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Veleiro Henriette II

Foto: João Penna Andrade

Especificações:

  • Ano de Fabricação: 1965
  • Outros nomes: 
  • Modelo: Sea Jipper II
  • Estaleiro: Canal Clube de Pesca e Ski – Canal de Bertioga
  • Material construtivo: Madeira
  • Armação: Sloop
  • Propulsão: 
  • Tripulantes/ Passageiros: 
  • Numeral: 
  • Comprimento:  30′ ou 9,40 m
  • Design No.: Projeto de 1945
  • Linha d’água (m): 6,40
  • Boca (m): 
  • Calado (m): 1,50
  • Área velica (m²): 
  • Deslocamento (Kg): 3.500
  • Projetista: Jaap Kraaier (Holanda)
  • Observações: Construído no Brasil pelo holandês Gerardus Van Cleef (amador) no ano de 1965.

Esta é uma história em desenvolvimento… caso possua informações, contribua!

Depoimentos

Por João Penna Andrade

O Henriette foi construído no Brasil por Gerardus Wilhelmus van Cleef em 1965 no Canal Clube de Pesca e Ski, no canal de Bertioga, cidade de Guarujá-SP.

Van Cleef, apesar da sua aparência simplória (diziam que ele andava pelo clube de sapato social preto, meia preta, short xadrez, camisa social e chapéu panamá), era um alto diretor da Philips do Brasil, no entanto, foi com as próprias mãos que construiu o veleiro.

Seu projeto é igualmente holandês, porém bem mais antigo de 1946, de Jacob “Jaap” Kraaier.

Ele foi desenhado para participar de um concurso lançado em 1944 pelo KVNWV (Real Associação Holandesa de Esportes Aquáticos) para a construção de um “yacht” de cruzeiro (pra viagem) para uso no Zuiderzee, uma grande baía da Holanda. O concurso terminou com o juri do concurso decidindo distribuir o prêmio de 400 florins igualmente para os quatro finalistas, incluindo o design do Sea-Jipper II, o modelo do Henriette.

Poucos modelos foram fabricados, talvez 6 no total, sendo o primeiro chamado Albatros, que tem o seguinte site na internet: https://zeiljacht-albatros.nl/.

Veleiro Albatros – Holanda. Repare que neste veleiro foi adicionado ao projeto original um gurupés. Veja explicação do motivo mais adiante no texto. Clique na foto para acessar o site do Albatros Holandês.

O casco do Henriette II é de madeira com resina e teve pelo seu último dono, o Zé Paulo de Ilhabela, uma camada de fibra de vidro aplicada, apenas na parte molhada, eu creio, para melhor conservação da madeira.

A construção é de quilha inteiriça (full-keel), que é quando a quilha, que dá a estabilidade direcional de um veleiro, impedindo que ele ande de lado, faz parte da do casco, e corre praticamente todo seu comprimento (ver foto abaixo).

Henriette II durante docagem em Paraty em 2014. Repare na quilha inteiriça (full-keel). Foto: João Penna Andrade

Nos veleiro modernos, é difícil encontrar este tipo de construção, as quilhas são peças separadas do casco (que quase sempre é de fibra de vidro) de chumbo ou ferro e são parafusadas no casco.

É nas quilhas onde se coloca o lastro (peso) nos veleiros oceânicos e é importante que ele fique o mais fundo possível para gerar mais alavanca para contrabalançar a força que o vento exerce sobre as velas.

É por isso que os veleiros de comportam como joão-bobo, conseguindo, em tese, mesmo que o mastro encoste na água, volta a ficar de pé graças ao peso do lastro.

Uma das vantagens dos full-keel em relação aos modernos, é que por ter seção em “V”, à medida que o barco sobe e desce nas ondas, ele vai “cortando” o mar suavemente, por isso existe um tipo de casco chamado “cutter”, por causa deste efeito, ou seja, isto proporciona uma navegação mais confortável, principalmente no contra-vento, quando, via de regra, vai-se também contra as ondas. Enquanto isso, os veleiros modernos tem seção em “U”, com o fundo bastante chato, o que faz com que, quando vai contra as ondas, suba e ao descer bate com mais força.

Outra vantagem do full-keel, é que o leme fica contíguo à quilha e, assim, muito protegido de avarias por impacto contra pedras, objetos flutuantes e até, quem sabe, baleias.

Uma desvantagem do full-keel é que por ter mais superfície molhada, seu arrasto é maior. Outra parece ser sua capacidade de manobra pior, principalmente ao dar ré, pois sua tendência é manter o rumo.

O veleiro foi originalmente armado em “sloop”, ou seja, um mastro, com uma vela à frente, a genoa e uma vela atrás, a grande ou mestra (apesar de muitas vezes a genoa ser maior que a grande!) , contudo, a exemplo do que foi feito com o “sister-ship” Albatros pelo seu 4º dono, foi colocada mais uma vela à frente, saindo se um pau na proa do barco, chamado gurupés, até o topo do mastro (a genoa original tinha armação que não ia até o topo).

