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Estaleiro desativado: Flório Zottarelli

Foto extraída do vídeo de Isabel Fomm de Vasconcellos

Este estaleiro era dirigido pelo Senhor Flório Zotarelli que, em 1921, com apenas nove anos de idade, foi ajudar o tio a fabricar barcos que, na época, eram utilizados para as regatas que ainda aconteciam no rio Tietê em São Paulo.

Com mais de 400 barcos fabricados ao longo dos anos, muitos outros reformados e, uma infinidade de trabalhos de marcenaria náutica (leme, mastro, retranca, remos, etc), ele dizia: “Barco é assim: a alegria surge quando a gente começa a construir um, aumenta com o capricho de cada detalhe e termina quando você coloca a embarcação na água. Aí acabou. É voltar para o estaleiro e começar outro”.

Um dos mais conhecidos estaleiros dos velejadores da Guarapiranga, o Flório, durante muito tempo, ficou instalado nas margens perto da barragem da represa, contudo, em determinado momento, mudou para um galpão perto da represa, na Rua dos Inocentes, 578 – Socorro em São Paulo.

Amaciando as velas de algodão “Polaschek” . Lightning CANOPUS, 6057, construído pelo Flório em 1957. Foto: Roberto Rocha Azevedo

O estaleiro também produziu diversos modelos de lanchas, como pode ser visto no vídeo abaixo.

Dentre os modelos, figuravam lanchas norte americanas, como a Nikita, baseada em uma Chris-Craft 16 e fabricada pelo estaleiro em 1948.

O estaleiro encerrou suas atividades com o falecimento do Sr. Flório.


Veja o estaleiro Flório neste filme de Isabel Fomm de Vasconcellos no qual, em 1959, seu pai mandou construir uma lancha no estaleiro e filmou o processo construtivo e a saída de teste com a lancha… “Um barco artesanal, feito de ripas de madeira coladas sobre uma forma… Leve como uma pluma, que atingia a velocidade de 30 milhas por hora com um motorzinho de popa de 40 cavalos“, disse Isabel “Bebel”.

Filme da série “Recordar é Viver”, década de 1960: esqui na represa do Guarapiranga e construção da lancha Bebel (eu mesma! – Isabel Fomm de Vasconcellos).


Modelos de veleiros que o estaleiro fabricou em madeira:

  • Lightning
  • Penguim (os primeiros foram construídos pelo estaleiro no ano de 1954)
  • 15 metros de 1940
  • Star (o estaleiro Flório consta como um dos 535 construtores de Star oficiais, entre 1911 e 1983, da Star Class Association)
  • Dragon
  • Finn
  • Flying Duchman
  • Iole Olímpica
  • Seagul (principalmente para os velejadores do SPYC)
  • Iole 20 metros
  • Sharpie
  • Carioca
  • Guanabara

Se, você era velejador de dinghy’s em competições, com certeza, usou um leme ou uma bolina fabricada pelo Flório!

Velejando no meu HC-16 de nome “Bad Max” no anos 80. O veleiro ficava no CDMI na Represa da Guarapiranga. A primeira coisa que fiz ao adquirir o veleiro, foi comprar um jogo de lemes do Mestre Flório (abaixo). Eram simplesmente obras de arte!

Foto em destaque extraída do vídeo de Isabel Fomm de Vasconcellos

Esta é uma história em desenvolvimento… caso possua informações, contribua!

Max Gorissen

Velejador, escritor e editor da SailBrasil.com.br… nessa ordem!

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About Max Gorissen
Sailor, writer and editor, in that order...

5 Comments

  1. o artigo é bom, mas não falou nada do Flório, ele faleceu? oq sobrou do estaleiro, oficinas?

  2. O Flório foi um marco no desenvolvimento da vela no Brasil, importante mencionar que barcos fabricados por ele foram campeões mundiais

  3. Flório faleceu e o filho anda supervisionando construções de barcos. Pelo menos assim ele me disse há questăo de uns 8 anos. O estaleiro chamava-se “Estaleiro Neptuno” e havia a efige do deus dos mares na frontaria do galpão.

  4. Nasci e cresci em Interlagos. Quando moleque ia direto ao estaleiro dele fuçar, fazer perguntas e encher o saco. No começo ele era durão de poucas palavras. Com o tempo e meu jeito de garoto curioso fui o conquistando e passei muitas tardes incríveis vendo ele trabalhar.

    Anos 70… saudades!

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