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Apreciando os prazeres do day sailing no mar

O dia 26 de dezembro de 2019 foi mais uma oportunidade de soltar as amarras na marina para realizar um passeio com minha esposa e meu filho pela Baía de Santos. Puro day sailing, durante as férias em nossa casa no Guarujá.

Nesse dia, eu e minha mulher acordamos tarde e fomos dar uma volta na praia. Só uma caminhada, já que nessa época do ano ela é invadida por uma multidão de turistas que ali vão passar o dia. Não somos de ficar na praia. Normalmente, o que fazemos é passear pela Praia de Pernambuco, que fica perto de casa, dar uns mergulhos e em seguida voltar para a exclusividade de nossa piscina ou do veleiro. Ficar estirado queimando sob o sol, em uma praia cheia de gente fazendo barulho, isso nunca foi do nosso agrado. Gostamos mais da experiência de aproveitar o mar entre nós ou com amigos.

Naquela manhã, aproveitamos a praia enquanto ainda vazia – a água estava uma delícia! Observamos a sujeira deixada pelos turistas nas areias, principalmente na parte norte da Praia de Pernambuco, longe do buchicho do hotel Jequitimar e do Mar Casado – que é onde o pessoal da prefeitura gasta a maior parte do tempo limpando, antes de sentar embaixo de uma árvore para descansar…

Lulas e deliciosos camarõesinhos fritos… tudo de bom!

Voltamos para casa e acordamos nosso filho Maxy, que havia ido dormir tarde e dispensou a praia, para irmos almoçar fora.

Com vontade de comer frutos do mar, partimos rumo ao restaurante Dalmo, na praia da Enseada, para começar com casquinhas de siri, lulas fritas, deliciosos camarõezinhos fritos e pão com alho, e então seguir pelo prato principal, um delicioso Scarpa Especial, filé de pescada na manteiga que acompanha batatas sauté e alcaparras.

Ah!! Comer… um dos pequenos prazeres da vida…

Dali rumamos para a marina.

Naquele horário, por volta de duas da tarde, tanto o caminho para a marina está no contrafluxo, como a marina está vazia, com o pessoal ainda aproveitando a praia.

Chegamos em quinze minutos e, nem bem liguei o motor, soltamos as amarras.

Gaia 1 na sua vaga na marina.

Motor com problema

Embora eu tivesse acabado de fazer uma reforma no veleiro – com a retirada de toda a estrutura montada para guardar o botijão de gás instalado no espelho de popa quando da viagem a Miami (leia na SailBrasil Magazine Edição Número 2 – setembro 2017 a fevereiro 2018), reparos e restauração no eixo do leme que havia sofrido eletrólise, troca da hélice de duas pás que também havia sofrido eletrólise, reengenharia no sistema de aterramento e suporte do anodo do casco (que causou a eletrólise), pintura do fundo com tinta anti-incrustante e polimento do costado –, já havia algumas semanas que meu motor, com apenas 500 horas de uso em cinco anos, apresentava superaquecimento, subindo dos 80 graus especificados como patamar normal para 90 ou 100 graus, a 2.600 RPM.

O técnico da assistência autorizada havia tentado trocar a válvula do termostato e, verificando que isso não corrigia o problema, trocou a bomba de água doce completa. Não resolveu… Então começou a sequência de tentativas e erros no sistema de arrefecimento para identificarmos a causa do aquecimento. Trocamos a cebolinha, que poderia estar com defeito, e nada. Desconectamos as mangueiras do boiler para ver se não estavam vazando em algum ponto (até mesmo dentro do boiler), e nada. Sangramos e trocamos o fluido do sistema (aditivo para radiadores), e nada.

O que nos restava era fazer um teste de pressão, com um manômetro próprio para sistema de arrefecimento de motores, observando se a pressão se mantinha constante (caso não se mantivesse, o problema estaria no trocador de calor ou no cabeçote). Esse teste é realizado instalando-se uma tampa ligada ao manômetro na boca do trocador de calor (em uma analogia com automóveis, na tampa do radiador), então se imprime uma pressão de trabalho de 0,9 BAR ou 1 BAR, aproximadamente 15 libras, que é a pressão com que trabalha o sistema de arrefecimento do motor.

Se o resultado do teste revelar a manutenção da pressão do sistema, ele está estanque (sem vazamentos). Para verificar a pressão, checa-se a cada dez segundos o ponteiro do termostato: se ele baixar, há vazamento em algum ponto. Neste caso, é necessário desmontar o trocador de calor mufla e levá-lo a um especialista em radiadores para novos testes de pressão, um interno e outro externo. O interno, realizado por manômetro, é parecido com o já descrito; o externo nada mais é do que a checagem de bolhas dentro de um tanque com água (como se faz com um pneu furado). Como se perde tempo com motor!!!

