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Os quatro jumentos a bordo

Cerca de duas horas depois de termos deixado o porto de Salvador, no través da Ponta de Itapoã, havia um Navio Patrulha da Marinha do Brasil.

Por conta das Olimpíadas a fiscalização estava mais rigorosa.

Pelo menos foi isso o que o operador do rádio explicou, em bom inglês, para o capitão do veleiro Bank von Bremen (de cinquenta pés e com dez pessoas a bordo, sendo duas mulheres e oito homens).

O capitão alemão, cujo inglês não era tão bom quanto o do operador de rádio, sofreu para responder as quinhentas perguntas que lhe foram feitas.

E feitas novamente. E mais uma vez. Não sei se fui claro o suficiente: eram muitas perguntas.

Passamos bem perto desse navio e houve dúvida quanto a manobra.

Foto tirada por mim do Navio Patrulha desta crônica e foi feita durante a chamada VHF. Foto: Cusco Baldoso/ Juca Andrade

Ficamos com a impressão de que ele estava vindo para cima do Fratelli (Delta 36).

Então colocamos o rumo para a popa do navio e o Marcelo o chamou no rádio:

Navio Patrulha, copia Fratelli?

– Positivo! Prossiga Fratelli!

– Canal uno sétimo.

– Uno sétimo.

Lá no 17:

– Navio Patrulha, nós manobramos para passar pela sua popa, positivo?

– Positivo.

Foi ai que, então, caímos no mesmo buraco negro do capitão Alemão:

– Fratelli, armas a bordo?

– Negativo.

– Plantas?

– Negativo.

O Marcelo, já sabendo das perguntas, resolveu atalhar e saiu falando tudo de uma vez:

– Estamos indo para Recife, saindo de Salvador. Não temos armas, nem drogas, nem plantas,  nem inseticidas, nem pesticidas, não temos agrotóxicos, facas com lâminas maiores do que vinte centímetros, nem intenções hostis, nem pessoas doentes, nem pessoas enjoadas, vamos ancorar no Cabanga, a posição do ponto de fundeio é… e blá, blá, blá.

Mas… ele esqueceu de responder uma pergunta crucial!

– Fratelli, animais a bordo?

Era um rol de perguntas de fato interminável… Foi ai que veio a resposta engraçadinha:

– Tirando os quatro jumentos a bordo aqui comigo, nenhum.

O operador que de bobo não tinha nada, entendeu a gracinha. Esperamos, então, a bronca ou os tiros de metralhadora em razão do “ato de guerra”.

Após uma breve pausa veio a resposta pelo rádio:

Fratelli… Hahahahahahahahahaha. Fratelli… hahahahaha


O operador do navio tentava se conter a todo custo, mas acabou sendo vítima de um ataque de riso. E quanto mais ele lutava para manter a sobriedade da conversa, mais ria.

Isso era inusitado e também contagioso, pois a resposta do nosso Capitão vinha entrecortada por risos também:

– Descul… hahahaha…. pe… hahahaha

E o operador:

– Está… hahahahaha descul…. hahaha… pado hahahaha!

Disse ele pensando, provavelmente, na quantidade de animais semelhantes a bordo de seu próprio “vaso de guerra”.

Havia ainda um outro tanto de perguntas. Remédios, vistos, o que faríamos depois de Recife, etc, etc, etc.

Mas depois dos jumentos, não havia mais clima e cada um achou melhor seguir seu rumo.

Passamos pela popa e seguimos safos ate Recife.

E vamos no pano mesmo!!!

Foto em destaque: Cusco Baldoso/ Juca Andrade

Maiores informações:

Juca Andrade

Instagram: https://www.instagram.com/cuscobaldoso/

Facebook: https://www.facebook.com/cuscobaldosovela/

E-Mail contato: cuscobaldoso@gmail.com

Site: www.cuscobaldoso.com

Veiculado pela SailBrasil News com autorização do autor Juca Andrade da Cusco Baldoso. Copyright © Juca Andrade – Cusco Baldoso. Todos os direitos reservados. All rights reserved.

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About Max Gorissen
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