A saga da Transat Jacques Vabre: o início solitário em 1993

31 de outubro de 1993: 13 solitários velejadores iniciariam a primeira edição da Transat Jacques Vabre de Le Havre, na França, para Cartagena, na Colômbia.

Entre eles, estrelas como Loïck Peyron e Alain Gautier – que ganhou alguns meses antes a segunda edição da Vendée Globe. Mas também um jovem desconhecido que está no começo, Vincent Riou, 21 anos, patrocinado por … Maître Coq.

O evento foi construído a partir do zero pela empresa Jacques Vabre, que comercializa o café de mesmo nome e, que retornou ao grupo da Kraft Foods (então Kraft Jacobs Suchard, Mondelez e JDE).

“A regata nasceu do desejo estratégico da marca de criar um evento em sintonia com sua comunicação da época, centrada nas origens”, lembra Bruno Luisetti, que fazia parte da empresa.

Os veleiros partiam de Le Havre, o porto histórico de importação de café, e tinham chegada na Colômbia, onde era e ainda é produzido. O evento também foi chamado de Regata do Café, sem referência à marca, e logo depois demorou um pouco para ser aceito com o nome de Transat Jacques Vabre.

Esta primeira edição foi um sucesso esportivo, marcado pela vitória no multicascos de Paul Vatine e de Yves Parlier no monocasco.

Acontece, no entanto, que era extremamente complicado para organizar: “Nós não tivemos uma equipe muito séria e tivemos que levar tudo de volta no último momento, então para o próximo, fomos buscar pessoas mais profissionais” disse Bruno Luisetti. É foi para a empresa Pen Duick, criada por Eric Tabarly e Gerard Petipas, que o patrocinador se dirigiu.

”Quando eles entraram em contato comigo, eu disse a eles que poderia me interessar, desde que a Transat se tornasse uma corrida dupla, porque eu sempre fui muito a favor desse formato – eu também havia criado antes o Lorient-Bermuda-Lorient que funcionou bem”, disse  Gerard Petipas, que completará 80 anos em novembro.

”No começo, eles se recusaram e me pediram para mudar de ideia, mas eu não queria saber de nada! Eles finalmente retornaram duas semanas depois, dando-me sua concordância”.

Foi assim que a Transat Jacques Vabre passou a ser em duplas, um formato que se tornou parte integrante de seu DNA por 12 edições. Esse é um dos ingredientes de sua durabilidade, mas  não é o único, segundo Bruno Luisetti: “A parceria com a cidade de Le Havre também foi um dos ponto-chave, tivemos uma forte relação tripartite entre Antoine Rufenacht [prefeito de Le Havre entre 1995 e 2010, Ed Gerard Petipas e eu. Tentamos inovar a cada edição, especialmente em torno do desenvolvimento sustentável”.

O sucesso está também na significativa cobertura da mídia. “A Transat Jacques Vabre rapidamente se tornou a terceira regata mais popular depois da Vendée Globe e da Route du Rhum”, contou Bruno Luisetti.

Foto destaque: A SAGA DA TRANSAT JACQUES VABRE 1/4 – 1993, UM NASCIMENTO DO SOLITÁRIO

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