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Roteiro do Canal de Bertioga

Breve Roteiro de Navegação do Canal de Bertioga – Por Juca Andrade da Cusco Baldoso Experiências em Vela Oceânica.

1. Objetivo

Este breve roteiro tem por objetivo orientar a navegação de veleiros nos limites do canal de Bertioga – São Paulo/SP, pois em alguns trechos há restrição de calado. Por “limites do canal” estão compreendidas as águas que têm início no alinhamento entre a Pedra do Corvo e o Forte São João (23°51’23.47″S/ 46° 7’52.61″W) e término na ponte férrea que fica nas proximidades da Base Aérea de Santos (23°55’33.03″S/ 46°18’35.33″W). Distância total: 13,37 milhas náuticas.

Percorremos esse trecho com veleiro de 20 pés, com 1,05 m de calado, altura máxima (pontal + mastro) de 8,00 metros, em maré de 0,3 m no dia 05/03/2011.

No dia 22/09/2012 fizemos uma ATUALIZAÇÃO e para isso utilizamos um veleiro Atoll 23, com 1,47 de calado e 9,00 m de altura (da linha d´água até a ponta do mastro).

Embarcações com calado e altura máxima superiores devem ter cautela ao adotarem esse roteiro.

Farol da Pedra do Corvo na entrada (Barra) do canal de Bertioga.

2. Barra do canal

Em geral a barra do canal é de fácil demanda, pois as marolas – que surgem apenas com mar com 1.0 metro ou mais de ondulação – não chegam a arrebentar, salvo em condições extremas de tempo. Há intenso trânsito de lanchas, de grande porte inclusive, o que traz algum incômodo. A entrada e a saída devem ser feitas de forma a manter a embarcação o mais próximo possível da Pedra do Corvo, conforme a linha amarela na figura abaixo.

Mas não passe exageradamente perto, pois existem pedras na flor d’água difíceis de ver com mar calmo e maré alta. Junto ao Forte as águas são rasas e a navegação deve ser evitada. O melhor horário é antes das 10h00 e após às 18h00 (menor movimento). Às quartas-feiras quase não há trânsito, pois as marinas estão fechadas.

Atenção para a travessia de balsas!

3. Barra do Canal/Largo do Candinho

Da Barra do Canal até o Largo do Candinho não existem riscos significativos. Logo após a Marina Porto do Sol há uma bifurcação. O canal está à esquerda/bombordo de quem vem do mar. À direita/boreste está o Rio Itapanhaú. Se houver necessidade, por alguma razão, de entrar no Rio Itapanhaú, atentar para uma coroa (ícone vermelho na figura a seguir) que traz risco de encalhe na entrada do rio e demandar como na linha branca, a seguir:

Nesse trecho existem pelo menos dois postos de abastecimento (Marinas Nacionais e Posto Vindumar, que fica ao lado das Nacionais) e opções de marinas para estadia/pernoite:

Porto do Sol – BOA ESTRUTURA – $$: 23°51’41.40″S/ 46° 8’50.47″W – Tel.: (13) 3305.1584

Marinas Nacionais – ÓTIMA ESTRUTURA – $$$: – 23°52’8.34″S/ 46° 9’22.49″W – Rádio VHF Delta 45 no canal 68 – Tel.: (13) 3305-1421

Garagem Náutica Chinen (apenas poitas) – REGULAR ESTRUTURA – $ – Funciona todos os dias do ano! – 23°53’0.90″S/ 46°10’5.24″W – Tel.: (13) 3305-1224

Tropical – BOA ESTRUTURA – $$ – 23°53’38.57″S/ 46°11’17.97’’W – Tel.: (13) 3305-1321

Tchabum – BOA ESTRUTURA – $$ – 23°53’59.20″S/ 46°11’27.28″W – Tel.: (13) 3351-7558

Pier XV – BOA ESTRUTURA – $$ – 23°54’4.60’’S/ 46°11’28.35″W – – Tel.: (13) 3351-7558

Após a marina Píer XV (que é vizinha da Tchabum), existem alguns restaurantes com poitas e entrega a bordo, mas o preço pode ser bem salgado!

Embarcações apoitadas em frente à Marina Tchabum.

Atenção para:

  • Em frente às Marinas Nacionais existe um balizamento particular – bóias verdes/encarnadas. A velocidade de 6 nós, no entanto, deve (ou pelo menos deveria) ser seguida ao longo de todo o canal, e não apenas ali. As marolas, além de atrapalhar embarcações miúdas e pequenas, têm alterado a fisionomia do canal e, talvez, provocado assoreamento.
  • Veleiros apoitados em frente à Garagem Náutica Chinen – 23°53’0.90″S/46°10’5.24″W;
  • Destroços visíveis em frente ao bairro de Caruara – 23°53’29.97″S/46°11’19.75″W;
  • Fios de alta tensão que cruzam o canal na altura da Marina Tropical – 23°53’38.57″S/ 46°11’17.97’’W l;
  • Embarcações apoitadas em frente às marinas Tchabum e Píer XV – 23°53’59.20″S/ 46°11’27.28″W.