Se nenhum desses testes revelar a causa do problema, a coisa se complica, pois se trata de um vazamento de compressão dentro da galeria de refrigeração, cujas possíveis causas seriam junta queimada ou cabeçote com trinca ou com aperto errado. A investigação de qualquer uma dessas causas exige desmontar o motor e tirar o cabeçote para verificação. Em plenas festas de fim de ano, somente seria possível realizar o tal teste de manômetro lá pelo dia 15 de janeiro de 2020.

Mas velejador que é velejador não se limita por um problema de motor, e sempre tenta achar uma alternativa para poder velejar… Assim, um dia, pela manhã, saí com o veleiro para fazer um teste rápido e percebi que, se mantivesse o motor a 1.200 RPM, a temperatura se mantinha nos 80 graus. É claro que a essa rotação o veleiro se desloca a uns 2 nós, mas não importa: é um veleiro, o objetivo do motor é tirá-lo da vaga e colocá-lo no mar para velejar. No meu entendimento, o motor não é nem de perto importante – se houver vento, é claro. E foi assim que pude sair naquela tarde ensolarada e de vento, após o dia de Natal, para velejar com minha família.

Partimos

O dia estava lindo, com uma temperatura amena para o verão, e, o melhor de tudo, ventava. O aplicativo Windy mostrava 10 nós com rajadas de 12 nós. Perfeito!

Motoramos até em frente ao posto dos práticos do Porto de Santos, onde pedi para Zabetta manter o rumo aproado ao vento para levantarmos a vela mestra. Aproados ao vento, o veleiro apontava para a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, na margem oposta, ou seja, no Guarujá.

Como sempre, subir a mestra é um procedimento muito rápido quando se tem a ajuda do filho.

Eu caçava a adriça perto do mastro e ele caçava a “sobra” de adriça, que se amontoava no deque, por trás do stopper (mordedor), que já estava “mordido” para evitar que a vela descesse.

Após subir a mestra, fizemos os ajustes necessários na esteira e na adriça da mestra para velejar nas condições de vento e, arribando o veleiro, que mudou sua proa para o meio da Baía de Santos, paralelo à costa do Guarujá, desenrolamos a genoa.

Com a genoa e a mestra abertas, e um vento de 10 nós de través, o veleiro partiu rápido adernando, até que ajustamos melhor as velas e ele se endireitou. De repente, levamos um susto ao ouvir a buzina de um navio que partia pelo canal. Zabetta, que naquele momento estava na roda do leme, tomou o maior susto: pelo barulho, parecia que o navio estava a poucos metros da popa.

Olhamos para trás e caímos na gargalhada, pois não estava nem perto. O navio estava longe, ainda virando o cotovelo que o canal faz perto da balsa Guarujá-Santos-Guarujá, buzinando para um lancheiro próximo a sua proa.

Passadas as gargalhadas, arribamos mais um pouco para aproveitar aquele maravilhoso vento de través.

Zabetta no comando, vejam como o navio vermelho está longe… pensávamos que estava “grudado” na nossa popa pois, sua buzina, nos deu um tremendo susto!

O design elegante do casco azul claro de borda baixa, o deck branco, a cabine também baixa, as janelas pretas e a grande área vélica branca moldada pelo vento, tudo isso deve ter impressionado os pescadores e arrancado alguns suspiros do grupo, já que é inevitável a sensação de grandeza ao se apreciar um veleiro de 6.555 quilos de deslocamento passar veloz tão perto.

Passados os pescadores, assumi o comando do veleiro.

Logo atrás de nós vinha uma lancha de 50 pés, que também passou pelos barcos de pesca. Porém, diferentemente de nosso veleiro, ela passou por uma estreita faixa de água entre os barquinhos e, com suas grandes marolas, já que estava com a popa afundada (sem ajuste dos flaps) e sequer reduziu seus 20 nós de velocidade, passou muito perto dos barcos de pesca e quase virou um deles com sua enorme marola.

Foi uma gritaria e xingamento por parte dos pescadores, diante do que o lancheiro, instalado no flybridge, apenas deu uma olhada para trás e riu… Era evidente que fez de propósito.

