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Viagens a negócios podem incluir algum lazer, especialmente quando se trata de veleiros ou da vida no mar

Sabendo que viajo muito, um cliente me perguntou o que eu faço quando chego a um lugar diferente. Respondi que, quando viajo, minha mente está sempre em reboliço, constantemente à procura de algo novo. Eu ficaria deprimido se um lugar não despertasse minha curiosidade.

Sempre vou aos mercados locais, shopping centers, museus e lugares que sei que os “locais” frequentam, porque eles me fazem sentir que sou parte dos lugares que estou visitando.

Normalmente, ando ou dirijo sem destino definido. As melhores experiências são aquelas que fazem você se sentir imerso em uma cultura diferente. Estas são as que você vai certamente lembrar.

Não importa se está viajando a negócios ou por prazer, o importante é tentar adaptar-se à cultura e aos costumes do país, até que uma sinergia seja estabelecida.

No meu caso, sempre considero que haverá uma língua diferente, uma outra mentalidade, um outro estilo de vida, com comportamentos e costumes diferentes, um outro senso de humor, uma maneira diferente de fazer negócios, um sistema legal particular, um sistema de trabalho diferente, entre outros.

Meu entendimento e aceitação dessas diferenças será mais benéfico para meus negócios e assuntos pessoais, garantindo o sucesso no empreendimento considerado.

Aproveitei uma viagem para Atlanta, GA – USA e fiz uma escala em Miami. As 10 horas que tive de esperar, permitiram que, além de comprar peças para meu veleiro, aproveitasse para velejar de WindSurf em Key Biscaine.

A vela e a náutica

Sempre que viajo, a primeira coisa que me pergunto é se no lugar para onde vou existe a possibilidade de conhecer algo relacionado com a náutica, principalmente com a vela e os veleiros. Pode ser um museu, uma marina, uma praia, lojas de peças náuticas, eventos náuticos, um píer, um restaurante à beira-mar etc. Caso exista, eu certamente vou achar uma maneira de visitar esse lugar ou evento. Não importa quão complicado seja. Sempre acho uma maneira.

Uma de minhas últimas aventuras complicadas em viagens de negócios aconteceu em abril de 2016.

Na ocasião, tive de ir a Bogotá, na Colômbia, para uma série de reuniões com possíveis clientes de uma empresa internacional de tecnologia que represento na América Latina.

Foi uma semana dura, que começou na segunda-feira e terminaria na sexta-feira às quatro da tarde, com três ou quatro reuniões por dia, sem contar alguns almoços e jantares… Felizmente eu tinha um motorista à minha disposição, ou não teria conseguido. Meu voo de retorno para São Paulo estava marcado para às dez da noite da sexta-feira, partindo de Bogotá.

Antes de viajar, tentei encontrar um veleiro para alugar e passar o final de semana em Cartagena, cidade que sempre tive vontade de conhecer, além, é claro, de velejar no mar do Caribe. Não consegui nenhum veleiro naquele final de semana, tampouco pude transferir a data de minha passagem. Meio frustrado, mas resignado, pensei que não teria como ver o mar do Caribe naquela viagem.

A semana e suas reuniões foram muito boas e sem maiores problemas, até que, na quinta-feira ao meio-dia – armadilha do destino – o último cliente agendado na sexta-feira ligou cancelando. Assim, só teria de comparecer à reunião de sexta-feira de manhã, que estava confirmada e começaria às oito horas. Eu não a perderia por nada no mundo: posso encontrar meios de atender aos meus desejos, porém sem nunca comprometer minhas responsabilidades.

Então, bendita tecnologia, celular e cartão de crédito, enquanto aguardava o início de uma reunião na quinta-feira, procurei um voo para Cartagena na sexta-feira: havia um saindo de Bogotá às dez e meia da manhã, com retorno às sete e meia da noite, chegando às oito e cinquenta de volta a Bogotá. Apertado. Eu não só teria de terminar a reunião às nove da manhã, conforme o previsto, como teria de correr para o aeroporto a fim de pegar o voo para Cartagena, e ainda correr riscos na volta, pois se o voo de Cartagena à Bogotá atrasasse eu perderia o das dez da noite para São Paulo… Voo internacional pede check-in com duas horas de antecedência – já não dava. Bem, o mundo é dos corajosos! Comprei.

