Velejando no Guarujá

Conhecido por ser um dos locais mais badalados das férias paulistas, o Guarujá congrega tudo que você pode querer de um paraíso para a vela.

Sou apaixonado pelo Guarujá e por seu mar.

Como alguém que tem uma história para contar e deseja compartilhá-la, vou aqui escrever sobre essa ilha e, principalmente, sobre a vela no Guarujá.

Cheguei ao Brasil em 1968, vindo da fria Detroit, no estado do Michigan, Estados Unidos, e desde aquele ano frequento o Guarujá.

Meus pais se mudaram para o Brasil porque minha mãe, argentina de Buenos Aires, não conseguiu adaptar-se ao estilo de vida do norte dos Estados Unidos. Ela queria voltar para seu país, onde vivia sua família e onde havia se casado com meu pai, um engenheiro expatriado da GM que fora transferido para a GM Argentina a fim de lançar, em 1964, o Chevrolet Nova.

Contudo, foi por meio da Chrysler que ele veio para o Brasil, em 1968. Além da proposta irrecusável que a companhia fez a meu pai, a mudança foi motivada pelo desejo de minha mãe, para quem a vinda ao Brasil significava um retorno para a cálida América Latina e a chegada a um país que, na época, estava em pleno desenvolvimento. E ainda permitia estar mais perto de sua família em Buenos Aires.

Ao chegar, meu pai imediatamente alugou um apartamento na praia da Enseada, a dois quarteirões da praia, perto do Morro do Maluf, onde, além de passar as férias, ficávamos nos finais de semana, para aproveitar a praia, o mar e a hospitalidade da ilha. Infelizmente, não tínhamos um veleiro na época, apesar de meu pai ser um velejador fanático (veja matéria sobre parte de sua história e a regata Mackinac).

Na época, a beleza do Guarujá era estonteante. Ainda com praticamente todas as suas praias “virgens” e pouco habitadas, principalmente a partir da Enseada – já que todo mundo ficava espremido na Praia de Pitangueiras, como ainda hoje –, o Guarujá possuía uma beleza selvagem e natural da qual nunca vou me esquecer. Salvo a Praia de Pitangueiras, cuja orla já fora tomada por prédios, as demais davam direto na Mata Atlântica, onde se inseriam poucas ruas e casas.

Acredito que hospitalidade é, simplesmente, ao chegar a um lugar que não seja sua casa, sentir-se em casa. Quando uma pessoa sente que está em um ambiente agradável, que foi bem recebida, e assim pode relaxar, tendo suas necessidades atendidas e podendo desfrutar do lugar. Se esse lugar, ainda por cima, oferece uma maravilhosa exuberância das paisagens e da natureza, é paixão na certa. Foi isso que aconteceu com minha família ao frequentar o Guarujá nos anos 1960 e 1970.

Como em todo o Brasil, a urbanização e o crescimento do Guarujá deram-se de forma desordenada, motivo pelo qual se tornou comum ver praias lotadas de pessoas, cercadas por prédios, cheias de quiosques, vendedores ambulantes e com lixo espalhado. Muito da Mata Atlântica e do manguezal originais foi desmatado, dando lugar a casas de veraneio, restaurantes, hotéis, clubes noturnos.

Surpreendentemente, no entanto, várias áreas estão preservadas até hoje, e o Guarujá, além de ser conhecido por suas praias brancas – abrigando inclusive uma das únicas praias brasileiras, a do Tombo, a receber o selo da bandeira Azul (Blue Flag) – e pelo Parque Serra do Guararu (uma Área de Proteção Ambiental, APA), é, para o navegante, local de uma grande quantidade de belas ancoragens, estaleiros e marinas. Tudo isso a apenas uma hora e meia de São Paulo. Não é por acidente que a extensa ilha, sua costa e seus canais estão entre os locais de veraneio mais populares do Brasil.

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Um pouco de história

Antes da chegada dos portugueses, o nome do Guarujá era Guaibê ou Guaimbê, como era conhecido pelos índios locais e das imediações. Ele significa “cipó de amarrar”, referindo-se a um certo tipo de vegetação que ali existia em grande quantidade.

Já o nome “Guarujá”, na língua indígena Guarú-ya, significaria, de acordo com algumas opiniões, “viveiro de rãs ou de sapos”. Imagina-se que também possa ser uma corruptela de “Guár-ya” (abertura de um lado), “gu-ár” (ir ao lado, ladear) e “ÿa” (abrir, rachar, furar), em alusão a uma pedra encontrada em um morro chamado Itapu.

Em 1534, o rei de Portugal, Don João III, doou a ilha a Pero Lopes de Souza, irmão de Martim Afonso de Souza. Como este nada ou pouco fez por sua capitania, durante muito tempo não houve fixação de elementos colonizadores, e o povoamento foi bastante demorado.

Em 1584, foi construída a Fortaleza da Barra Grande, pelo almirante espanhol Diogo Flores Valdês, após a invasão da barra pelos galeões de Edward Fenton, lendário pirata inglês. A fortaleza também é chamada de Santo Amaro ou São Miguel. Ainda no século XVI, foi construída a Fortaleza de Itapema.

Fortaleza de Santo Amato ou São Miguel na entrada do canal de Santos.

Mas a história do Guarujá moderno começa de fato em 1891, quando homens de negócio de São Paulo fundaram a Companhia Balneária Ilha de Santo Amaro, presidida por Elias Fausto Pacheco Jordão, estabelecendo uma estação de banhos na Praia de Pitangueiras, que na época integrava uma propriedade chamada Guarujá-Guaçu.

No local, ergueram o Grand Hotel La Plage, com 50 aposentos e mais 40 chalés pré-fabricados vindos dos Estados Unidos. Essa iniciativa, considerada arrojada para a época, custou dois milhões de cruzeiros velhos. A empresa também se encarregava do transporte dos passageiros, com pequenos vapores no canal e um trem na ilha. Com a inauguração do Hotel La Plage em 1893, o Guarujá nascia para o turismo. Em seguida, em 28 de março de 1897, a publicação do relatório da Companhia Balneária Ilha de Santo Amaro consolida a cidade e sua disposição turística.

