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Veleiro Vendaval

Especificações:

  • Ano de Fabricação: 1942
  • Outros nomes:
  • Estaleiro: Brazilian Coal Rio
  • Material construtivo: Madeira
  • Armação: IOLE ou Yawl (*)
  • Propulsão:
  • Tripulantes/ Passageiros: 
  • Numeral: BL 3
  • Comprimento:  65′ ou 19,81 m
  • Design No.: 301 de Olin Stephens – Ano 1937
  • Linha d’água (m): 14,00
  • Boca (m): 4,38
  • Calado (m): 2,60
  • Área velica (m²): 
  • Deslocamento (Kg): 
  • Projetista: Olin Stephens
  • Observações: Contratado por José Candido Pimentel Duarte.

(*) Um yawl é um tipo de veleiro com dois mastros: um mastro principal e um mastro de mezena mais pequeno. O mastro principal está equipado com duas velas.

Esta é uma história em desenvolvimento… caso possua informações, contribua!

Depoimentos:

Por: Leonardo Millen

O jovem José Cândido Pimentel Duarte adorava remar. O esporte era a febre da rapaziada carioca nos anos 1930 e 1940.

Assim, ele começou a frequentar um dos mais antigos clubes de remo e natação, o Clube de Regatas Guanabara.

A paixão pelo remo, pela disciplina, pela paciência e determinação em alcançar os objetivos moldaram o caráter do meu pai”, lembra o filho Fernando.

Com o tempo virou diretor e mais tarde presidente do Clube, mas nunca abandonou sua paixão pelo esporte e remava todas as madrugadas, ao nascer do dia.

Um dia, Pimentel Duarte comprou um Star fora de classe, pois tinha uma pequena cabine, e passou a velejar pela baía com a esposa Nair e com os filhos José Luiz e Fernando.

Ele se encantou com a vela e passou a pesquisar e a trocar informações porque desejava um barco maior e melhor.

Conheceu o alemão Joachim Küsters – que posteriormente entrou para a história como o projetista dos barcos da Carbrasmar – que tinha um estaleiro e encomendou a ele o Procelária, um barco de desenho alemão, com quilha de barbatana.

Em 2012 o Fernando Pimentel Duarte me descreveu a chegada da Regata Buenos Aires – Rio de 1950:

Navegávamos à noite próximo à orla do Rio de Janeiro, calmaria com pequenos sopros de ventos de todos os lados, mas o emocionante foi que, não me lembro da estação de rádio, o locutor esportivo Oduvaldo Cozzi irradiava, de bordo de uma lancha, as manobras que fazíamos como se fosse a transmissão de jogo de futebol. Mas, o que realmente nos deixou emocionados, foi quando navegávamos em frente à Copacabana, e o locutor pediu aos moradores que apagassem e acendessem as luzes dos apartamentos para nos incentivar, no que foi atendido por todos.


Vendaval 1950 – Quadro do artista Edy Gomes Carollo que se encontra na sala da Comodoria do Rio Grande Yacht Club. – Foto: Atila Bohn

Vendaval por Maria Elizabeth Labouriau (conforme publicado no Grupo de Velejadores de Clássicosvelejadoresdeclassicos@groups.facebook.com)

Projeto de Sparkman & Stephens, construído nos estaleiros da Brazilian Coal em 1943, o Vendaval foi o veleiro mais emblemático do cenário da vela brasileira.

Pode ser considerado o veleiro da integração nacional pois foi com ele que Pimentel Duarte chegando até o Rio Grande do Sul e em seguida a Argentina e Uruguai, conseguiu difundir o esporte da vela e arregimentar veleiros para novas regatas, intercambiando experiencias e incentivando os homens do mar.

As campanhas do Vendaval

Assim que a tripulação se formou, saiu o Vendaval em sua primeira viagem fora dos limites do Rio de Janeiro. Era o carnaval de 1944 e o calor do verão intenso esquentava ainda mais o ânimo da tripulação. O Vendaval partira para Santos. La, foram recepcionados por Mariano Marcondes Ferraz.

Em marco de 1945 o Vendaval parte para Florianópolis e em 14 de fevereiro de 1946 para o Rio da Prata a fim de disputar um ciclo de regatas entre Mar del Plata e Buenos Aires. Conquista neste certame todos os prêmios.

Em janeiro de 1947 toma parte na primeira versão da mais importante regata da América do Sul, a Buenos Aires-Rio. Faziam parte de sua tripulação, seu comandante, Jose Cândido Pimentel Duarte, Victor Hector Demaison, Jose Luiz Pimentel Duarte, Fernando Jose Pimentel Duarte, Francisco Alvarez, Hamilcar de Garcia, George Byron Watson, Mario Ramos, Flavio Porto Barroso. No mesmo ano vai a Vitória.

