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Veleiro Fast 395

Veleiro Catú - Foto: Rogério Artacho

Nos anos 80, os veleiros fabricados no Brasil na faixa dos 40 pés, aumentou com um novo modelo de sucesso comprovado no exterior, o veleiro Fast 395.

O Fast 395 é um veleiro classe IOR, One Tonner, com design de German Frers, inicialmente fabricado pelo Astilleros Frers y Cibils S.A. na Argentina com o nome FyC 40 ou F&C 40, até que a Fast Yachts adquiriu os planos e os direitos de fabricação do veleiro, que chamou de Fast 395 no Brasil (seguindo a nomenclatura do estaleiro).

É um veleiro concebido em uma época em que o importante era ser marinheiro e rápido, não uma casinha, com uma concepção de Gentleman-Racer, onde o proprietário levava seus amigos para uma regata e pernoitava confortavelmente no veleiro.

A premissa é que sejam rápidos, seguros, marinheiros, refinados, confortáveis e muito ágeis em uma regata, tanto de percurso, quanto de boia.

Características

Estaleiro: Fast Yachts Ltda. – São Paulo – SP e algumas unidades pelo Kadú do Rio de Janeiro

Período de Produção no Brasil: 1988 a 1993

Modelos: Fast 395 e Fast 395 II

Classe: Originalmente para a classe IOR e hoje pela IMS ou pela RGS

Armação/ Tipo: Sloop / Regata ou Standard (cruzeiro)

Projeto: German Frers (http://germanfrers.net/)

Desenho:  Baseado no FyC 40 (saiba mais sobre o modelo Gaia 1)

Material do casco: Fibra de vidro

Categoria: Mar aberto

Propulsão: Pé de galinha ou saildrive

Pernoite: 7 pessoas

Comprimento: 12,24 m (FyC 40 = 40’2″ ou 12,50 m)

Linha d’água: 9,50 m (FyC 40 = 9,30m)

Boca: 3,87 m (FyC 40 = 3.82m)

Calado: 1,80/ 2,20 m (FyC 40 = 2,07m)

Área velica (Mestra e Genoa): 74,00 m²

  • I: 16.35 m
  • J: 4,62 m
  • P: 14,13 m
  • E: 4,35 m

Área vélica (Balão): N/D

Deslocamento: 6.900 kg (FyC 40 = 6.555Kg)

Lastro: 2.500/ 2.800 Kg

Altura interna da cabine (máxima): 1,90 m

Tanque de água: 400 litros

Tanque de óleo: 110 litros

Motorização recomendada: 28 a 40 hp

Design

Quando a Fast adquiriu os planos do FyC 40 para produzir o Fast 395, o German Frers enviou um desenhista para São Paulo para reproduzir o projeto do plano de linhas em tamanho real. A partir desses desenhos, foi produzida a estrutura de madeira (cavernas) que sustentaram o plug de madeira, sobre o qual foi laminado o molde. Tudo foi feito na Fast da Avenida Nações Unidas em São Paulo.

Planos Fast 395 – Copyright German Frers
Design e medidas do leme do Fast 395

Baixe aqui o manual de fábrica: 

Propaganda de época

A propaganda na revista dizia: “Fast 395. Vitorioso dos mares brasileiros, este legítimo GERMAN FRERS traz em sua versão 91, um desenvolvimento tecnológico que o confere a condição de um “FRERS” de novíssima geração.

Com duas opções de quilha – bulbo ou asa -, acesso para a cabine totalmente redesenhado, aperfeiçoamento nas configurações do mobiliário, tudo isso fruto de um constante processo de avanços tecnológicos que só a consagrada qualidade FAST pode assegurar, o Fast 395 traduz o prazer maior de navegar em condições de conforto total, com extrema segurança.

Ao final de 90, a Fast lançou a quadragésima unidade do 395, o que constitui prova maior do sucesso deste produto que consagra Frers como um excepcional projetista de barcos de cruzeiro rápido, extremamente adequados a velejadas em constas brasileiras, onde predominam ventos de médios a fracos e as distâncias exigem deslocamentos constantes e longas permanências à bordo.

Neste e nos próximos verões, é nossa firme intenção “lancá-lo” ao mar.

O departamento Comercial da Fast está a sua inteira disposição. Confira nossos planos de pagamento, extensivos aos demais produtos da nossa linha – Fast 310, Fast 500 e a Fishing Machine Fast 275-.

