Veleiro Classe Mini 6.5

A regata Transat 6.50 (antiga Mini Transat) é a competição à vela transatlântica em solitário para veleiros de 6,5 m criada em 1977.

Devido à simplicidade das rotas, do veleiro e por correr em solitário, a regata tem uma etapa nas Ilhas Canárias ou na Ilha da Madeira, onde permanecem por alguns dias, antes de se lançarem em direção de Salvador, Bahia-Brasil (a partir de 2001).

Até o ano de 1999 o porto de chagada era no Caribe.

Origem

A Mini Transat foi a “resposta” do velejador inglês Bob Salmon, nos anos 70, à Transat Inglesa e à Route du Rhum Francesa onde, veleiros com mais de 65 pés e multicascos, impediam que velejadores independentes, como era o seu caso, com recursos próprios, pudessem concorrer nessas regatas de igual-para-igual.

Por outro lado, Bob Salmon, também procurava o espírito de aventura das primeiras regatas transatlântica dos tempos de Éric Tabarly, motivo pelo qual os barcos da Classe Mini Transat 6.5m atendem, de maneira bem básica, às exigências para a segurança do velejador em alto mar. A meteorologia por satélite ainda é proibida, mas para assegurar a segurança da flotilha, a organização emprega um barco acompanhante para cada 12 competidores.

Hoje em dia, a Classe Mini Transat reúne aproximadamente 300 membros, em sua maioria competidores amadores e oriundos de todo tipo de profissões, como, por exemplo, do carpinteiro ao engenheiro, do enfermeiro ao mordomo, do jornalista ao capitão profissional.

A Classe Mini Transat é, acima de tudo, a associação de todas as pessoas que gostam da liberdade que a navegação proporciona pois, querem velejar com segurança em alto mar, percorrendo grandes distâncias, superando seus limites e com orçamentos relativamente pequenos, desfrutando momentos únicos de felicidade que a solidariedade dos velejadores e a navegação oceânica proporcionam.

 

Foto: Estaleiro Skipper e desenho Nestor Volker

 

Características técnicas

Estaleiros (Brasil): 

  • Skipper
  • Marco Landi (One-Off)

 

Período de Produção no Brasil:

Classe: Mini Transat 6.5

Armação/ Tipo: Sloop

Projeto: Vários

Desenho: Vários

Material do casco: Fibra de vidro, madeira ou carbono

Categoria: Mar aberto

Motorização: Pela regra da classe não é permitida motorização.

Tripulantes: 1 ou 2

Pernoite: 1 ou 2

Comprimento: 6,50 m

Linha d’água: 6,50 m

Boca: 3,0 m

Calado: 1,60 m

Área vélica:

  • Mestra: 27 m²
  • Genoa: 17 m²
  • Balão: 80 m² (máximo)

 

Deslocamento: 950 kg

Tanque de água: N/D

 

Casco, convés e interior

Normalmente, a não ser que seja de madeira ou fibra de carbono, o convés é construído utilizando sanduíche com núcleo de PVC rígido (Divinycell), em toda a sua superfície e acabado externo com antiderrapante.

Casco e interior com laminação sólida, seguindo rigorosamente o plano de laminação e materiais, fornecido e indicados pelo projetista.

Casco com flutuabilidade positiva, de acordo com as normas de segurança exigidas pela classe, através de material de flutuação.

Interior com acomodações mínimas exigidas pela classe, além de espera para apêndices opcionais de conforto.

OBS: As fotos abaixo foram tiradas pela SailBrasil com autorização do Sr. José Carlos Chrispin, proprietário do veleiro Mini Transat 6.5 de nome Daddy-O.

Quilha e lemes

Quilha com bulbo de chumbo, de alto rendimento, com corpo de ferro fundido, ou PRFV, com peso de 410Kg (estimado), de acordo com projeto.

Lemes construídos em fibra de vidro, PRFV, e preenchimento interno com PVC rígido (Divinycell).

OBS: As fotos abaixo foram tiradas pela SailBrasil com autorização do Sr. José Carlos Chrispin, proprietário do veleiro Mini Transat 6.5 de nome Daddy-O.

Mastro e retranca

Mastro de alumínio com 2 pares de cruzetas. Utilizando perfil especialmente projetado e desenvolvido para este fim, mínimo de 2,1kg/m (exigido pela CM).

Mastro equipado com roldanas para adriças, de alumínio, de alta resistência.

Retranca de alumínio contendo equipamento de rizos e regulagens de esteira.

Estaiamento em aço inox 316L 1×19 reguláveis através de esticadores e sistema de estai volante com regulagem por cabo de spectra, reduções, roldanas e stoppers.

Gurupés de alumínio com sistema de rotação e regulagem por cabo de spectra, reduções, roldanas e stoppers.

OBS: As fotos abaixo foram tiradas pela SailBrasil com autorização do Sr. José Carlos Chrispin, proprietário do veleiro Mini Transat 6.5 de nome Daddy-O.

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Classe Mini Transat

Veja o site da classe: https://www.classemini.com/

A Classe Mini esta sendo montada aqui no Brasil e suas regras são baseadas nas regras da classe da Europa.