Em fevereiro de 1948 mais uma vez o Vendaval toma parte das regatas do Prata. Venceu as duas regatas organizadas pelo Yacht Club Argentino, o que valeu a seu comandante um prêmio em espécie somando a quantia de setecentos pesos argentinos. Com a fidalguia que lhe era peculiar, Pimentel Duarte, em carta a direção do clube argentino, propõe a doação da quantia em prol da instituição de uma taca com o nome de Vendaval para servir de prêmio a uma competição do mesmo clube. Hugo Tedin, então dirigente do Grêmio de Vela do YCA decide aceitar a proposta de Pimentel Duarte e vai mais além, instituindo também a Taca Pimentel Duarte para uma das regatas de oceano patrocinadas pelo clube.

Em princípios de fevereiro de 1949 o Vendaval parte para a ilha da Trindade.

Era uma escolha exótica. Nada havia na inóspita ilha a não ser alguns porcos selvagens e cabritos deixados lá pela Marinha em sua possessão anterior. Por que Trindade? Para Pimentel Duarte, alcançar este ponto isolado era o que ele considerava, a pós-graduação da navegação. Ou seja, descobrir uma minúscula ilha, distante 800 milhas da costa, na vastidão do oceano. A precisão da chegada significava para ele o reconhecimento desta conquista.

Ha que se ressaltar que a navegação até o final da década de trinta, quando Pimentel Duarte começou, era feita pelo processo de senos e cossenos. Tinha- se que calcular o triangulo astronômico.

Para a viagem a Trindade, já foi possível utilizar as tabuas astronômicas de posições estimadas que os Estados Unidos, avançando sempre na sua tecnologia.

Apenas com o sextante e a tabua mais antiga, Pimentel Duarte chegou a Trindade com uma precisão impressionante.

De Trindade foram a Salvador e lá passaram o Carnaval.

Oito dias de contravento do Rio de Janeiro a Trindade. Um dia e meio na ilha. De lá a Salvador, quatro dias. Cinco dias em Salvador e de lá até o Rio, seis dias.

A ideia de Pimentel Duarte era, a cada verão, empreender nova viagem, aumentando sempre o percurso.

Sobre o triste destino do Vendaval, Fernando Pimentel Duarte declara:

“O Vendaval foi vendido em 1954 para Domingos Jobi, que o levou para Bahia e lá permaneceu até 1971 quando este o vendeu para Eugenio Gonzalles Vilarino do Rio de Janeiro. Mais tarde foi vendido para Carlos Henrique Ferreira, oficial da reserva da Marinha que depois de algum tempo o levou para Bracuhí, Angra dos Reis. Não tendo mais condições de manter o barco, doou para a Escola Naval. De lá foi transferido para o Arsenal de Marinha, a fim de sofrer reformas.

Foi entregue a um marinheiro chamado Vaca Brava que executou um trabalho desprezível. O barco foi então incorporado a flotilha do Grêmio da Escola Naval em sessão solene.

O Vendaval foi para o mar em regata apenas algumas vezes. Confirmando a péssima reforma que sofreu, rapidamente ele foi encostado. Por muito tempo permaneceu assim até o dia que um holandês se interessou em comprá-lo.

Depois disso, houve um leilão na praça e Jean Maligo e Jean Bardeaux o arremataram.

Hoje, o Vendaval está desmontado, faltando o lastro e também seu mastro, quase impossível de ser recuperado.”


A glória e decadência do primeiro veleiro de regatas oceânicas que o Brasil teve por Jorge de SouzaHistórias do Mar – Site: https://historiasdomar.com

Em janeiro de 1942, o Brasil ganhou aquele que se tornaria o mais emblemático veleiro de sua história: o Vendaval, um Sparkman & Stephens, de 65 pés, projetado nos Estados Unidos, mas construído no Rio de Janeiro.

Seu dono era José Cândido Pimentel Duarte, um aficionado por um esporte que praticamente nem existia no país: as regatas oceânicas de longo percurso.

Quando o barco ficou pronto, José Cândido decidiu criar uma grande regata para impulsionar as competições do gênero no Brasil.

Para ler o artigo completo de Jorge de Souza clique aqui.


VENDAVAL principais regatas:

RegataColocação
1947 – Buenos Aires – Rio de Janeiro
1948 – Buenos Aires – Mar de Plata (Uruguay)
1948 – Copa Pedrabuena Argentina
1950 – Buenos Aires – Rio de JaneiroFita Azul e  3º
1951 – Santos – Rio de JaneiroFita Azul e 4º
1953 – Buenos Aires – Rio de Janeiro18º

Fotos:

Autor desconhecido: se uma destas fotos for sua, favor enviar seu nome para darmos o devido crédito. Caso queira que retiremos a fotografia favor avisar. E-mail: redacao @sailbrasil.com.br

Foto em destaque: Vendaval – autor desconhecido

Texto e informações fornecidas/com contribuição de: Atila Bohn, Leonardo Millen e Beth Laboriou

Cadastro Nacional de Veleiros

Cadastro Nacional de Veleiros Brasileiros (LOA até 100 pés).

Não importa se esses veleiros são de propriedade de indivíduos, organizações, fundos fiduciários ou museus. Também não importa se são novos, usados, estão em péssimas condições, se já foram destruídos ou afundaram.

Não importa se foram produzidos no Brasil ou no exterior, desde que tenham algum tipo de relação com o Brasil… Todos são importantes.

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