A lancha também passou a menos de 10 metros do veleiro, porém, como estávamos paralelos no mesmo rumo, apenas virei a roda de leme, subi e desci a marola bem perto da popa da lancha, entrando na sua esteira, o que quase nem afetou o veleiro. Os botes dos pescadores, ao contrário, se mexiam para todos os lados, quase capotando. O lancheiro nem olhou para trás, seguindo seu rumo em seu trono pedante… Irresponsável!

O vento então rondou um pouco e meu filho caçou um pouco as velas para o veleiro entrar em uma orça. Para mim, a orça é o melhor ponto para se velejar. Principalmente em um veleiro com o design IOR, feito especialmente para essas condições. O veleiro novamente adernou e a sensação foi de acelerar rápido em direção ao centro da baía. Que delícia!

Fizemos novos ajustes nas velas, inclusive caçando um pouco o backstay e o traveller, este último um pouco acima do centro do veleiro, para assim abrir a valuma, o que fez a embarcação endireitar um pouco e acelerar. O leme, até então um pouco pesado e fazendo arrasto com sua posição para se manter o ângulo de orça, ficou leve e pude colocá-lo mais ao centro, diminuindo o arrasto e permitindo que o veleiro velejasse solto.

Que bela velejada!

Seguimos nesse rumo por mais uma hora, só acertando o veleiro para aproveitar as rajadas. Passamos por diversos navios ao largo da costa e da baía, todos ancorados esperando para descarregar ou carregar seus porões de mercadorias no Porto de Santos.

Navios de todos os tipos aguardam fora da baia de Santos para descarregar ou, como este, apenas ancorado esperando entrar no porto com suas “super” defensas…

Quando um desses navio aparece a nossa frente, tentamos sempre passá-lo a barlavento (deixando o navio pelo bordo de onde vem o vento), a fim de evitar que sua “sombra” esconda o vento, uma vez que na maioria das vezes eles são mais altos que o mastro do veleiro.

Então, demos um bordo em direção à Ilha da Moela, entrando em um través que nivelou o veleiro e que partiu rápido, com 10 nós de vento, enchendo as velas.

Pensei em subir o gennaker, mas estávamos velejando tão bem e tranquilos só de mestra e genoa que decidi não fazê-lo.

Além do mais, como não o havia preparado de antemão, seria preciso, além de pegar a vela embaixo da cama de proa, instalar as escotas e moitões em ambos bordos… Preguiça!!!

O través de onde estávamos, bem fora da baía, levou outra hora de puro prazer.

Você sabe como é: o veleiro avança suave com as velas cheias, estável pelo ângulo da velejada, e, se não fossem as marolas, características do mar e sobretudo da navegação costeira, o veleiro seguiria inabalável.

Nesse momento, as marolas vinham pela proa, melhor, pela bochecha de boreste, o que não causava nenhum tipo de alteração na singradura, já que o casco deslizava subindo e descendo as marolas espaçadas. Uma delícia.

Enquanto o veleiro avança, o bom da navegação costeira, principalmente nessa parte da costa do Guarujá, onde não é possível ver as grandes construções da civilização, é que realmente nos inserimos na natureza, apenas rodeados pelo mar esverdeado e pelas pedras bege acinzentadas da costa, com um vivo chapéu verde de Mata Atlântica em todo seu esplendor. Belíssimo!

Para quem nunca viu ou ouviu, as marolas, ao chegarem perto das pedras, produzem ondas que se arremessam em uma interminável sucessão de espirros e sons. É o barulho das ondas do mar quebrando, sem pausa, num ritmo único e num volume constante, que faz a gente inconscientemente relaxar. O que prova que para ficarmos calmos não precisamos de silêncio absoluto. Na verdade, precisamos ouvir o som certo: o som do mar…

O mesmo tipo de som é ouvido também com o deslocamento do casco pelo mar. Mas é diferente. Em vez de quebrando nas pedras, o barulho do mar no veleiro velejando é de “deslocamento”.

Rodeado pelo mar esverdeado com todos os meus sentidos desfrutando diferentes sensações!

O veleiro desloca a água do mar para os lados enquanto segue a direção estabelecida pelo comandante.

É um barulho que acalma, relaxa e, em muitas pessoas, dá até sono. Foi o caso da minha esposa, que acertou as almofadas e se deitou em um dos bancos do cockpit para uma merecida e calmante soneca.

Meu filho foi para a proa aproveitar o vento que entra limpo por ali e que nos mantém frescos: sentando-se em uma das cadeiras reclináveis mantidas no veleiro, aproveitou para curtir o visual e tomar sol.

