Um pouco da história do veleiro Bermuda, ex. Ondina, um S&S – Classe Brasil

Fiz este vídeo há alguns anos, em 30/09/2010… Na época, pois hoje ele não existe mais, como relato, achava que era o primeiro Classe Brasil fabricado no Arataca, contudo, este veleiro, foi o único da série de veleiros Classe Brasil construído no estaleiro do Iate Clube do Rio de Janeiro.

Um pouco da sua História

Construído para o Dr. Joaquim Belém, foi o primeiro veleiro da classe Brasil a ficar pronto, varado em 1947, antes dos outros, que estavam sendo construídos no estaleiro Arataca em Florianópolis.

Apenas como curiosidade (se quiser saber mais clique aqui), os Classe Brasil, uma iniciativa do Sr. Candido Pimentel Duarte, comandante do Vendaval e pai do Sr. Fernando Pimentel Duarte, na época (1946), formou um grupo de 10 interessados na construção de 10 veleiros (apesar de que no final somente foram construídos 9 daquela série).

Enquanto os veleiros tinham suas obras iniciadas no Brasil, foram importados mastros e retrancas de stika spruce, na época, a melhor madeira para mastros e que vieram prontos, com ferragens, estais, esticadores, adriças, etc. Também foram importados os motores, ferragens, parafusos de monel para o costado, etc.

O Ondina, alguns anos depois, foi vendido para a um velejador e arquiteto do Rio de Janeiro – RJ passando a chamar-se “Ana Lee”, que, pelo que parece, modificou e modernizou o interior do veleiro, tirando a cabine de proa, fazendo uma mesa de navegação junto à escada, instalando quatro beliches no centro, dois altos e dois tipo banco, “limpando” a popa para ficar “sem nada” e tornando o barco mais próprio para regatas, aliás, este veleiro, era mais leve do que os construídos no estaleiro Arataca e possuía uma linha d´água mais próxima do projeto original.

Apenas para esclarecer, os veleiros construídos no estaleiro Arataca ficaram “muito” pesados pelo tipo de madeira usada e, acreditasse, por isso, o Ondina, era nitidamente mais rápido nos ventos fracos.

Posteriormente, o veleiro foi adquirido pelo Sr. Domingos Giobbi e, com o nome “Bermuda”, participou de muitas regatas, inclusive, vencendo a Santos-Rio de 1963, além ter vencido também uma regata Florianópolis- Rio, entre outras.

Novamente vendido, passou a se chamar “Competithor” pelo seu novo proprietário, o Sr. Parquer Gilbert, que participou com o veleiro de algumas regatas “locais”, tipo Rio-Angra e Rio-Itacuruçá, na época, com o costado pintado de azul claro.

Nos meados de 1970, o Sr. Parquer vendeu o Competithor pois havia recebido seu novo veleiro, um Cal 43 importado dos USA, de nome “Seven” e numeral BL-777.

A partir daí a história se perde um pouco (se tiver informações por favor envie para contato@sailbrasil.com.br) e chegamos a 2010 quando fiz a filmagem, data em que o veleiro aparece novamente com o nome “Bermuda” e abandonado no estaleiro Tapioca – Reforma Naval em Madeira (Velho Dico Tapioca) na estrada Guarujá-Bertioga no Guarujá (Este estaleiro foi desativado em 2018 tendo suas instalações derrubadas e suas terras, retornadas ao mangue).

Infelizmente, em 2016, o veleiro foi totalmente desmontado e suas madeiras queimadas. As ferragens e a quilha de chumbo foram vendidas para poder ressarcir a marina pelo tempo em que o veleiro ficou abandonado e sem pagamento.

Para maiores informações sobre os veleiros Classe Brasil (estaleiros, outros veleiros, história, design, etc) acesse: https://sailbrasil.com.br/2019/06/03/preservacao-do-patrimonio-maritimo-brasileiro-resgate-dos-classe-brasil/

Seguem várias fotos que recebi… algumas constam a autoria, outras, não tinha certeza, contudo, apenas como registro histórico, forma mesmo assim adicionadas… se você for o autor de uma das fotos sem autoria, entre em contato e colocarei imediatamente a devida autoria.

Esta é uma história em desenvolvimento… contribua!

Max Gorissen

Velejador, escritor e editor da SailBrasil… nessa ordem.

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