Veleiro Sharpie 12 m²

O veleiro Sharpie 12m² foi desenhado em 1931 pelo designer alemão J. Kroger e foi rapidamente aceito também e construído em outros países como Holanda, Austrália e Portugal.

Um ano depois, um grupo de iatistas do Iate Clube Brasileiro, formado por Armando Leite, Sá Peixoto, Dias Amorim, Ernest Wagner e Kurt Kosser, trouxeram a planta para o Brasil.

Sua aprovação foi imediata. Sua construção, entretanto, estava submetida à rigidez do regulamento da Classe Sharpie europeu que determinava que cada veleiro só poderia ser construído com os tipos de madeira determinados pelas normas, o que criou uma série de dificuldades pois a matéria-prima existia apenas na Europa. A Solução para o impasse aconteceu em 1944 com a criação do primeiro monotipo reconhecido brasileiro.

Em 1956, o veleiro foi usado na Olimpíada de Melbourne, na Austrália. Nessa olimpíada participaram 13 embarcações.

Apesar de ser um veleiro muito rápido, para dois tripulantes, com uma inconfundível vela quadrangular, o Sharpie foi substituído nos jogos olímpicos de 1960 pelo Flying Dutchman.

O Sharpie, desde então, espalhou-se por alguns países, entre eles, Inglaterra, Austrália, Portugal e Brasil devido as características de barco rápido e estável, apesar dos seus apenas 1,40 m de boca.

A Europa possui 4 associações de classe reconhecidas pela antiga ISAF (hoje World Sailing).

Associações:
Inglaterra: http://www.sharpies.org.uk/
Holanda: http://www.sharpie.nl/
Alemanha: http://sharpie-kv.de/
Portugal: http://www.sharpieclub.pt/
Brasileira: https://pt-br.facebook.com/sharpie.brazil

Estes países, continuam a realizar Campeonatos Nacionais, Campeonatos Regionais e o Campeonato Europeu, em regime de rotatividade pelos quatro países, Inglaterra, Holanda, Alemanha e Portugal.

No Brasil, após uma retomada em 2014, foram realizados 3 campeonatos Brasileiros, o último em 2016. Em 2014 foi em Niterói-RJ, em 2015 foi em Nova Lima-MG e em 2016 foi em Guarapiranga-SP. A princípio, o de 2017 seria em Niterói, havendo ainda a possibilidade de que fosse transferido para Campos dos Goitacases-RJ.

A construção de um Sharpie ainda é realizada nos países acima.

Apesar de algumas tentativas para construir Sharpies em fibra de vidro, como acontece na Austrália (e também no Brasil através da iniciativa de Antonio Luis do Rio Apa no ano de 1982 – veja abaixo a matéria de jornal da época), as várias associações de classe europeias mantêm–se fiéis aos planos originais, que têm de ser rigorosamente seguidos, bem como a qualidade das madeiras utilizadas. Para se ter uma ideia das restrições, os pesos compensatórios finais não podem exceder 15 kg.

Na Austrália, ao contrário, em vez dos clássicos em madeira, são construídos “Sharpies Light” de fibra de vidro, com mastreação em alumínio e velas de materiais exóticos. Nestes, são permitidos um terceiro tripulante e um trapézio. Estes veleiros são utilizados em regatas altamente competitivas.

A paixão de alguns por esta embarcação é fácil de entender devido ao design clássico elegante, com a sua grande genoa que lhe confere um estilo particular, uma velocidade elevada nas diversas condições de vento e uma sensibilidade de leme extraordinária.

 

A classe Sharpie 12m² Brasileira

Em 1932, a um ano da sua criação na Alemanha, um grupo de iatistas do Iate Clube Brasileiro (Rio de Janeiro) trouxe a planta para o Brasil e com isso formou a primeira flotilha de Sharpies.

Em 1934 os velejadores do Rio de Janeiro criaram a Associação formada no Iate Clube do Rio de Janeiro espalhando-se então para São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A expansão permitiu que em 1938 a Sharpie participasse das comemorações da fundação da CBVM – Confederação Brasileira de Vela e Motor. Foi quando participou de duas regatas, uma no rio Guaíba, em Porto Alegre, e outra em na represa de Guarapiranga, em São Paulo, competindo ao lado das Classes Star, Snipe e 15 metros.

A Classe contou também com a iniciativa dos gaúchos que em 1941, desencadearam um movimento, com adesões de São Paulo e Santa Catarina, para fundar a Associação Brasileira de Sharpie. Os velejadores do Rio de Janeiro discordaram e reclamaram, na condição de pioneiros, o reconhecimento de sua entidade como sendo de expressão nacional, pois fora criada como órgão precursor por decreto ministerial. Resultado: a Sharpie chegou a somar 12 associações estaduais.