Eu fiquei na roda do leme, inserido nesse ambiente de paz e beleza, com todos os meus sentidos desfrutando diferentes sensações.

É difícil pensar em um esporte no qual nossa relação com o vento e o mar seja mais completa e prazerosa do que a vela.

Ao velejar, nossa recompensa resume-se a alcançar o máximo desempenho para cumprir nosso objetivo usando apenas as forças da natureza. Esse é um dos motivos que fazem da vela uma experiência única, intensa, emocionante, incrível.

Nosso desempenho demanda uma observação constante do vento e das ondas, que, ao serem confrontados com respostas apropriadas do leme e seu correspondente ajuste das velas, permitem avançar na direção desejada.

E tudo isso depende de reflexos coordenados por ações premeditadamente estabelecidas em nosso cérebro. Este, ao ter entendido e memorizado os ajustes do veleiro para cada ângulo de vento, dá comandos para o ajuste das velas e da posição do leme. Então, ao usar o vento – essa força da natureza que ninguém consegue dominar –, o velejador integra-se a ele e sente-se vitorioso por usá-lo em seu benefício.

E, como sabemos, a vitória é uma sensação de extrema satisfação mental.

Nesse ambiente, esquecemos nossas preocupações, e nossas sensações se aguçam. Começamos a perceber de maneira muito mais intensa tudo o que está a nossa volta, como quando o vento passa rasteiro através das águas (vemos a diferença na coloração da superfície da água durante a rajada) e sentimos quando as velas “pegam o vento”, o casco aderna e começa a se mover, e percebemos o aumento da velocidade, como se uma mão invisível estivesse nos empurrando.

É uma experiência maravilhosa!

Sensações

Velejar demanda total atenção e implica todas as capacidades do indivíduo.

Os olhos varrem tudo no entorno, checando se as velas estão na posição correta, ao mesmo tempo em que se concentram nas ondas, nas lãzinhas que indicam a direção da rajada de vento, no enchimento, no bater e no contorno das velas, na posição da tripulação, nas outras embarcações e nas ilhas ou praias próximas.

Os ouvidos registram o som das ondas, do vento, das velas e qualquer barulho no casco ou na mastreação.

O tato imediatamente transmite ao cérebro diversas sensações, como se existissem sensores espalhados por todo o veleiro e conectados ao velejador, mostrando qualquer mudança na direção ou na força do vento, na umidade do ar, no rumo do veleiro, na influência das pequenas marolas ou das ondas batendo no costado, do casco respondendo ao vento ou às ondas e, até, se o veleiro está velejando solto ou não.

Na vela, todas as capacidades humanas são essenciais e precisam estar ajustadas com perfeição para aquele momento.

Por isso, é difícil menosprezar a intensidade da sensação que velejar provoca nas pessoas, embora poucas sejam aquelas que terão a dádiva e o dom de sentir tudo isso. Se você for uma delas, a recordação de uma dessas velejadas ficará viva por toda sua vida.

E foi isso mesmo que senti naquele momento de total introspecção, com minha esposa preguiçosamente tirando uma soneca e meu filho relaxando e apreciando, à sua maneira, a bela velejada.

Um momento único! Sem palavras…

Quando me dei conta, já havíamos chegado à Ilha da Moela.

Avisando que iria dar um jibe, aguardei que todos respondessem que haviam entendido minhas instruções, principalmente o Maxy, que precisaria sair da proa, pois a genoa iria varrer o deck de um lado para o outro. Em seguida, completei a manobra.

O retorno, em outro través maravilhoso, durou mais uma hora, até chegarmos às proximidades da Ponta Grossa, onde o vento pareceu diminuir um pouco e foi preciso arribar para entrar em uma popa rasa rumo à Ilha das Palmas. Para isso, recolhi a genoa e velejei somente na mestra.

Ilha da Moela

A genoa, como você deve saber, na popa rasa, a não ser que se monte uma “asa de pombo” com um pau de spy (a genoa fica no bordo oposto à mestra), não tem função nenhuma. Fica lá, murcha, raspando e batendo no estaiamento e no guarda-mancebo. Só com a mestra, continuei velejando, até que passamos a Ilha das Palmas, onde estavam ancorados veleiros e lanchas curtindo o fim de tarde. Também havia uma escuna de turismo, que, com sua música alta de gosto duvidoso, destoava do ambiente e incomodava todos que lá estavam para descansar… É uma pena a falta de consideração.