Avançando para o século XX, em 26 de janeiro de 1938 o jornal Correio Paulistano publica uma matéria com o título “Guarujá – a maravilha do Atlântico”, na qual conta a história do local e trata de suas aspirações. Nesse mesmo ano, 1938, o Ministério da Guerra inicia as obras de construção do Forte dos Andradas.

Praia de Monduba onde fica instalado o Forte dos Andradas. Ao fundo se vê a Prainha de Fora, ambas, inclusive o morro, formam a área militar onde é proibido o desembarque não autorizado.

Em 1946, o Casino do Grand Hotel La Plage, agora sob nova direção, continuava a atrair turistas de alto poder aquisitivo. Seu reinado foi até 30 de abril desse ano, quando o presidente Eurico Gaspar Dutra decretou o fim dos casinos, com a proibição dos jogos de azar no Brasil. A partir de então, o Grand Hotel La Plage tentou manter-se atraente para os turistas promovendo as famosas mesas de carteado em “salas de diversões”.

Em 1947, entusiastas da vela criam o Iate Clube de Santos, com o objetivo de incentivar a prática.

Veleiro Gaia 1 no pier de abastecimento do Iate Clube de Santos no rio de Santo Amaro no Guarujá. Ao fundo, o porto e os prédio da cidade de Santos.

Em 1959, o Grand Hotel La Plage começa a ser demolido, e no ano seguinte a Câmara Municipal aprova projeto de lei para a construção de um prédio de 22 andares em seu terreno. Ainda em 1960, é fundado o Golf Clube do Guarujá, na Praia de Pernambuco, e o Clube Samambaia, na Península, na extremidade norte da Praia da Enseada.

Fachada da sede do antigo Clube Samambaia na Península-Praia da Enseada, hoje transformado em 9 casas de luxo. Do lado direito da foto, a área da piscina com seu pier.

Em 8 de dezembro de 1961, o Guarujá é palco do naufrágio do iate Ianic, de Ermilindo Matarazzo. Seus seis tripulantes foram salvos e levados para o Iate Clube. Em 1967, a Praia de Pitangueiras recebe o Primeiro Campeonato de Surf Profissional do Estado de São Paulo.

Em 1968 eu chego ao Brasil e meu pai aluga um apartamento na praia da Enseada! 🙂

Em 1969 começam as obras do Casa Grande Hotel, o primeiro hotel do Brasil aprovado pela Empresa Brasileira de Turismo (Embratur). Nesse mesmo ano, Adelino Boralli compra o Clube da Orla, e a Companhia Cinematográfica Vera Cruz lança o filme Verão de Fogo, filmado no Guarujá com a atuação de Tarcísio Meira, Elsa Martinelli, Rossana Ghessa e grande elenco. Em 12 de janeiro de 1972, o Casa Grande Hotel é inaugurado.

Finalmente, após 46 anos da inauguração do Casa Grande Hotel e de contínuo crescimento da cidade, em setembro de 2018, é lançada a edição n.º 4 da SailBrasil Magazine, trazendo este artigo sobre o Guarujá! 🙂

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O Guarujá nos dias de hoje

Sendo uma ilha com infraestrutura de cidade grande, no Guarujá é possível encontrar tudo aquilo de que se precise: charmosos hotéis e albergues, casas de veraneio, inclusive para aluguel, restaurantes para todos os gostos e bolsos, boates, aquário, um comércio ativo com lojas e shopping center, entre outras tantas atrações para os que buscam diversão em terra, a maior das quais são suas belas e extensas praias.

Mas é no mar, no turismo náutico, que o Guarujá apresenta seu maior potencial.

Sua beleza natural é tamanha, que basta passear com um barco – fechando os olhos para os problemas de sujeira e favelização, típicos deste nosso país – para se apaixonar.

Além disso, para nós velejadores, o Guarujá oferece a maior infraestrutura de apoio, suporte, manutenção e serviços a embarcações do Brasil, tanto em termos de mão de obra especializada (mas tenha cuidado, como já advertimos no artigo Prestador de serviço: amigo ou inimigo? Como evitar preocupações), quanto em termos de infraestrutura de serviços, por meio de suas pequenas indústrias, marinas e estaleiros.

Vamos velejar!

Em 1999, após vender meu HC 16, que ficava no Clube Desportivo Municipal de Iatismo (CDMI), na Guarapiranga, comprei meu primeiro veleiro oceânico, um Mariner Ranger 26 de 1983, chamado Pitula I, o qual encontrei na Marina Supmar, localizada no Complexo Industrial e Naval do Guarujá (Cing).

Na época, eu era sócio do Clube Samambaia (localizado na Península) e tinha um apartamento na Enseada, atrás do Hotel Il Faro, o que me fez levar o veleiro para o outro lado do Guarujá, para a Marinas Nacionais, no Canal de Bertioga, perto da Balsa Bertioga-Guarujá e da saída do canal para o mar.

Além de a Marinas Nacionais estar mais perto de casa, se existe um local inexplorado e maravilhoso no Guarujá, esse lugar é o canal que divide Bertioga e o Guarujá. O Canal de Santos (estuário no qual se situa o Porto de Santos) divide opiniões quando se trata de sua beleza: embora interessante, com seu porto, seu desenvolvimento e suas favelas (ver Passeio pelo Porto de Santos até o Forte de Itapema), belo ele não é… Mas o Canal de Bertioga, ao contrário, é simplesmente maravilhoso!

De qualquer forma, uma semana após comprar o veleiro, decidi levá-lo por mar para a Marinas Nacionais, velejando com meu pai Maximilian e meu irmão Alejandro.

Partindo da Marina Supmar para a Marinas Nacionais com meu “novo” veleiro Pitula I. Na proa, meu pai, também Maximilian, e de pé na popa meu irmão Alejandro.