Em 04 de agosto de 1946 (segundo matéria abaixo) a Associação Brasileira de Sharpie 12m² reunia 54 proprietários de veleiros da classe no Brasil. Então, em 30 de janeiro de 1947 foi eleita a sua primeira diretoria.

Então, a partir dos anos 80, a ABCS – Associação Brasileira da Classe Sharpie foi tocada por Antonio Luís do Rio Apa (ex-presidente da FEVERJ) que se manteve a frente da associação até o ano de 2018 (ano de seu falecimento).

Reprodução da matéria na edição de dezembro de 1982 da revista “Vela e Motor” escrita por Mario Pereira Filho.

 

Alguns campeões da Classe Sharpie:

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Características técnicas

Estaleiros: 

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Período de Produção no Brasil:  1932 até 1982

Classe: Sharpie 12m²

Armação/ Tipo: Caranguejeira na vela grande e buja.

Projeto: Designer alemão J. Kroger

Material do casco: Madeira: o fundo e o convés em cedro, as bordas são em peroba-do-campo, a mastreação em pinho (também em espruce ou freijó), com arremetes também em espruce, pinho ou freijó.

Categoria: Interior

Motorização: nenhuma

Tripulantes: 2 pessoas

Pernoite: nenhuma

Comprimento: 5,99 m

Linha d’água: 5,40 m

Boca: 1,43 m

Calado: 0,90 m (com bolina arriada)

Área vélica (Mestra e Genoa): 14,92 m²

Área vélica (Balão): N/D

Deslocamento: 230 Kg

 

Como Navega

Em entrevista realizada para a revista Vela e Motor de dezembro de 1982, Gastão Altmayer, tetracampeão brasileiro na época de 1954 a 1957 relatou: O Sharpie é um barco difícil de ser velejado pois seu comprimento e boca, em relação à área vélica, exigem grande sacrifício da tripulação, que deve pesar, no mínimo, 140Kg, ter, de preferência, boa altura, experiência em outras Classes, além de muito preparo físico.

 

Plano de construção de casco e convés

Plano de construção de casco e convés com todas as dimensões dos membros estruturais e especificação dos diferentes tipos de madeiras.

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Baixe os planos de construção: Planos Sharpie 12m2

 
As fotos acima mostram o convés e parte do cockpit e pé de mastro do veleriro Sharpi de nome Nautilus – Fotos: Gustavo Pacheco.
 

Mastreação

Originalmente a mastreação era tipo carangueja, sem cruzeta e em madeira spruce.

Arranjos de construção do mastro e retranca:

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Detalhes

…Veja a seguir:

 

Flotilhas Sharpie (já extintas)

  • Flotilha de Sharpies do Iate Clube Brasileiro – ano 1932
  • Flotilha de Sharpies do Iate Clube do Rio de Janeiro – ano 193?
  • Associação dos Veleiros da Classe Sharpie – 1934 – https://www.facebook.com/sharpie.brazil/
  • Associação Brasileira de Sharpie 12m2 – 1946

 

Campeonatos Classe Sharpie

Em 1938 organizou-se o primeiro Campeonato Brasileiro que se repetiu bienalmente até 1960. Desse período em diante passou a ser anual até 1971, quando foi interrompido durante seis anos, retornando em 1978, na praia de Santos.

Os últimos três campeonatos brasileiros foram corridos em:

  • 2014 em Niterói-RJ
  • 2015 em Nova Lima-MG
  • 2016 em Guarapiranga-SP

 

Estaleiro

Os Sharpies foram construído por vários estaleiros e, a medida que vamos descobrindo quais foram, os relaciono abaixo:

 

 

Matérias da época

Artigos:

Cópia de artigos extraído de recortes de jornais e revistas da época.

 

Texto Inglaterra

 

Clique no link abaixo e leia o artigo (ao lado) sobre a participação Brasileira na regata realizada em Chicester Harbour na Inglaterra de 1947 escrito por Dacio Veiga que participou com seu Sharpie de nome Pinah: Regata Inglaterra 1947

 

 

 

Veleiros conhecidos (se souber, informe o nome dos que estão faltando para completarmos a lista!)

No Brasil, hoje, existem pelo menos 13 Sharpies “conhecidos” (em azul na lista abaixo) do total construído, todos em madeira mantendo o estilo original.