Ao montar a Ponta dos Limões e visualizar a Praia do Góes, o vento aumentou, mudando de quadrante, o que me permitiu abrir novamente a genoa e entrar em um través. O vento aumentou para 15 nós, e o través foi simplesmente maravilhoso! Mas durou pouco, pois, já em frente à Ponta da Fortaleza, o vento rondou novamente por causa das montanhas, então cacei a mestra e a genoa para entrar em orça pelo canal do porto de Santos. Foi perfeito, pois, com o problema do motor, tudo o que eu não queria era ter de motorar a dois nós de velocidade.

Fui orçando com vento de 10 nós e rajadas que chegavam a 15 nós até a entrada do canal para a marina, onde liguei o motor, baixei as velas, e Maxy colocou as defensas.

Orçando na entrada do canal… praia do Góes à proa e a esquerda o Forte.

Zabetta assumiu o comando e seguiu motorando a 1.200 RPM, enquanto eu e Maxy guardávamos velas, arrumávamos os cabos e organizávamos tudo.

Chegamos à vaga da marina, onde assumi novamente o comando e, tranquilamente, entrei na vaga e amarramos o veleiro.

Eram seis horas de uma tarde ainda clara, com um céu de poucas nuvens e uma temperatura agradável: nem parecia verão.

Descansamos um pouco sentados no cockpit, pois havíamos decidido jantar em um restaurante japonês localizado na praia das Astúrias, a 5 minutos dali e que só abria às sete da noite.

Então, após um dia maravilhoso, jantamos um belíssimo combinado de sushi e sashimi e fomos para casa, do outro lado da ilha do Guarujá, dormir. São as vantagens do Day Sailing!

Não me entenda mal: adoro dormir no veleiro, mas não em uma marina… Para trocar minha cama pela do veleiro, só quando estou em travessias, ancorado em uma bela baía.

A vela oceânica como recreação

Muita gente pensa que a vida de velejador de oceano é feita de longas velejadas, passando dias e dias no mar. No entanto, o velejador de oceano, assim como uma pessoa que vive em um veleiro, passa a maior parte de seu tempo ancorado em algum lugar, aproveitando a vida no entorno de seu veleiro, com saídas esporádicas para velejar, seja por prazer ou por necessidade.

Longos períodos de mar só ocorrem durante as travessias ou para chegar a um destino.

Quando sai para o mar, o velejador de oceano pode passar o dia navegando pela costa até um destino (ou até a marina), o que chamamos de day sailing, ou pode empreender viagens de longa distância, passando alguns dias no mar, o que chamamos de travessia.

Assim, a vela oceânica recreativa pode envolver velejadas curtas em baía ou navegação diurna (day sailing), cruzeiros costeiros ou cruzeiros mais prolongados no mar ou nos oceanos.

Essas viagens podem ser em solitário (somente o capitão) ou a embarcação pode ser tripulada por famílias ou grupos de amigos.

Um veleiro pode navegar sozinho ou fazer parte de uma flotilha, com outros velejadores em viagem.

Ele pode ser velejado por seu proprietário ou alugado de terceiros, como empresas de charter, para uma viagem ou cruzeiro específico. Em alguns casos, um capitão profissional e até a tripulação podem ser contratados junto com o veleiro.

Viagens de cruzeiro de vários dias podem envolver uma profunda imersão preparatória em logística, navegação, meteorologia, geografia e história local, conhecimento sobre pesca, sobre navegação, e até uma preparação psicológica, já que velejar, diferentemente do que as pessoas possam pensar, é uma atividade de muita concentração e pouco descanso. Concentração no vento, no mar, no tempo, no movimento do veleiro… tudo tem de estar em harmonia. Pouco descanso porque não podemos nos dar ao luxo de dormir por oito horas seguidas – aliás, muitas vezes, nem por uma hora seguida –, o que causa exaustão até o velejador se acostumar (se é que é possível acostumar-se).

Descansando no deck com um belíssimo por de sol antes de sair para jantar.

Muitos velejadores, sobretudo durante as férias de verão, fazem um estilo de cruzeiro costeiro por etapas, que consiste em realizar uma série de velejadas diurnas, para lugares remotos, e ancorar durante a noite, enquanto desfrutam de atividades como exploração de ilhas isoladas, natação, pesca, e então partir para outro ancoradouro. Essas viagens, com amigos e familiares, são extremamente prazerosas e podem se tornar experiências únicas de vida.

Bons ventos!

Max Gorissen

Velejador, escritor e editor SailBrasil… nessa ordem!

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About Max Gorissen
Sailor, writer and editor, in that order...

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