Partimos por volta de nove da manhã e fizemos uma navegada tranquila, que durou cerca de quatro horas, a motor, pois não tinha vento. Como para alcançar a Marinas Nacionais, que fica no Canal de Bertioga, temos de dar a volta na ilha por mar, passamos por Santa Cruz dos Navegantes, Góes, Saco do Major, Guaiúba, Monduba, Prainha de Fora, Bueno, Tombo, Astúrias, Pitangueiras, Enseada, Península, Éden, Sorocotuba e Mar Casado, nessa ordem.

Depois, Pernambuco, Perequê, São Pedro, Conchas, Iporanga, Pinheiro, Camburi, Praia Preta, Praia Branca e então Bertioga, com apenas uma parada para um mergulho na Ilha do Guará (ilha desprotegida em frente ao Iporanga e não indicada para pernoite – 23º 53,028’S e 46º 7,776’W).

Parada para um mergulho na Ilha do Guará.

A parada para um mergulho na Ilha do Guará, localizada pouco antes da entrada do Canal de Bertioga (indicada pelo Farol da Pedra do Corvo na Ponta da Armação – 23º 51,419’S e 46º 7.525’W) foi só para dizer que paramos em uma ilha naquela viagem inaugural, incentivada, é claro, pelo mar muito calmo e convidativo, o tempo muito quente e o sol de rachar. Ali ficamos uns 30 minutos, nadando em águas frescas e claras, retomando em seguida a viagem. Chegamos a Marinas Nacionais por volta de duas horas da tarde.

Após dar chegada pelo rádio (ver box abaixo) e amarrar o veleiro no pontão do canal, onde nos esperavam minha esposa Zabetta e minha cunhada Cris – lembro como se fosse hoje! –, fomos ao restaurante da marina comer uma bela “macarronada à bolonhesa”, favorita do meu pai, feita pelo chef Regis, dono do restaurante na época.

Nem Pitchula, nem Norma!

Batizar o seu veleiro pode nem sempre ser tão simples como se imagina. Quando, na década de 1990, encontrei meu Mariner Ranger 26, batizado de Pitula I, o grupo Mamonas Assassinas havia feito muito sucesso com a canção “Pelados em Santos”, que falava de uma tal “pitchula”. Por causa dela, acabei precisando mudar o nome do veleiro para Orm. Não que eu não gostasse de “Pitula”, nome de um pequeno camarão e muito propício para o pequeno veleiro, mas em diversas ocasiões encontrei certa dificuldade para registrar o nome do meu veleiro nas chegadas e saídas das marinas.

Era até cômico… O que acontecia era algo assim:

Max no canal 68: Delta 45, Delta 45, aqui veleiro Pitula chamando. Copia?
Marina: Aqui é Delta 45 canal 69 por favor.
Max no canal 69: Delta 45, aqui é veleiro Pitula informando chegada à marina com três pessoas a bordo e pedindo identificação da vaga onde amarrar o veleiro pelo seu pessoal de terra.
Marina: Bem-vindo! Confirmando o nome do veleiro: Pitchula?
Max: Não, nome do veleiro é Pitula.
Marina: Sim, Pitchula.
Max: Não, não é Pitchula… apenas Pitula.
Marina: Ok! Sim, confirmado, Pitchula!

Max, já resignado: Sim, Pitchula. TKS!

Após meses enfrentando essa discussão insana pelo rádio, toda vez que eu chegava ou saía de marinas, inclusive a própria marina onde ficava meu veleiro, decidi mudar seu nome para Orm, que significa “serpente” em dinamarquês e faz parte do meu nome. Aí começou uma outra novela:

Max no canal 68: Delta 45, Delta 45 aqui veleiro Orm chamando. Copia?
Marina: Aqui é Delta 45, canal 69 por favor.
Max no canal 69: Delta 45, aqui é o veleiro Orm informando chegada à marina com três pessoas a bordo e pedindo identificação da vaga onde amarrar o veleiro pelo seu pessoal de terra.
Marina: Bem-vindo! Por favor, repita o nome do veleiro?
Max: O nome do veleiro é Orm.
Marina: Ok. Orca, vou avisar o pessoal em terra.
Max: Não, não é Orca… é Orm.
Marina: Ok! Sim, confirmado, Norma!
Max, já resignado: Não. Não é Norma, o nome do veleiro é Orm ou Oscar, Romeo, Mike…
Marina: Ok, Oscar, Romeo, Mike, bem-vindo!

Foi quando deixei de usar o nome Orm no rádio e, para facilitar, passei a usar simplesmente as letras O, R, M, descaracterizando o nome do veleiro…

Desde 1999 velejo pelo Guarujá, tendo realizado a viagem por mar entre Bertioga e Santos inúmeras vezes; contudo, a viagem pelo Canal de Bertioga fiz somente uma vez, devido a um problema que perdura há anos: a ponte levadiça da via férrea no Canal de Bertioga está sempre quebrada. Lanchas pequenas e jetskis passam sem problema, porém veleiros, seja um de 26 pés, como o Orm, seja um de 40 pés, como o Gaia 1, não conseguem passar sem que seja necessário suspender a ponte, por causa do mastro.

Em todos esses anos, fui de veleiro até a ponte várias vezes, contudo só consegui passar uma vez, em 2010, quando retornei pelo canal após uma regata promovida pelo Clube Internacional de Regatas (CIR).