Veleiro Gaia 1, ex Navy Blue, um FyC 40 1987, veleiro que, “parece”, levou a Fast a adquirir o modelo de German Frers e lançar o Fast 395 no Brasil .

Como Navega

O barco tem um bom desempenho tanto em ventos fortes, quanto fracos. Na velejada de popa, devido ao formato do casco, é um pouco instável. Veleja muito bem na orça e no través.

Veleiro Catú – Foto: Rogério Artacho

Casco e Deck

Destinado a regatas oceânicas em mar aberto, é um veleiro com casco de linhas muito esportivas e elegantes.

Por possuir borda livre (costado) baixa e uma grande área vélica, é um barco muito rápido para seu tamanho.

A forma do casco é característica da Classe IOR/ One Tonner, com a proa que se alarga em forma de cunho até um pouco depois da meia nau e se estreita em ângulo fechado até a popa que forma um V (veja projeto).

O angulo no qual o Fast 395 Allegro V foi fotografado, permite ver claramente como o cockpit se integra à entrada da cabine. As duas gaiutas vistas em baixo do traveller da mestra, são de iluminação da cabine de popa.

Ajuda muito na estabilidade do veleiro a entrada em cunha na linha d’água e o fundo chato na proa, que podem ser visto nas fotos a seguir.

Interior

Nessa versão com duas cabines e dois banheiro, o Fast 395 (Veleiro Infinito – matéria da edição No. 6 da SailBrasil Magazine) possui ainda uma ampla sala de estar e jantar, cozinha a bombordo a partir de meia nau para a popa, mesa de navegação a boreste bem no pé da escada, com um interior construído em madeira de tonalidade “loira”, que reflete a luz dando uma sensação de luminosidade natural muito agradável.

Mastreação

O veleiro possui uma mastreação de alumínio com dois ou três pares de cruzeta, armação de tope (o estai de proa é preso direto no tope do mastro) com um par de estais volantes (running-stays) e um babystai avante ao mastro (que pode ser hidráulico). Para tracionar o estai de popa, o veleiro possui um esticador com sistema hidráulico.

Quilha e leme

Diversos tipos de quilhas foram instaladas nos Fast 395, desde as trapezoidais até as elípticas. Em termos de desempenho as quilhas não mudam muito, é mais uma questão de “modismo” de época e designer. Diferenças em desempenho começaram a aparecer quando se mudou o centro para baixo através dos bulbos.

Detalhes

Estaleiro Fast Yachts

A Fast Yachts surgiu de uma viagem de negócios à Inglaterra, onde, o Sr. Nelson de Sampaio Bastos, no ano de 1980, ao ver em um jornal Londrino um anúncio de venda do estaleiro Fast Yachts (Inglaterra), foi até a empresa e comprou os moldes e os acessórios dos veleiros.

Leia a história completa do estaleiro em: Estaleiro desativado: Fast Yachts Ltda

Matérias da época

Veja algumas matérias da época… todos possuem Copyright de seus autores/ publicações.

Clique na capa acima para baixar: Revista Mar, Vela e Motor – Ano XII – No. 131 – Maio/ 1988 – Texto: Ricardo Lebreiro – Fotos: Alberto Sodré – Matéria sobre os “novos” Fast 395.

Veleiros conhecidos (se faltar algum nos avise!)

