – Estaleiro Arataca
  8. Mistral (Leon Marius Joullie) – BL 16 – 1952 – Estaleiro Arataca
  9. Turuna (Caio de Barros Penteado) – BL 18 – 1962 – Estaleiro Arataca
  10. Cangaceiro (Domício Barreto) – BL 17 – 1954 – Estaleiro Arataca
  11. Barracuda – (Paulo Ferraz) – BL 40 – 1954 – Estaleiro ?
  12. Voodoo (Alfredo Santos Sousa) – BL 42 – 196? – Estaleiro YCB
  13. Zumbi (Aroldo) – BL ?? – 196? – Estaleiro YCB
  14. Malagô (Antonio Adelson Coelho) – BL 41 – Ano 1961 – Estaleiro YCB

 

Outras informações sobre cada veleiro

  • Ondina: Com Joaquim Belem, venceu duas Santos-Rio, em 1951 e 1952. Outros nomes: Analee (Fernando Ferreira), Bermuda (Domingos Giobbi – vencedor da Santos-Rio de 1963) e ComphetitorVideo registrando os últimos dias deste veleiro
  • Aracaty: Outros nomes: Procyon e Flegon
  • Cairu II: Outros nomes: Sagres V (Mentor Muniz ). Segundo veleiro Classe Brasil construído pelo estaleiro Arataca. Nome original: Cairu II de Leopoldo Geyer, com seu filho, Jorge Frank Geyer venceu a Buenos Aires-Rio de 1953 em que, além da vitória, o barco ainda foi homenageado pelos presidentes do Brasil e da Argentina, Getúlio Vargas e Juan Peron. Possuía motorização Gray Marine de 25hp.
  • Majoy: 
  • Gaivinia: 
  • Simbad: 
  • Procelária:  Com Fernando Pimentel Duarte, sagrou-se campeão da Santos-Rio em 53, 57, 61 e 64. O veleiro afundou em Fernando de Noronha. Outros nomes: Investor
  • Mistral: 
  • Turuna:  Com Caio de Barros Penteado, venceu a Santos–Rio de 1962. Outros nomes: Aquarius, Tai-Pan e novamente Turuna
  • Cangaceiro:  Com Domício Barreto ficou com a fita azul na Santos-Rio de 1954. Outros nomes: Kincaid (Mauro Joppert)
  • Barracuda:
  • Voodoo: 
  • Zumbi:  O veleiro afundou em Aratu – BA
  • Malagô Correu sete edições da Santos Rio. Seu melhor resultado veio com uma 4ª posição na Geral e 2º na Classe B em 1962.

 

Fotos

Algumas destas fotografias são fotos de família e nos foram fornecidas pelos próprios herdeiros… outras nos foram fornecidas por nossos usuários… Caso alguma fotografia não contenha os créditos de autoria e seja sua/de sua família, favor enviar um e-mail para gorissen @sailbrasil.com.br autorizando seu uso e com o nome do autor ou pedindo sua remoção.

 

Contribuíram para esta matéria com informações ou fotos: 

  • A maioria das informações foram extraídas dos cadastros da SailBrasil.com.br acumulados durante mais de 10 anos de trabalho.
  • Átila Bohm – Tabela com informação da ordem de construção dos veleiros, proprietários, ano, outros nomes e estaleiro.
  • Guilherme Vestphal – Fotos e informações sobre o veleiro Cangaceiro.

 

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