Ao passar pela ponte suspensa, você encontra, na margem direita, o belíssimo prédio colonial da Base Aérea de Santos, em Vicente de Carvalho. Vale a pena o passeio só para ver esse prédio, contudo a beleza natural que esperamos encontrar ainda está por vir…

Um pouco mais a frente, nessa mesma margem, encontra-se um pitoresco estaleiro, formado por dois galpões rodeados por densa vegetação, instalado direto na margem do canal. Em seguida, após as altas torres e linhas de energia, vê-se a Ponte do Monte Cabrão, que liga Santos e Bertioga ao Guarujá, em Vicente de Carvalho, e na qual passa a Rodovia Cônego Domênico Rangoni, também conhecida como Piaçaguera-Guarujá. A ponte recebeu o nome do bairro de Monte Cabrão, o qual margeia o canal ao lado da ponte e começou a ser ocupado em 1906, durante a construção da usina hidrelétrica de Itatinga, em Bertioga. Muitos funcionários da usina, criada para ser responsável pela geração de energia do Porto de Santos, foram morar no Monte Cabrão para fazer a manutenção das linhas de transmissão que passam ali, e assim o bairro se desenvolveu.

Ao passar pela ponte, minha viagem foi interrompida, bem em frente ao bairro do Monte Cabrão. De repente, a hélice parou de empurrar o veleiro.

Era um dia frio e chuvoso de julho, em pleno inverno, quando tive de mergulhar nas águas barrentas para verificar o que havia acontecido. Inicialmente, pensei que havia perdido a hélice. No entanto, ao aumentar as RPM do motor no manche, notei que a água se movimentava ao redor da popa do veleiro e que o motor fazia força para girar alguma “massa” presa ao eixo da hélice. Imaginando que uma rede houvesse ali se enrolado, coloquei o motor em ponto morto, evitando um travamento da peça, e o desliguei. Joguei o ferro, para que o veleiro não fosse encalhar na margem. Desci até a cabine para vestir roupa de borracha, máscara e pé-de-pato e, munido de uma faca, baixei a escada e mergulhei nas águas frias e barrentas daquela região do canal.

A sensação de pular na água gelada, num dia frio e chuvoso de inverno, não é das mais agradáveis. Adicione a isso o fato de não conseguir ver um palmo a sua frente, naquela água barrenta e suja, já que as casas do bairro ao redor não contam com tratamento de esgoto, e ainda o fato de que tudo tem de ser feito usando-se apenas o tato, com a mão gelada. Pode-se imaginar a sensação e o susto quando toquei em alguma coisa mole e gosmenta no lugar onde deveria estar a hélice… Assustado, subi à superfície e respirei fundo. Tentando imaginar o que poderia ser, sem conseguir ver nada, mergulhei receoso de tocar novamente naquela “coisa”, mas a agarrei e, de um puxão, ela se soltou. Curioso, levei a coisa até a superfície, onde pude ver aliviado que era apenas um saco plástico preto daqueles de lixo, todo coberto de limo. Subi ao veleiro com o saco, para depois descartá-lo, e me troquei para continuar a viagem. Foi então que percebi a quantidade de plástico e sujeira na superfície das águas do canal e nas raízes das árvores do manguezal (na planície costeira da Baixada Santista, verifica-se a presença de três espécies de árvores de mangue: Laguncularia racemosa, Rhizophora mangle e Avicennia tormentosa).

Tirando esse evento e o problema dos plásticos, que é uma verdadeira praga em toda a nossa costa, e muito intenso em frente ao bairro do Monte Cabrão, a viagem pelo canal foi maravilhosa.

O canal de Bertioga com a Vila de Monte Cabrão (Santos) vista da ponte
O canal de Bertioga com a Vila de Monte Cabrão (Santos) vista da ponte.

Naquela ocasião, pude contemplar a maravilha que é a região de mangues que margeiam o Canal de Bertioga, tendo como pano de fundo as montanhas da Serra do Mar. Navegando pelo canal, que entra por uma região virgem e selvagem, em sua grande maioria inóspita, pode-se sentir voltar no tempo e imaginar-se na época da colonização, quando as caravelas por ali passavam.

Desligando o motor por um momento, o silêncio preenche o intervalo existente entre o som do vento, da chuva, da água em movimento e da cantoria dos pássaros pendurados nos galhos das árvores. É tamanha a paz naquele ambiente, tão isolado do mundo moderno, que os sentidos se aguçam e pode-se até ouvir o andar dos caranguejos se escondendo em seus buracos no mangue. Ou serão apenas as folhas roçando nos galhos das árvores? Sei que é imaginação, mas a sensação de paz e isolamento é tão grande que os cinco sentidos são ativados ao mesmo tempo, permitindo viver um momento lúdico e mágico. Com sorte, pode-se até mesmo contemplar a beleza da fauna do lugar, composta por tucanos, pica-paus, pacas, preás, bichos-preguiça, tatus, jaguatiricas, onças-pardas, veados e tamanduás-mirins, entre outros.

Canal de Bertioga
Canal de Bertioga

Embora com vontade de jogar ferro e viver não somente o momento, mas uma vida inteira ali, as responsabilidades me fazem ligar o motor e seguir em frente. Com os sentidos ainda aguçados, segui adiante pelos canais serpenteantes, tomando cuidado para me manter na parte profunda do canal, que nem sempre é visível: com a experiência de quem já muito navegou, fica fácil imaginar onde os bancos de areia se encontram, com base no modo como as águas do canal se movem.

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De repente, voltando à realidade, entra-se em uma grande baía, ainda rodeada pelo manguezal, com a Serra do Mar por um lado e a do Guararu pelo outro, e novamente se podem ver as construções. Apesar de acabar a magia, a beleza continua. Logo em frente, um longo píer de madeira dá a sensação de que a terra pode ser novamente alcançada; do lado direito, belas mansões criam como que uma muralha na entrada do condomínio Marina Guarujá (Badra); à esquerda, o mangue segue virgem como que indefinidamente.

Pier no Largo do Candinho (canal de Bertioga) com a serra do mar como pano de fundo.

É ali, no final da baía, perto do tal píer, que o canal faz uma curva à esquerda e segue seu rumo serpenteante até o mar. A seis nós, velocidade de cruzeiro do veleiro, chegar ao mar desde esse ponto leva cerca de uma hora e meia de pura contemplação dos diferentes tons das árvores na montanha e da civilização, teoricamente formada por pescadores, que teimam em manter suas casas nessas margens, e das várias marinas que avançam sobre o canal com suas lanchas e veleiros flutuando.