 

Estaleiro

Os veleiros da Classe Mini Transat 6.5 são produzidos em diversos estaleiros, contudo, no Brasil, foram produzidos pelos seguintes estaleiros conhecidos (alguns foram construção artesanal):

Estaleiro Skipper (Porto Alegre – RS)

O estaleiro Skipper fabricou até 2018 os veleiros Skipper 21, 21 Nano, Neo 25, 30 e 38.

Em 2014, o estaleiro Skipper iniciou no Brasil a fabricação de veleiros dessa classe com base na internacional Transat 6.50 (MiniTransat). O estaleiro tinha como objetivo homologar o veleiro na classe na França e ter a classe registrada no Brasil evitando com que velejadores brasileiros tivessem de ir à França para correr as regatas classificatórias.

As fotos abaixo foram extraídas do site do estaleiro Skipper (https://www.skippermini.com.br/) e se são de propriedade, junto com o designer Nestor Volker, das mesmas:

 

Estaleiro Marco Landi (Indaiatuba – SP)

A empresa ML Boatworks (Landor Indústria e Comércio Ltda) foi fundada no ano de 1996 na cidade de Indaiatuba – SP pelo brasileiro Marco Landi. Contudo, a história deste engenheiro é antiga e, desde seu início, de sucesso.

Seu currículo náutico tem início na Itália e Reino Unido, no começo da década de 90, onde participou da fabricação de veleiros para a Americas Cup e para a Whitbread Round the World (antigo nome da Volvo Ocean Race), nesta última, participando da fabricação do Rothmans, quarto lugar na Whitbread de 1989/90 e do NCB Ireland, décimo segundo no mesmo ano. No Brasil, antes de formar a ML Boatworks, começou a fabricação de veleiros em 1988, tendo construído, por exemplo, o Magia de Torben Grael, que venceu os circuitos de Ilhabela e Rio de Janeiro em 1992.

Quem acompanha regatas, sem dúvida, se recorda que a ML Boatworks foi destaque em 2004 por ter fabricado o veleiro Brasil 1 para a edição 2005/2006 da Volvo Ocean Race, trabalhando junto com o neozelandês Chris Mellow e o uruguaio Horácio Carabelli.

A lista de barcos fabricados pela empresa não termina aí, tendo produzido, desde sua constituição, mais de 44 barcos entre 22 e 84 pés, como o Trader, um Transpac de 52 pés, projetado nos EUA por Jim Donovan, o Montecristo, um Carabelli 53, o Sessentão, um Nacira 60, alguns Javier Soto Acebal como o 64 e 84, todos os 6 veleiros ILC 30, entre eles o Gurupira, Dreamer e o Magia, o Forró, um Carabelli 55 do famoso Gastão Brun, fita azul da Rota do Aço em 2004, entre tantos outros veleiros.

Em 1991 o estaleiro construiu o veleiro Classe Mini Transat 6.5 de nome “Or” em carbono pós curado e com quilha fixa.

 

Veleiros conhecidos (se faltar algum nos avise!)

  • Daddy-O – José Carlos Chrispin (Santos – SP)
  • 854 – Jacaré – Pedro Fukui (Ilha Bela – SP)
  • 872 – VMax VI – Kan Chuh (Salvador- BA)
  • Maratu – Barreto (Salvador- BA)
  • Xavante – Márcio (Niterói – RJ)
  • Camonia – Augusto (Brasília- DF)
  • 875 – Down – Francisco Ari (Salvador- BA)
  • VMax VII – (Salvador – BA)
  • 876 – Fluido –
  • Bango Bango – (Rio de Janeiro – RJ)
  • Marcelo – (Porto Alegre – RS)
  • 919 – Rodrigo Behegaray
  • Or – Roberto Holzhacker

 

Brasileiros que participaram da Mini Transat 6.5

  • Veleiro No. 365 – Aventureiro IV – Comandante: Roberto Holzhacker – Em 2001 participou da Mini “Outsider” chegando em Salvador na 15ª posição (não oficial).
  • Veleiro No. 34 (construído em madeira) – Comandante: Gustavo Pacheco – Em 2003 participou da Mini Transat.
  • Veleiro No. 664 – Petit Bateau – Comandante: Izabel Pimentel – Em 2006 se tornou a primeira velejadora brasileira a cruzar o Oceano Atlântico em solitário e em uma regata da Classe Mini Transat, uma viagem que durou 42 dias e 6 horas. Ela partiu no dia 10 de julho de Cascais, Portugal e chegou a Fortaleza, Brasil no dia 21 de agosto às 22h.
  • Veleiro No. 472 – Mosoco Bay – Comandante: Kan Chuh – Em 2011 completou a Mini Transat em 21º lugar na Classe Série (La Rochelle-Funchal-Salvador – 4.200 milhas) – Campeão Mini-Fastnet (França-Irlanda-França – 700 milhas) em um veleiro Finot-Pogo-2).

 

Estas são fotos que me foram enviadas por seus proprietários para postar na SailBrasil.com.br. O crédito está descrito na maioria das fotos. Caso não esteja e for uma foto de sua propriedade, favor enviar seu nome para que possa destacar o crédito da foto.

 

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Bons ventos!

 

Max Gorissen

Velejador, escritor, editor… nessa ordem

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