Deu tudo certo. Deixei a mala em um guichê de bagagens, para não carregar peso, e levei apenas uma sacola de mão com um short e uma camiseta. Não tinha chinelos nem tênis, afinal, era uma viagem de negócios. Cheguei a Cartagena ao meio-dia e ainda no aeroporto pedi indicações de um restaurante perto de uma marina e do centro histórico.

Almoçando no restaurante Fuerte San Sebastian Del Pastelillo – Cartagena – Colômbia

Com a recomendação do restaurante Fuerte San Sebastian Del Pastelillo (www.clubdepesca.com), segui para o forte de mesmo nome, integrado à principal marina de Cartagena, chamada “Club de Pesca”, muito perto da cidade amuralhada e do centro histórico de Cartagena de Índias.

A cidade e o forte são muito perto do aeroporto, e cheguei rápido. Então almocei calmamente naquele calor caribenho, vestido ainda com roupa de negócios, na sombra de uma árvore de caucho de frente à Bahía de Las Ánimas e da Bahía de Cartagena, cheio de veleiros ancorados e aproados para o cálido vento de abril.

Vista da “janela” do banheiro do restaurante Fuerte San Sebastian Del Pastelillo – Cartagena – Colômbia

Após o almoço, infelizmente não consegui entrar na marina, mas pude comprar um par de chinelos em uma loja de artigos náuticos em frente ao restaurante, e me troquei para aguentar os mais de 35 graus daquele dia de verão. Comprei também uma bandeira triangular (pavilhão) da Colômbia para subir ao mastro, se algum dia ali chegasse de veleiro.

Andei por toda a cidade histórica, que é deslumbrante, com sua arquitetura colonial espanhola, típica dos filmes do Zorro da minha infância, ou de Paraty – embora em Paraty a arquitetura seja portuguesa, a comparação serve para dar uma ideia de como é a cidade colombiana, com a vantagem de que, nesta, as ruas permitem andar rápido sem se quebrar uma perna. Visitei até o Museu Naval del Caribe e algumas das tantas igrejas, entre outras atrações.

Tudo muito rápido e pingando de suor… Como não podia deixar de fazer, molhei os pés no mar em frente à grande muralha que fica na Avenida Santander, para em seguida, cheio de areia e suado, pegar um táxi de volta ao aeroporto, onde, após fazer o check-in às pressas, me vesti com roupas de trabalho e entrei no voo para Bogotá. Dentro dos sapatos ficou um bocado de areia do mar, que só consegui tirar no banho, já em São Paulo, no dia seguinte.

Valeu a pena! Que lugar maravilhoso e que experiência fantástica!

Aventuras com essa, tenho muitas para contar:

Na Inglaterra (Londres, Southampton, Cowes):

Na Argentina (Buenos Aires):

Na Venezuela (Puerto La Cruz):

Nos Estados Unidos (Miami, São Francisco, Nova York, Los Angeles, Boston):

Na Itália (Viareggio e Veneza):

…e no próprio Brasil (Rio de Janeiro, Vitória, Florianópolis, etc).

O importante a deixar registrado é que, não importa onde você esteja e quão limitado seja seu tempo, se você tem uma paixão, parece que tudo conspira e sempre existe uma maneira de completar sua visita de negócios com um passeio de lazer, ou seu passeio de lazer com uma visita de negócios.

É só estar disposto a viver uma aventura!

Foto em destaque: Amanhecer em Coconut Grove – Miami – USA

Bons ventos!

Max Gorissen

Velejador, escritor e Editor da SailBrasil.com.br… nessa ordem! 😊

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About Max Gorissen
Sailor, writer and editor, in that order...

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