É difícil descrever em palavras tamanha beleza. Sei que não cheguei nem perto na minha narrativa, mas espero que este relato o convença a vivenciar toda essa beleza pessoalmente.

Praias para ancorar

Como toda ilha, o Guarujá é rodeado por inúmeras praias, 27 no total. As mais conhecidas e visitadas pelos banhistas são as que se encontram em frente ao mar, como Enseada, Astúrias, Conchas, Pitangueiras, Guaiúba, Pernambuco e Mar Casado, Iporanga, Branca, Perequê, Tombo, Pinheiros, Éden, Sorocotuba, Santa Cruz dos Navegantes, Preta, São Pedro e Camburi.

Existem outras praias de acesso restrito, como Monduba, de Fora e Bueno (todas dentro da área militar do Forte dos Andradas, localizado no Morro do Monduba, entre a Praia do Guaiúba e a do Tombo), ou às quais só se chega por mar, como Góes, Congava e Saco do Major, todas de frente ao mar no Guarujá do lado do Canal de Santos.

Praia do Góes
Praia do Saco do Major

O Guarujá apresenta ainda, no Canal de Santos e no de Bertioga, outras tantas praias, todas no mangue e muitas vezes sem a característica areia branca. São praias que nem nome têm, sendo conhecidas apenas pelos locais, pois nem constam das cartas náuticas (aliás, não existe uma carta náutica exclusiva do Canal de Bertioga), mas que são uma maravilha para se ancorar, desembarcar, pegar caranguejo fresco para o jantar e pernoitar.

Inclusive, saiba que existem algumas praias no Canal de Bertioga de que eu, meu filho Maximilian e meus sobrinhos Thomas e Laura tomamos posse, quando eles tinham entre 5 e 8 anos, em nossas expedições “Adventure”, realizadas no meu botinho de plástico injetado, imune a cracas e pedras. Nelas desembarcamos e hasteamos nossa bandeira, portanto são nossas – apesar de o Estado brasileiro não reconhecer nossa posse e propriedade, e de não termos nenhum documento que as comprove, além de fotos e lembranças. Mas o que importa é que as expedições foram muito divertidas, catamos muitas conchas e essas crianças de cidade grande puderam viver uma aventura incomum.

Voltando ao assunto das praias, em decorrência de sua exposição ao mar aberto, o Guarujá não possui muitas praias abrigadas para se pernoitar e, dependendo da direção do vento, como o de sudoeste, mesmo nas poucas praias onde é possível lançar ferro o veleiro fica o tempo todo chacoalhando.

Para quem faz daysailing, ancorando apenas para almoçar ou relaxar por algumas horas, é possível fundear na Praia de Santa Cruz de Navegantes (é uma região muito feia, e hoje é muito perigoso ancorar por ali – 23º 59,738’ S e 46º 18,314’ W), na Praia do Góes (23º 59,902’ S e 46º 18,876’ W) e no Congava (24º 0,118’ S e 46º 19,243’ W), todas na entrada do Canal de Santos. Também se pode lançar o ferro no belíssimo Saco do Major (24º 1,354’S e 46º 18,897’W – cuidado com a laje à esquerda de quem entra no saco!); no Guaiúba (entre o Forte dos Andradas e a Praia do Guaiúba existe um local abrigado atrás da Ilha do Mato – 24º 1,523’ S e 46º 17,599’ W); na Enseada (no lado da Península ou Costão das Tartarugas – 23º 59,579’ S e 46º 12,332’ W); em Pernambuco, próximo ao Mar Casado (23º 58,193’ S e 46º 11,006’ W); no Perequê (melhor ancoragem e a mais protegida de qualquer direção dos ventos e do mar da costa do Guarujá – 23º 56,226’ S e 46º 10,567’ W); no canto esquerdo, visto do mar, de São Pedro (23º 54,210’ S e 46º 8,977’ W); e em frente às ruínas da Igreja Ermida de Santo Antônio do Guaibê (23º 51,513’ S e 46º 8,015’ W), já dentro do Canal de Bertioga e em frente à cidade de Bertioga.

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Dentro do Canal de Bertioga é possível ancorar em praticamente toda sua extensão, tomando muito cuidado com as mudanças de marés, quando a velocidade da água na vazante ou na enchente pode chegar a 8 nós, garrando âncoras mal colocadas ou deixando o veleiro encalhado no mangue (na maré vazante/baixa).

Praia do Perequê
Península/Costão das Tartarugas – Enseada.

Já no Canal de Santos, além das marinas e do Iate Clube, também existem diversos lugares para se ancorar, porém com restrições devido ao porto (área de atracação de navios) e à possibilidade de assaltos nas áreas em frente às comunidades. Não recomendo.

Praia do Mar Casado – Pernambuco.
Praia do Congava e o Clube de Pesca.

Para quem deseja pernoitar, lembro que a maioria dos locais de ancoragem para pernoite está exposta aos ventos sul/sudeste, com exceção da Praia do Perequê, da Praia de Pernambuco/Mar Casado e da Praia de São Pedro (apesar de esta última não estar tão protegida assim), além, é claro, das marinas e do Iate Clube, no Canal de Santos. No Canal de Bertioga, onde a proteção do vento e do mar é muito boa, recomendo passar a noite em alguma das marinas do canal, todas do lado do Guarujá, por causa dos constantes assaltos.

Ainda no Canal de Bertioga, existe a Marina Guarujá (23º 55,063’ S e 46º 12,677’ W – chamada de Marina Badra, nome de seu idealizador), não muito conhecida, pois todos acham que é apenas um condomínio de luxo. Ela está de fato em um condomínio de casas de alto luxo, praticamente todas de frente a um canal particular, formado por vários “braços” que se ligam ao Canal de Bertioga, em cujos píeres os proprietários podem amarrar sua embarcação, ao estilo do que se vê em Miami, na Flórida. O problema é que só se pode amarrar nos píeres com autorização dos proprietários.