Pelo que se sabe, o último Sharpie construído no Brasil foi o “Le Nuage”, em 1982, porém, o barco se perdeu.

  • Albatroz
  • Athos
  • Bimbo
  • Boa Vida – BRA 413 – Ano 1948
  • Boto
  • Coragem – BRA 516
  • Crocodilo
  • Curare
  • Dona X
  • Feitiço – BRA 140
  • Gabirú – BRA 654 – Ano 1970
  • Gargamel
  • Garoa
  • Garoto
  • Guaru
  • Hipocampo
  • Inca (participou das olimpíadas de 1956 ficando na 10ª posição)
  • Isca
  • Le Machine
  • Le Nuage – Ano 1982
  • Margie
  • Marília
  • Mete Bronca
  • Moleque – Ano 1952
  • Nautilus IV – BL 5-8 – Ano 195… (https://www.facebook.com/sharpie.nautilus)
  • Nelson Patinho – BRA 207 – Ano 1955
  • Only You
  • Pagão
  • Papaventos
  • Peter Pan
  • Pinah (Campeão Mundial na Austrália em 1957 com Fernando Costa Melcher)
  • Pipoca
  • Pirata
  • Popeye
  • Preguinho
  • Sopa de Sirí
  • Speedy MG
  • Squalus – BRA 133
  • Storm
  • Tabú
  • Tô a Toa BRA 451
  • Toy
  • Vistoria
  • Vivone
  • Zandiré
  • Zangado – Ano 195…

 

Fotos:

 

Algumas destas fotografias são fotos de família e nos foram fornecidas pelos próprios herdeiros… outras nos foram fornecidas por nossos usuários… Caso alguma fotografia não contenha os créditos de autoria e seja sua/de sua família, favor enviar um e-mail para gorissen @sailbrasil.com.br autorizando seu uso e com o nome do autor ou pedindo sua remoção.

 

Depoimentos:

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Contribuíram para esta matéria com informações ou fotos: 

  • Gustavo Pacheco
  • Antonio Luís do Rio Apa
  • Michel Rinzler

 

SailBrasil: O bom e velho veleiro

Desde o seu lançamento, a SailBrasil desenvolve um conteúdo focado no que interessa aos 99% dos velejadores e proprietários de veleiros… sim, você, que aproveita sempre que pode para velejar no seu veleiro, que tenta realizar a maior parte das manutenções, que está sempre em busca de como melhorar a sua velejada ou o seu veleiro e que busca inspiração em outros velejadores.

Sim, você, que como eu, possui e mantém um veleiro de cruzeiro ou de regata um pouco mais “antigo” … o “Bom e velho veleiro”.

ORM-Max

Como você sabe, hoje, a grande maioria dos veleiros que estão em uso no Brasil não são novos, assim como também, a grande maioria dos velejadores hoje no Brasil não está pensando em comprar um veleiro novo… a grande maioria, hoje, se for comprar um veleiro, este será um veleiro usado… o “Bom e velho veleiro”.

Como sei que é muito difícil no Brasil encontrar informações sobre os diversos “antigos” veleiros produzidos em algum momento pela indústria nacional, decidi criar uma nova categoria na SailBrasil na qual vamos nos concentrar em pesquisar, identificar, compilar e disponibilizar as informações de “todos” (os que pudermos identificar) os veleiros já produzidos em série no Brasil.

Sim, são muitos modelos e, como tudo no Brasil, não existe registro disponível ou de fácil acesso… então… vamos ter de ir devagar… curtindo a viagem… conversando, pedindo informações e trocando ideias com a comunidade da vela… como um velejador que, pacientemente, aproveita os ventos para chegar ao seu destino.

Com esta ação, a SailBrasil segue seu objetivo de disponibilizar informações para que você possa:

  • Estar atualizado com o que acontece no mundo da vela;
  • Conseguir as informações de que precisa para construir, reformar, manter ou melhorar seu veleiro/velejada;
  • Prover um lugar onde velejadores de recreação possam encontrar informação e dicas para cruzeirar ou competir no Brasil.

Veja os veleiros que já estão disponíveis no menu principal na categoria “Bom e velho veleiro” e, se algo faltar ou encontrar algo errado, entre em contato no e-mail gorissen @sailbrasil.com.br e nos informe para que possamos realizar a correção.

Também ficamos muito felizes se apenas escrever umas linhas de incentivo…

 

Bons ventos!

 

Max Gorissen

Veleiro Gaia 1 – F&C 40 – 1987… o “Bom e velho veleiro” … 😊

Velejador, escritor, editor… nessa ordem

 

 

 

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