Esta modificação foi feita pois o dono o considerava “ardente”, que é o que se diz de um veleiro que tem tendência a orçar, apontar (ou ginar) para direção de onde vem o vento. Ao contrário, quando o barco tem a tendência de virar para para onde o vento está indo (e não vindo), se diz que ele é “mole”. Entre os dois comportamentos, o mais desejável é o ardente, por ser de um equilíbrio estável, pois ao apontar para o vento a velas panejam e o barco perde velocidade, caso contrário o vento incidiria com mais força nas velas, adernando (inclinando) o veleiro, num comportamento perigoso.

Esta modificação também foi feita pelo último dono, o Zé Paulo, mas as velas que estão lá não são adequadas para serem usadas em conjunto. À frente está uma genoa maior para ventos fracos e mais pra trás há outra genoa menor para ventos fortes. Pretendo colocar velas mais apropriadas que permitam o uso das duas em conjunto.

Parece que existe mais um barco deste modelo na holanda (além do Albatros), segundo consta no sítio da Associação Holandesa de Veleiros Clássicos. Eu postei no FB deles pedindo informações mas até agora não recebi resposta.

Mais sobre o Albatros. O Albatros teve algum sucesso em regatas na Europa e fez viagens por vários países da Europa. Benda, seu primeiro dono, foi com ele pra costa leste da Inglaterra numa época que ainda haviam muita minas no mar do norte, após o fim da 2ª guerra. Com a escassez do pós-guerra, o barco ainda não tinha motor, o que o levou a encalhar entre as localidades de Scheveningen e Hoek van Holland próximo à cidade Haia, na Holanda em 1950, numa calmaria e sem visibilidade, mas foi resgatado.

Os velejadores que se lembram do Albatros nos primeiros anos do pós-guerra, diziam que ele era um dos maiores barcos de passeio da época com seus 9,4 m (30 pés) e era considerado o mais bonito do então tranquilo IJsselmeer (parte da baía de Zuiderzee).


Fotos:

Autor desconhecido: se uma destas fotos for sua, favor enviar seu nome para darmos o devido crédito. Caso queira que retiremos a fotografia favor avisar. E-mail: redacao @sailbrasil.com.br

Equipamentos disponíveis no veleiro informados por João Penna Andrade em 14/04/2020:

  • Velas: mesta, genoa 1, genoa 2, e balão assimétrico de Dracon (tecido de grande resistência para velas)
  • Velas de proa montadas em enrolador Nautec (Nautos)
  • Mestra com lazy jack (saco para guardar a vela sobre a retranca quando baixada)
  • Motor de centro: Yanmar (boa marca) 3ym com 21 cv (400 h de uso – pouco)
  • 2 tanques inox com 80 l no total (consumo de 2 l/h)
  • Hélice de 3 pás
  • Sonda de profundidade SINRAD
  • Medidor de velocidade e direção do vento SINRAD
  • Piloto automático (mantem o rumo) Raymarine ST 2000
  • Rádio VHF com antena no mastro
  • Guincho elétrico Lewmar para corrente de 6 mm
  • 50 m cabo de nylon 12 mm trançado + 10 m corrente aço inox
  • 2 baterias 70 Ah
  • Inversor de baixa potencia 110 V
  • Painel solar pequeno
  • Luzes internas LED
  • Fogão inox 2 bocas a gás montado sobre eixo pivotante.
  • Tanque de água com 120 l
  • Caixa de gelo
  • Privada Jabsco de acionamento manual (fica embaixo da cama de proa)
  • Cama de proa de casal grande + 3 camas de solteiro
  • Bomba de porão automática Rule
Nesta foto pode-se ver o veleiro Henriette II com um gurupés instalado na proa. Esta configuração foi feita pelo dono anterior, o Zé Paulo, mas as velas que estão lá não eram adequadas para serem usadas em conjunto e mudei para o plano original. Foto: João Penna Andrade

Veleiro Henriette II nas mídias sociais:

Facebook: https://www.facebook.com/veleirohenriette/


Texto e informações fornecidas/com contribuição de: João Penna Andrade

Cadastro Nacional de Veleiros

Cadastro Nacional de Veleiros Brasileiros (LOA até 100 pés).

Não importa se esses veleiros são de propriedade de indivíduos, organizações, fundos fiduciários ou museus. Também não importa se são novos, usados, estão em péssimas condições, se já foram destruídos ou afundaram.

Não importa se foram produzidos no Brasil ou no exterior, desde que tenham algum tipo de relação com o Brasil… Todos são importantes.

Quer ajudar ou possui informações? Clique aqui para saber como.

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