Casas e barcos na Marina Guarujá – Cuidado, os canais possuem baixo calado (2,0 em média)

Não confunda o Marina Guarujá com o Marina del Rey (23º 53,954’ S e 46º 11.461’ W), também um condomínio nas margens do canal com alguns píeres, porém constituído por pequenas casas geminadas e por diversas poitas no canal (fica ao lado da Marina Tropical – 23º  53,677’ S e 46º 11,374’ W).

É seguro pernoitar em uma embarcação no Guarujá?

Respondendo de maneira simples, direta e sem enrolação: Não é seguro!

A não ser que seja em uma das suas várias marinas ou no Iate Clube.

Entenda que esse redundante “Não” decorre não das condições do mar ou do vento, mas dos constantes assaltos às embarcações. Se for pernoitar, recomendo ancorar já de noitinha e nunca ficar mais do que uma noite no mesmo lugar, para não chamar a atenção dos assaltantes. Estes chegam geralmente em pequenos botes de alumínio, na calada da noite.

Lamento precisar ser tão explícito e negativo, mas estou sendo realista. Assim, espero estar protegendo o velejador.

Diversas ações de prevenção e proteção estão sendo realizadas pelos velejadores do Guarujá em conjunto com a Associação Brasileira de Velejadores de Cruzeiro (ABVC, de cuja seção Santos sou vice-presidente) e com a Polícia Ambiental, ações simples que reduziram significativamente as ocorrências de assalto a veleiros e embarcações de lazer no canal e na baía de Santos. Contudo, muito ainda precisa ser feito e, sinceramente, espero que as autoridades leiam isto e tomem alguma ação emergencial para resolver esse problema que tanto afeta nossa liberdade de navegar, ancorar e fazer turismo náutico.

Enquanto isso não ocorre, a capitania dos portos recomenda o seguinte para evitar assaltos no mar:

  • Não deixe o barco ancorado em local ermo;
  • Não deixe equipamentos soltos/à vista no deck ou nos botes, nem motores na água;
  • Se for dormir na embarcação, procure pernoitar em uma marina ou ao lado de um grupo de barcos;
  • Deixe sempre um tripulante de vigília;
  • Evite ficar parado no mesmo local por muito tempo;
  • Evite dar informações a estranhos ou divulgar em mídias sociais o destino do passeio;
  • Procure manter contato com embarcações próximas e avisar a polícia se perceber algum passeio de bote suspeito nas proximidades. A estratégia de assalto dos piratas passa por mapear o ambiente e programar o ataque.

De qualquer maneira, caso um assaltante venha a entrar na sua embarcação, a recomendação é nunca tentar reagir. Tente manter a calma e deixar os assaltantes também calmos. Dê tudo o que pedirem e seja até mesmo prestativo – lembre-se de que eles estão sob o efeito de um tremendo estresse e, na maioria dos casos, não têm nada a perder.

Aproveite nosso paraíso com cuidado. Apesar da recomendação no tocante à marina, o Brasil é muito bonito para se ficar só na marina.

Apoio às embarcações – maior polo náutico da América do Sul

Como mencionado no início deste artigo, o Guarujá oferece a maior infraestrutura de apoio, suporte, manutenção e serviços a embarcações do Brasil – talvez até, sem muita margem de erro, da América Latina –, devido a suas pequenas indústrias, marinas e estaleiros.

Ali podemos encontrar fornecedores de produtos e serviços para todas estas categorias, utilizadas pelas SailBrasil desde 2008: abastecimento, cabos, carretas, decoração náutica, despachante, eletrônicos, equipamentos em geral, escolas e cursos, estaleiros, marinas e Iate Clube, ferragens, infláveis, livros e revistas náuticas, madeiras e marcenaria, mastros, motores, produtos de limpeza, projetistas, rastreamento, salvatagem, seguros, serviços gerais, tintas e resinas, transportes e delivery, velerias e capas, vestuário, windsurf e kitesurf e yacht brokers.

No entanto, como ocorre com tudo o que é especializado no Brasil, e principalmente no mercado náutico, já que são poucos os fabricantes no território nacional e a maioria das peças e produtos é importada, os componentes necessários para manter, reformar ou construir sua embarcação devem ser comprados por você na cidade de São Paulo e entregues ao prestador de serviço no Guarujá. O que é mais recomendável também em razão dos preços (em São Paulo ou no exterior eles são mais baratos). Embora alguns componentes e produtos sejam encontrados nas várias lojas de produtos náuticos da ilha, sua variedade é reduzida e muitas vezes eles estão em falta. Um conselho de quem já cansou de arrumar veleiro no Guarujá: compre suas peças e componentes em São Paulo ou no exterior, e leve pessoalmente para lá.

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Vale saber que as autoridades tentaram incentivar a indústria náutica a se instalar e produzir no Guarujá, promovendo o desenvolvimento econômico (além do turismo, ao qual se limita hoje), a capacitação das pessoas em novas tecnologias e a geração de empregos. Isso foi feito por meio do hoje subutilizado e abandonado Cing (Av. Maria de Oliveira Chere – Guarujá, SP).

Gaia 1 após reparos no leme e após pintura anti-incrustante na Marina Nacionais.

O Cing

Criado em 1987, o Cing nasceu com o objetivo de constituir um complexo naval, repleto de marinas, indústrias e empresas de serviços especializadas no mercado náutico e marítimo. No entanto, as obras de aterro para tal empreendimento – que na época destruíram mais de 2 milhões de metros quadrados de exuberantes manguezais, área de abrigo e alimento para uma infinidade de animais, e que estabilizavam o fluxo de sedimentos vindos dos morros do Icanhema e Pitiú (estes ainda recobertos por Mata Atlântica) – nunca chegaram a se concluir.