  • Aera II – Número: 46 – Ano: 1991/91 (ainda Fase I por opção do proprietário – veja abaixo)
  • Aldebaran (Jylic-II) – Número: 49 – Ano: 1992
  • Allegro V (ex. Allegro II) – Número 31 – Ano: 1991                     
  • Alucinante (Aventura)
  • Aramis – Número: 64 – Ano: 1993
  • Ardentia 2 – Número: 67 – Ano: 1993
  • Arjuna III                          
  • Astrolábio                        
  • Atlântico                           
  • Atmosphera                     
  • Ballerina (Jilsar)
  • Balu                    
  • Blups – Ano: 1989
  • Bom Vivant                      
  • Catavento                        
  • Catu – Número: 1 – Ano: 1988
  • Charada – Número: 58 – Ano: 1992
  • Coco Loco                        
  • Condor               
  • Dara – Número: 57 – Ano: 1992
  • Desgarrado                      
  • Energia               
  • Follia                   
  • Futuro                
  • Giramondo (Via Láctea)
  • Hot Day
  • Infinito                 
  • Josete IV (Pinote)  
  • Joshua       
  • Keela Wee         
  • Kangaroo                         
  • Kauan (Redboy) – Número: 37 – Ano: 1990
  • Kolberg
  • Krishna (Capin Canela 2, Feitiço e atualmente em 2020: Farândola) – Número: 59 – Ano: 1992
  • Le Kiwi                
  • Lelial W
  • Liva 1 – Número 14 – Ano: 1989            
  • Lobo (Xaxinha)
  • Loco&motion                  
  • Maculelê                          
  • Mahi Mahi – Número: 34
  • Maneco II – Número: 26 – Ano: 1990    
  • Mantra 2                          
  • Maranata
  • Mardapen (ex. Zedumar II, Prana 2, Aquabon e Rock’n Roll) – Ano: 1991 – Fase II        
  • Mistral                
  • Mythos – Número: 5 – Ano: 1989
  • Narwal               
  • NEWS                 
  • Oceano              
  • Palonik Balaton
  • Panda 2                            
  • Papalanga
  • Paragon              
  • Pasárgadas                   
  • Rajada III (Flamy)
  • Rock’n Roll (Animale)
  • Samaron
  • Saudade                            
  • Sky Dive                            
  • Sol Maior                         
  • Super Hombre (Sem Rumo)
  • Sussurro I – Ano: 1997 
  • Swanky               
  • Tabasco                            
  • Talismã              
  • Tikvar (Papa Moa)
  • Together – Número: 60 – Ano: 1992
  • Tuchaua                            
  • Typhoon                           
  • Vanguarda (Drakkar, Redondos) – Número 51 – Ano: 1991
  • Ventania                           
  • VMAX
  • VoRai           
  • Wind Whisper                 
  • Winner               
  • Zap – Ano: 1989

Outros dois veleiros que não constam da lista acima, já que foram construídos sob encomenda “antes” da criação do Fast 395 “Cruzeiro” pela Fast Yachts, ainda assim com o mesmo design One Tonner do German Frers, são o veleiro Tucano e o Daphne, construídos especialmente para regatas e que, além de possuírem um interior espartano, possuem uma área velica um pouco maior que a dos Fast 395 com a vela Grande com 45 m2, a Genoa 1 com 47 m2 e o Balão com 108 m2, comparados com os 31 m2, 59 m2 e 134 m2 respectivamente do Catú, o primeiro Fast 395 “Cruzeiro” a ser fabricado no ano de 1988.

Outras informações:

Informação fornecida por Ramiro Eli – Oi Max! Apenas algumas informações adicionais:

  • o Aera II pertenceu ao meu pai, que o comprou novo. Era 91/91. Deveria ter sido o primeiro da Fase 2, mas meus pais decidiram manter o layout original. Também foi o 1º 395 com mastreação Spark Kraft.
  • o Khrishna, mudou de nomes na sequência: Capim Canela, Feitiço e atualmente Farândola, está em Floripa. Ele é o único com casco e convés em Divynicel. Este veleiro possui mastro com cruzetas anguladas (que dispensa o uso do running), mastro trocado pelo anterior depois de ter quebrado na regata de Alcatrazes por boreste em 2010. A quilha deste veleiro também é maior, sendo de 2,40 metros.
  • o Rock & Roll tinha o mesmo cockpit, mas era feito em resina poliéster.
  • o Together tem mastro 3 cruzetas, além dele, somente o Rock&Roll e o Khrishna.
  • Também sobre running stay, o Aera II nunca teve, assim como os demais com mastreação importada.
  • Algumas unidades foram fabricadas pelo Kadu no Rio.
  • O 395 Kangaroo teve um episódio inusitado. Esse barco pertencia ao “Rodão” que era dono da viação Gato Preto e o barco ficava no pier da marina Bracuhy. Certo dia notaram a falta do barco na vaga e meses depois do sumiço receberam a noticia de que fora localizado no litoral da Africa do Sul, com dois brasileiros a bordo. Eles foram presos pois estavam furtando eletrônicos de outros barcos fundeados na região. O barco retornou navegando com um skipper contratado. Pouco tempo depois o Rodão vendeu o barco.

