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Humor: É certo que, talvez, tenha acontecido assim… Nº 5

Lancei em 03/01/2020 uma nova coluna de “humor”, com relatos sobre náutica que “certamente”, se não estou totalmente enganado, foi o que realmente aconteceu... espero que se divirta com situações inusitadas da náutica brasileira, descritas em textos curtos, como se estivéssemos “bate-um-papo” no bar… e aqui vai o quinto;

Existem muitos veleiros que quase voltaram a velejar, pois alguém viu neles essa possibilidade, mas acabaram sendo novamente abandonados, por diversos motivos. Há uma doença, de nome comprido, que acomete certos homens (também mulheres, mas os homens sofrem mais dela), tirando completamente sua razão quando veem um veleiro abandonado ou em mau estado: a doença do “este barco dá para restaurar fácil e barato”. O interessante é que a pessoa contaminada não percebe a doença e não aparenta nenhum de seus sinais, ao contrário, seu raciocínio parece lógico e realista. Ela é capaz de explicar de maneira sensata, clara e convincente a sua decisão de restaurar um veleiro “velho” e em mau estado.  É uma doença contagiosa – tome muito cuidado quando vir um veleiro abandonado! Aparentemente, são pessoas equilibradas, legais, inteligentes, com condição financeira estável e, em muitos casos, são experientes velejadores de regatas ou cruzeiros. Pode-se até dizer que, em sua maioria, essas pessoas possuem uma personalidade aventureira, sonhadora e livre, o que as torna altamente agradáveis, atraindo outras pessoas e facilitando a disseminação da doença. O maior problema dessa doença é que a pessoa possui uma compreensão pouco realista tanto de suas finanças quanto do tamanho e do tempo necessário para se terminar o projeto. Qualquer um que é imune a essa doença sabe: veleiros abandonados, em qualquer estado de conservação, absorvem e requerem muito dinheiro, tempo e dedicação. Mesmo assim, há um êxtase ao se pegar essa doença e iniciar o projeto. E o que é pior: enquanto a doença perdura, ela é altamente gratificante para quem a pegou. Poderíamos afirmar que é viciante. Você vê esse veleiro, que na sua concepção é lindo e uma oportunidade única de ter uma “joia rara dessas na vida” e, simplesmente, do nada, é seu devoto incondicional. Até o momento em que acaba o dinheiro… Sim, normalmente a falta de dinheiro é a única cura dessa doença. Após a cura, com suas finanças em ruínas, você tem de trabalhar muito e por muito tempo para se recuperar definitivamente dos efeitos da doença e restabelecer suas finanças. Mas cuidado, uma vez recuperado, existe grande possibilidade de recaída: é só ver outro veleiro em péssimo estado e estar com as finanças recuperadas que os sintomas certamente se repetirão. O vírus fica no sangue apenas aguardando uma oportunidade de voltar a se manifestar… muito cuidado… aparentemente, a doença do “este barco dá para restaurar fácil e barato” não tem cura! 😊

É certo que, talvez, tenha acontecido assim…

Leia:

Bons ventos!

Max Gorissen

Velejador, escritor e editor da SailBrasil.com.br… nessa ordem!

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Redação do site www.sailbrasil.com.br

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