Com exceção das marinas, que hoje envolvem todas as margens dos canais do Cing, a área restante está abandonada, quando muito sendo usada para criação de gado e búfalo (atividade mantidas pelos proprietários a fim de evitar invasões). Em 2004, foi autorizada a construção de um novo “imenso” estaleiro para servir de apoio às atividades de petróleo e gás na Baixada Santista, que também se encontra “semiabandonado”, após os escândalos da Petrobrás.

No entanto, por incrível que possa parecer, essa reduzida infraestrutura composta por pequenas marinas instaladas no Cing (e algumas outras, de menor impacto, no Canal de Bertioga) e por diversos prestadores de serviço especializados em embarcações, eleva o Guarujá a maior polo náutico brasileiro e até mesmo latino-americano, empregando inúmeras pessoas que atendem praticamente todas as necessidades do mercado náutico amador e, em menor escala, do marítimo (profissional). Imagine se o Cing estivesse totalmente consolidado e atendendo plenamente o objetivo previsto em sua concepção…

As marinas e o Iate Clube

As marinas e o Iate Clube instalados no Guarujá estão entre os melhores do Brasil.

Apesar de o tipo de embarcações que utilizam essas marinas serem majoritariamente as lanchas, os veleiros são os mais utilizados pelos seus proprietários, e, nos finais de semana, suas velas hasteadas podem ser vistas aos montes, principalmente na Baía de Santos.

Um dos motivos para o Guarujá contar com tamanha infraestrutura de serviços e guarda de embarcações de lazer é o fato de a cidade de Santos não possuir praticamente nenhuma marina ou infraestrutura para guarda de embarcações, a não ser aquelas próximas à Ponte Pênsil, em São Vicente (ponte de madeira construída em 1914, com 180 metros de comprimento e sustentada por cabos), cujo baixo vão entre ela e o mar não permite a passagem de veleiros, somente de lanchas pequenas. Por esse motivo, o pessoal de Santos sempre guardou suas embarcações no Guarujá, promovendo assim, ainda mais, o desenvolvimento da indústria náutica da ilha.

Abaixo, veja a relação das marinas que realizam guarda de veleiros (há outras marinas, que no entanto não oferecem estrutura para atender aos veleiros) no Guarujá:

Nome – Telefone – Site

Além das praias, algumas outras atrações turísticas do Guarujá

Pavilhão da Maria Fumaça

Entre 1892 e 1910, os turistas que chegavam ao Guarujá pegavam a Maria Fumaça, trem a vapor que fazia o percurso de Itapema até a frente do Grande Hotel, na Praia de Pitangueiras. O trem incluía também um pequeno ramal entre o Guarujá e o atual bairro de Santa Rosa, em frente ao bairro da Ponta da Praia, em Santos. A visitação é gratuita e o pavilhão está exposto no cruzamento da Avenida Puglise com a Avenida Leomil, no centro da cidade.

Ilha do Arvoredo

A Ilha do arvoredo situa-se em frente à Praia de Pernambuco. Com uma área de 36 mil metros quadrados, ela serve de palco para pesquisas ecológicas e científicas. A ilha foi cedida em 1950 pelo Serviço de Patrimônio da União ao engenheiro mecânico Fernando Eduardo Lee, para fins científicos. Após a morte do idealizador da estação científica, em 1994, a ilha passou a ser administrada pela Universidade de Ribeirão Preto, que hoje está à frente da direção da fundação que leva o nome do engenheiro e controla a visitação.

Ilha do Arvoredo.

Armação das Baleias

Localizada próximo ao Ferry Boat Guarujá-Bertioga, a Armação das Baleias foi um importante marco econômico colonial nos séculos XVIII e XIX. Ela foi a primeira indústria extrativista da ilha, praticando a extração do óleo de baleia, destinado à iluminação pública e ao aproveitamento de seus derivados. Havia uma sucursal da Armação das Baleias na Praia do Góes, hoje inexistente.

Ermida do Guaibê e Fortaleza de São Felipe ou São Luiz

A capela do século XVI é encontrada na região próxima à Armação das Baleias. Feita de pedra e óleo de baleia, é tida como capela quinhentista de Santo Antônio, construída por José Adorno e frequentada pelo Padre Anchieta, que nela haveria rezado missas e catequizado índios. A Fortaleza de São Felipe ou São Luiz, localizada junto à ermida no extremo da ilha, é mundialmente reconhecida por causa do livro de Hans Staden que, em 1553, foi nomeado comandante da Fortaleza de Bertioga e, no ano seguinte, aprisionado pelos tupinambás, permanecendo cativo por nove meses na aldeia do chefe Cunhambebe. Ambas as construções estão totalmente em ruínas.

Estação Ecológica de Sorocotuba

Localizada no Mirante do Sorocotuba, também conhecido como Mirante Santa Fé, a estação é um local de rara beleza, uma reserva da Mata Atlântica com costeira rochosa e duas praias desertas de águas cristalinas (Éden e Sorocotuba).

Sambaqui

O Guarujá abriga um dos sambaquis (aglomerados de conchas) mais antigos do país. Segundo arqueólogos da Universidade de São Paulo (USP), essas estruturas foram construídas por civilizações pré-históricas há mais de 8 mil anos, com o intuito de ser um local sagrado e de rituais fúnebres. O do Guarujá foi batizado pelos estudiosos como Sambaqui Monte Cabrão e já conta com registro no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como parte de um sítio arqueológico na cidade.

Farol da Moela

O mais antigo farol do litoral de São Paulo, inaugurado em 1830, situado na Ilha da Moela, ainda hoje está em plena atividade, sendo um dos mais importantes do país, já que serve de referência para todos os navios que chegam ao Porto de Santos. O farol pode ser avistado da Praia do Tombo, mas não está aberto à visitação.

Ilha da Moela.