4. Largo do Candinho

Esse é o trecho mais complicado. Mais até do que o seguinte, de “curvas”, pois por ser amplo dá a falsa impressão de que é profundo em toda a sua extensão. Não é. O “lado de dentro” da curva é extremamente raso, por uma longa extensão. Cuidado! Nessa região ocorre o encontro da maré que entra pela Barra do Canal com a maré que entra pelo Porto de Santos. Por isso as águas avançam terreno adentro (um vasto manguezal preservado). O efeito da maré é praticamente anulado. Por ser o encontro de duas fontes de maré, ocorre um fenômeno interessante: quando a maré está enchendo, a água “entrará” por ambos os lados, vale dizer, se estiver enchendo da Barra até o Candinho, estará enchendo da Ponte Férrea até o Candinho, onde, no encontro, se anulam. Se estiverem vazando, ocorre a mesma coisa: vaza pelas “duas pontas”. Por isso é bom planejar a navegação de sorte a ter a maré sempre favorável. Eu gosto de estar por ali quando há a mudança da maré. Assim chego até lá com maré a favor e sigo viagem com maré também à favor. Faça o mesmo! Ao demandar o Largo do Candinho, mantenha o veleiro o mais próximo possível do lado de fora da curva, até a bóia encarnada que fica na base do morro do Caeté. Alguns guias trazem indicação dessa bóia como sendo verde. Atenção, ela é encarnada! Ao atingir a bóia, alinhe-a com a sua popa. A sua proa, então, deverá estar alinhada com uma bóia verde. Eis o percurso percorrido por nós, com a maré extremamente baixa – 0,3 m. Não encalhamos nenhuma vez!

ATENÇÃO: APENAS ALTERE O RUMO APÓS ESTAR BEM PRÓXIMO DA BÓIA VERDE!

5. Curvas

Esse trecho é o que mais assusta quem nunca navegou pelo canal. Mas repito que o mais traiçoeiro é o Candinho, pois nas curvas você sabe que deve tomar cuidado, ao passo que no Candinho existe a falsa sensação de que é sempre profundo, por ser  amplo. O segredo desse trecho é seguir as curvas sempre, sempre e sempre pelo lado de fora, que chega a ter oito metros de profundidade. Tenha sempre em mente que aqui o leito do canal navegável é bem estreito. Prefira passar na maré baixa, se o seu caldo permitir, pois se houver encalhe a maré alta permite a saída e é possível ver melhor os trechos rasos. Já na maré alta, qualquer encalhe tende apenas a ser piorado. Em geral, nos trechos fundos a água está sempre “mais limpa” do que nos rasos, onde é possível ver muitos galhos e folhas. Atenção!

6. Monte Cabrão

Após as curvas segue-se a navegação até o bairro do Monte Cabrão (que pertence a Santos, mas fica em Guarujá).

Bairro do Monte Cabrão.

Nesse trecho deve-se atentar apenas para:

  • a ponte da Rodovia Cônego Domenico Rangoni (o Cusco passou com folga de três metros, aproximadamente);
  • três torres com fios de alta tensão, duas antes e uma logo após a ponte e
  • restos da base de uma antiga torre de alta tensão. No mais, é seguir sempre pelo lado de fora das curvas, no trecho mais limpo, atento a tudo!

7. Ponte férrea

Nesse ponto a travessia atinge seu final (ou seu começo, a depender do sentido que se navega).

Ao se aproximar da ponte faça sinal ao operador para que ele eleve o vão móvel. Segundo informações que me foram passadas pelo próprio operador, o vão livre mais alto na maré mais baixa é de apenas 4.0 metros, sendo que o vão se eleva a pelo menos dez metros.

Ponte férrea

O operador não usa rádio VHF (apenas Nextel, que se você pedir, ele informa) e deve ser usada a buzina. Atenção: antes de demandar o canal, se houver intenção de passar pela ponte, verifique se o equipamento está em operação junto à CODESP (13 – 3202-6565) ou à CPSP (13 – 3221-3454). Além disso, entre 12h00 e 13h00 não há operação, que também é suspensa entre 18h00 e 07h00.

Na medida do possível deixarei esse roteiro sempre atualizado.

Uma observação importante é: mantenha-se no curso principal do canal o tempo todo.

Não entre em nenhum de seus braços. Não existe atalho!

É possível fazer esse trecho todo à vela em embarcações miúdas. Eu já fiz de Daysailer e HC14, sempre à vela, ida e volta e, também muitas vezes de caiaque. Mas veleiros maiores devem preferir usar o motor. É mais seguro!

Cuidado com o tráfego de lanchas e jets por toda a extensão do canal. Com honrosas exceções, essas embarcações costumam abusar da velocidade e ignorar regras básicas de governo.

Colaboraram na elaboração deste roteiro: Alan Trimboli, Luis Augusto Araujo, Donald Cooper,Marcelo Lanzara e Alexandre Asesti.

Bons ventos!

Juca Andrade

E-Mail contato: CUSCOBALDOSO@GMAIL.COM ou CAPITAO@CUSCOBALDOSO.COM

Maiores informações: www.cuscobaldoso.com

Veiculado no site da Cusco Baldoso no dia 22/09/2012. Para ver o post original clique aqui: http://veleirobaldoso.blogspot.com/2011/03/breve-roteiro-de-navegacao-do-canal-de.html

Veiculado pela SailBrasil News com autorização dos autores. Copyright © Cusco Baldoso. Todos os direitos reservados. All rights reserved.

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About Max Gorissen
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