Foto do Stand da Fast e do Fast 395 no São Paulo Boat Show de 1988:

Fast 395 no São Paulo Boat Show de 1988 – Foto: Maximilian Immo Gorissen
Proa do Fast 395 no São Paulo Boat Show de 1988 – Foto: Maximilian Immo Gorissen

Fotos de Veleiros Fast 395

Contribuíram para esta matéria com informações ou fotos: 

  • Fábio Navas Machado – Capitão do Veleiro Mardapen – Site: https://www.mardapen.com.br/ – com informações e fotos do Mardapen.
  • Rogerio Artacho – Veleiro Catú – com fotos.
  • Ramiro Eli – forneceu uma série de informações sobre vários veleiros.
  • Eucherio – enviou informações sobre outros nomes de veleiros.
  • Campos Maia – forneceu informações sobre a produção dos plugs e laminação descrita em “Design” acima.
  • Dalmo Vieira Filho – contribuiu com fotos e informações sobre o local dos números dos Fast 395

SailBrasil: O bom e velho veleiro

Desde o seu lançamento, a SailBrasil desenvolve um conteúdo focado no que interessa aos 99% dos velejadores e proprietários de veleiros… sim, você, que aproveita sempre que pode para velejar no seu veleiro, que tenta realizar a maior parte das manutenções, que está sempre em busca de como melhorar a sua velejada ou o seu veleiro e que busca inspiração em outros velejadores.

Sim, você, que como eu, possui e mantém um veleiro de cruzeiro ou de regata um pouco mais “antigo” … o “Bom e velho veleiro”.

ORM-Max

Como você sabe, hoje, a grande maioria dos veleiros que estão em uso no Brasil não são novos, assim como também, a grande maioria dos velejadores hoje no Brasil não está pensando em comprar um veleiro novo… a grande maioria, hoje, se for comprar um veleiro, este será um veleiro usado… o “Bom e velho veleiro”.

Como sei que é muito difícil no Brasil encontrar informações sobre os diversos “antigos” veleiros produzidos em algum momento pela indústria nacional, decidi criar uma nova categoria na SailBrasil na qual vamos nos concentrar em pesquisar, identificar, compilar e disponibilizar as informações de “todos” (os que pudermos identificar) os veleiros já produzidos em série no Brasil.

Sim, são muitos modelos e, como tudo no Brasil, não existe registro disponível ou de fácil acesso… então… vamos ter de ir devagar… curtindo a viagem… conversando, pedindo informações e trocando ideias com a comunidade da vela… como um velejador que, pacientemente, aproveita os ventos para chegar ao seu destino.

Com esta ação, a SailBrasil segue seu objetivo de disponibilizar informações para que você possa:

  • Estar atualizado com o que acontece no mundo da vela;
  • Conseguir as informações de que precisa para construir, reformar, manter ou melhorar seu veleiro/velejada;
  • Prover um lugar onde velejadores de recreação possam encontrar informação e dicas para cruzeirar ou competir no Brasil.

Veja os veleiros que já estão disponíveis no menu principal na categoria “Veleiros > Modelos de veleiros” e, se algo faltar ou encontrar algo errado, entre em contato no e-mail gorissen @sailbrasil.com.br e nos informe para que possamos realizar a correção.

Também ficamos muito felizes se apenas escrever umas linhas de incentivo…

Bons ventos!

Max Gorissen

Veleiro Gaia 1 – F&C 40 – 1987… o “Bom e velho veleiro” … 😊

Velejador, escritor, editor da SailBrasil.com.br… nessa ordem

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Sailor, writer and editor, in that order...

5 Comments

  1. Padang Padang e depois quando comprei Marreco 4, com o numeral 1395! Belíssimo! com cockpit de teca, 8 catracas Lewmar, enrolador Harken, gerador e 2 ar refrigerador que faziam ele gelar!
    Espetacular!
    Alexandre Braga Pessanha

  2. Tem mais um 395 que eu não vi na lista! Ficou anos abandonado na enseada de Btafogo, até que foi comprado por um conhecido, teve convés/cabine e popa modificados para virar um barco de charter e hj se chama Samaron, baseado no ICRJ.

  3. Seria interessante relembrar a história dos veleiros velamar , produzidos pela CARBRASMAR.
    Principalmente o Velamar 45 KiaOra , que teve como seu primeiro proprietário os fabricantes dos móveis Laffer .

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