Aquário Acqua Mundo

Imperdível para quem viaja com crianças, o Acqua Mundo é um dos maiores aquários da América Latina. Nos tanques gigantes estão cerca de 3 mil animais aquáticos de 180 espécies, como peixes de água doce e salgada, tubarões, pinguins, tartarugas, arraias, répteis e lobo marinho. Também faz sucesso o Tanque de Contato, onde ouriços, estrelas-do-mar e filhotes de tubarão podem ser tocados. Bastante concorrida é a alimentação dos pinguins, que pode ser acompanhada de perto, duas vezes ao dia.

Mirantes

As belezas naturais do Guarujá podem ser apreciadas de vários mirantes. No Morro do Maluf e no Mirante da Gávea, podem-se contemplar as praias de Pitangueiras e da Enseada. O Mirante da Ponta das Galhetas, entre as praias do Tombo e de Astúrias, descortina a Ilha da Moela. Já o Morro do Sorocotuba tem a Mata Atlântica como cenário. Para curtir o pôr do- sol, siga para o Costão das Tartarugas.

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Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande

Erguida pelos espanhóis em 1584, a fortaleza oferece visão panorâmica do Porto de Santos. Restaurada pelo Iphan, ela teve sua Casa de Pólvora transformada em capela, ornamentada com um gigantesco painel de mosaico assinado pelo artista plástico Manabu Mabe. Ela se localiza na entrada do Canal do Porto de Santos e o acesso por terra é pela estrada que leva ao bairro de Santa Cruz dos Navegantes.

Fortaleza de Santo Amaro.

Paróquia Nossa Senhora de Fátima e Santo Amaro

Paróquia central da cidade do Guarujá, administrada pela Congregação Salesiana e pertencente à Diocese de Santos.

Forte dos Andradas

Situado na Praia do Tombo, o Forte dos Andradas conta com uma linda vista panorâmica do Guarujá e da Baía de Santos, constituindo um exuberante ponto turístico. Inicialmente denominado Forte de Munduba, foi a última grande estrutura defensiva fixa erguida no país, formando um sistema com o Forte de Itaipu, na defesa do acesso à barra do Porto de Santos. Aberto a visitação, oferece visita monitorada a seus elementos históricos, como os canhões que protegiam nossa costa.

Forte do Itapema

A poucos metros da estação das barcas de Vicente de Carvalho, o Forte do Itapema, ou Vera Cruz de Itapema, ou ainda Santa Cruz de Itapema, é uma das mais antigas edificações do Brasil. Estima-se que ele tenha sido construído no século XVI com a finalidade de defender o estuário da Vila de Santos. Atualmente, o forte está fechado à visitação pública (ver artigo Passeio pelo Porto de Santos até o Forte de Itapema).

Forte de Itapema em Vicente de Carvalho.

Algumas das trilhas mais populares na região

  • Trilha do Conde: dentro de uma área de propriedade particular administrada pelo Instituto Litoral Verde, a Trilha do Conde situa-se no quilômetro 14,5 da Estrada Guarujá-Bertioga, na Serra do Guararu. Além da caminhada por quatro trilhas ecológicas, permite que seus usuários pratiquem esportes de aventura, como rapel, tirolesa e slackline.
  • Praia de Camburi: totalmente deserta, tem 300 metros de extensão, com águas claras e um pequeno rio formado em nascentes no alto da floresta, que descem por uma cachoeira carinhosamente chamada de Camburizinho. Localizada na Serra do Guararu.
  • Trilha Ecológica do Forte de São Felipe: com início junto à balsa Guarujá-Bertioga, leva à ponta leste da Ilha de Santo Amaro. No local, somente ruínas do forte.
  • Praia Branca: também com início junto à balsa Guarujá-Bertioga, a trilha de fácil trajeto leva a uma das mais belas praias do Brasil.
  • Ponta Grossa: com saída na Estrada de Santa Cruz dos Navegantes, leva à Praia do Congava.
  • Camburizinho: situada na parte norte da Ilha de Santo Amaro, a trilha ecológica oferece uma vista extraordinária das praias Branca e Camburi. Esse roteiro é interessante por atravessar vários ambientes, como foz de canal, ruínas dos séculos XVI e XVII, costão rochoso, ambiente marinho, vila caiçara, mata atlântica de encosta e foz de rio em praia deserta.
  • Sangaba: trilha localizada próximo à Fortaleza da Barra Grande, que pode ser vista por Santos, passando pela Praia do Góes, onde está localizada uma pequena vila de pescadores.

Estrada Parque da Serra do Guararu

Parque concebido por causa da preocupação da Sociedade Amigos do Iporanga (Sasip) com a situação dos últimos remanescentes de Mata Atlântica do município, uma região de 4 mil hectares na Serra do Guararu. Assim, a Sasip realizou uma parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica para conceber e administrar o parque. A Estrada Parque da Serra do Guararu está localizada entre os quilômetros 8 e 22 da Rodovia SP-61. No quilômetro 17 há um Centro de Educação Ambiental e Estudos do Mangue, base do programa na região, onde monitores da SOS Mata Atlântica fornecem informações para os turistas.

Meu filho saindo da água após surfar na praia de Pernambuco.

Surfe

As principais praias para o surfe são: Tombo, Pitangueiras, Enseada, Pernambuco, São Pedro e Iporanga.

E finalmente

Com uma natureza exuberante espalhada por suas 27 praias, caracterizadas por belezas totalmente diferentes umas das outras, na década de 1970 o Guarujá foi reconhecido internacionalmente na como a “Pérola do Atlântico”.

Atualmente, a cidade se mantém como referência nacional na qualidade de suas praias, e o desenvolvimento econômico das últimas décadas trouxe grandes investimentos ao setor portuário, náutico, hoteleiro, empresarial, imobiliário e do comércio.

Hoje o Guarujá é o destino ideal para quem deseja desfrutar das belezas naturais brasileiras e garantir um passeio com muita diversão e cultura, inclusive na água.

Espero que tenha gostado e visite o Guarujá!

Bons ventos

Max Gorissen

Velejador, escritor e editor da SailBrasil.com.br… nessa ordem!

Velejando na baía de Santos a bordo do veleiro Gaia 1.


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