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Humor: É certo que, talvez, tenha acontecido assim… Nº 3

Lancei em 03/01/2020 uma nova coluna de “humor”, com relatos sobre náutica que “certamente”, se não estou totalmente enganado, foi o que realmente aconteceu... espero que se divirta com situações inusitadas da náutica brasileira, descritas em textos curtos, como se estivéssemos “bate-um-papo” no bar… e aqui vai o terceiro;

Um dia, relaxando no deck ancorado em Cananeia – SP, comecei a observar marimbondos voando pelo barco. Por experiência anterior, sei que isso significa que estão fazendo um ninho por ali. Nem precisei procurar muito, bastou identificar a concentração dos insetos no púlpito de proa, na conexão com o guarda-mancebo, para saber onde estavam fazendo o ninho. Para combater os marimbondos, minha arma, a mesma que usei da outra vez que isso aconteceu (quando tentaram fazer o ninho na retranca) foi uma embalagem de spray SBP para mosquitos e pernilongos, aplicando a favor do vento para acertar o ninho. Essa estratégia só tem um problema: é necessário segurar a embalagem de spray a uns 30 centímetros do ninho, e os marimbondos não gostam nada nada disso. Como eles estavam se instalando no púlpito de proa, eu só podia me posicionar para o ataque por fora do veleiro. Então subi no botinho e fui no motor até a proa, me segurei na barra oposta do púlpito, estendi o braço até que o spray estivesse a uns 30 centímetros do ninho, e apertei o borrifador, regulando o ângulo do jato em relação ao vento para que o borrifo acertasse o ninho bem no meio. Não preciso dizer que, assim que o primeiro borrifo acertou o ninho, foi uma revoada de marimbondo para todo lado! É necessário ficar borrifando até que todos os marimbondos desistam do local – ou será a rainha?… Por isso, mantive a ação por uns dois ou três minutos e, a cada aproximação de um inseto ao meu rosto, parava de borrifar o ninho e borrifava o marimbondo… É um desespero! Minha alternativa para o caso de os marimbondos começarem a me picar era me jogar na água. Quando o púlpito estava quase sem marimbondos, não sei por que (talvez a rainha tenha se liberado e estava muito brava), os marimbondos começaram a vir para cima de mim em enxame! Engatei o motor do bote e saí dali a toda. Mas os marimbondos começaram a me seguir. Foi então que passei a apontar o borrifo para trás, tentando acertar os marimbondos em pleno voo, sem ao menos olhar para onde ia: foco total nos insetos! De repente, não sei como, o costado do veleiro surgiu a minha frente, a uns 5 metros da minha proa! Girei o manche do motor de popa do botinho com tamanha força para evitar bater no veleiro, que ele deu um cavalo de pau e quase me faz cair na água. E os marimbondos em cima de mim! Mudei o rumo, acelerei novamente e continuei a borrifar. O spray estava quase terminando… Olhei para o píer e vi uma plateia que acompanhava tudo, mas duvido que tenham entendido o que realmente se passava, pois daquela distância era impossível ver os marimbondos. Deviam pensar que o velejador que ali chegara era louco e estava tentando pulverizar o entorno do seu veleiro contra insetos! De qualquer forma, em algum momento os marimbondos pararam de me perseguir e, voltando ao veleiro, sem uma única picada, tive de limpar o monte de insetos que jaziam mortos no meu deck e matar os últimos que ainda se aventuravam por ali, talvez à procura do ninho ou de sua rainha. Depois que tudo terminou, fiquei triste por ter matado toda uma comunidade…, mas não poderia deixar prosperar um ninho de marimbondos bem no púlpito do meu veleiro! até hoje, acredito, falam em Cananeia do velejador louco que tentava pulverizar o entorno do seu veleiro contra insetos!

É certo que, talvez, tenha acontecido assim…

Leia o primeiro relato clicando aqui e o segundo clicando aqui.

Bons ventos!

Max Gorissen

Velejador, escritor e editor da SailBrasil.com.br… nessa ordem!

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About Max Gorissen
Sailor, writer and editor, in that order...

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