Aparentemente, não existe uma resposta errada para os novos monocasco AC75.

Com quatro veleiros AC75s lançados e planando (foiling) com sucesso, fica a pergunta: O que aprendemos sobre os vários designs escolhidos por cada uma das equipes para a primeira geração de seus veleiros?

Uma coisa parece clara – que existe mais de uma maneira de criar um veleiro monocasco de 75 pés que “voa” acima da água em seus foils – fato evidenciado pelos quatro veleiros de aparência totalmente diferente.

Existem muitas maneiras de comparar e contrastar a aparência dos quatro veleiros. Por exemplo, a proa em forma de “charuto” do American Magic’s Defiance comparado com as impressionantes “obras mortas” retas (bordo/lateral do casco) e a “pontiaguda” proa do Britannia da Ineos Team UK.

Além disso, podemos claramente comparar o fundo plano dos veleiros americanos e britânicos contra a forma arredondada e o formato em V dos cascos dos veleiros da Emirates Team New Zealand e Luna Rossa Prada Pirelli, respectivamente.

Photo credit: Luna Rossa Prada Pirelli Team / Carlo Borlenghi

Quanto mais você olha, mais diferenças encontra, e pode ser tentador simplificar demais as coisas, apenas afirmando: “Alguém vai estar certo e alguém vai estar errado”.

Mas esse é realmente o caso? E se, de fato – nesta fase – ninguém estiver 100% certo ou 100% errado?

Dado que todas as quatro equipes já estão planando (foiling) seus revolucionários veleiros poucos dias após o seu lançamento, não será possível que as quatro apresentem projetos competitivos, onde o desempenho pode variar apenas marginalmente com base nas condições climáticas e na velocidade com que as tripulações aprendam a navegar nelas?

Photo credit: INEOS TEAM UK / Harry KH

Embora as equipes já devam ter um pressentimento de quem, entre eles, é mais rápido ou mais lento e em quais condições, manterão essas informações guardadas a sete chaves por agora.

Isso significa que, o resto de nós, terá que esperar seis meses até que todas as equipes se reúnam pela primeira vez para os quatro dias consecutivos de regatas da abertura da America’s Cup World Series em Cagliari, Sardenha, que acontecerá nos dias 23 e 26 de abril 2020, para saber quem, se alguém, conseguiu desenvolver alguma vantagem competitiva sobre as outras equipes.

Por enquanto, tudo que podemos fazer é continuar examinando as fotografias e assistir os vídeos que as equipes disponibilizam em busca de evidências que apoiem nossas teorias especulativas sobre o que as equipes estão tentando fazer para dominar seus AC75s.

Photo credit: Emirates Team New Zealand

No entanto, a realidade é que existem tantas diferenças entre os quatro veleiros que não daria para ver, mesmo que estivéssemos navegando lado-a-lado com um desses veleiros, quais são essas vantagens.

Essas são as diferenças ocultas aos nossos olhos e que são intrínsecos a cada sistema que controla as abas dos foils, que determinam a forma aerodinâmica das velas 3-D e que constantemente estão mudando o shape das lâminas da dupla camada da mestra, além, de uma infinidade de outros elementos extremamente complexos que compõem a engenharia desses AC75.

Como efetivamente equilibrar a complexidade e a funcionalidade desses sistemas com a confiabilidade geral do veleiro estará, sem dúvida, no topo da lista de problemas que manterão as equipes de projeto e os velejadores acordados à noite.

Talvez não conheçamos muito sobre os conceitos críticos destes veleiros antes da 36ª edição da America’s Cup, contudo, estes poderiam facilmente ser a diferença entre sucesso e fracasso quando a fase competitiva começar.

Photo credit: NYYC America Magic / Amory Ross

Uma pergunta que ainda está para ser respondida diz respeito à posição da tripulação ao manobrar os AC75s. Dado que os cockpits onde os velejadores comandam o veleiro serem centrais em todos os quatro veleiros e que, em todos a tendência da vela mestra é de “varrer” o convés ao mudar de bordo,  como a tripulação fará para mudar de lado sem que a vela o “carregue”?

Com 11 pessoas na tripulação, claramente, nem todo mundo estará correndo de um lado para o outro nos bordos e nos gybes. Há rumores de que algumas equipes movem apenas um punhado de velejadores de cada vez, enquanto outras, acredita-se, estão fazendo experiências com dois timoneiros, um de cada lado do barco.

É uma abordagem radical com certeza, contudo, como a equipe que conseguir manter o veleiro no ar em uma regata provavelmente sairá e terminará em primeiro lugar, é uma técnica que vale a pena tentar.

Para saber mais sobre os novos veleiros AC 75 pés da America’s Cup 2021 leia:

Sobre a America´s Cup:

O America´s Cup (nome do evento e do troféu) é o troféu mais antigo do esporte internacional, tendo sido entregue à escuna de nome América em 1851, após derrotar as melhores escunas da frota britânica em uma regata ao redor da Ilha de Wight. O troféu, entregue naquele dia, foi “dado em confiança” através de uma “Ação de fidúcia” (Deed of Gift) e, desde então, se tornou um dos maiores símbolos de conquista do mundo dos esportes.

A America´s Cup está atualmente sob a guarda do Golden Gate Yacht Club de San Francisco que, em 25 de setembro de 2013, através da sua equipe, a ORACLE TEAM USA, conseguiu o maior feito de recuperação na história de qualquer esporte (leia as notícias da AC 2013 postadas na SailBrasil NEWS na época), para ter o direito de manter o troféu que tinha recuperado para os USA em 2010. Em 2017, a equipe Emirates Team New Zealand (ETNZ), recuperou o troféu para a Nova Zelandia.

Para maiores informações sobre a America´s Cup, visite o site oficial em: www.americascup.com

Para desenvolver este texto, utilizei informações do Press Release sobre os novos veleiros AC75: Maximilian Immo Orm Gorissen – Editor SailBrasil.com.br e Full Member – Yachting Journalist´s Association – UK

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