Clube desativado: CDMI – Clube Desportivo Municipal de Iatismo

Nos anos 1980 surgiram os Clubes Desportivos Municipais como uma modalidade, criada pela Prefeitura de São Paulo, para que as Federações de vários desportos pudessem usar as áreas públicas para estimular e promover o crescimento dos esportes.

A Federação de Vela do Estado de SãoPaulo (FEVESP) foi uma dessas federações que assumiu uma área nas margens da Represa de Guarapiranga sito, na época, na Av. Robert Kennedy (atual Atlântica), 5.300 – São Paulo – 04805-000 – SP. O telefone era o (11) 522-0260 e as coordenadas aproximadas: 23°42’34″S e 46°42’45″W.

Quem não entrou e saiu da água nessa prainha… a rampa de concreto, era destinada aos Lightings, Microtonner 19, O’day 23 e Day Sailer, que ficavam guardados ao longo da rampa. Na foto, Max Gorissen com sua prancha Slalom da Team Brasil e vela N/S Wave 5.5 saindo da água na praia onde ficavam guardados os Snipes, 420, 470 e outros monocascos.
Os HC-14, HC-16 e Super Cat ficavam em uma área entre o estacionamento e a rampa que dava direto na represa. Como a maioria dos HC não tinham carreta, a briga era pelo uso da do clube e de algumas que estavam liberadas pelos seus proprietários. Os HC eram amarrados ao solo pela travessa da proa e popa para que não saíssem voando em dias de muito vento. Na foto, Max Gorissen caçando as talas da vela mestra do seu HC-16 de nome Bad Max.

Esta é uma história em desenvolvimento… caso possua informações, contribua!


O Clube


Escolas de vela

Dick Sail

A Dick Sail foi a Escola de Vela do Clube Desportivo Municipal de Iatismo voltada para os veleiros monocascos… hoje, continua a capacitar e desenvolver os novos velejadores com sua sede na Associação dos Servidores do Banco Central (ASBAC) – Guarapiranga. Site: https://dicksail.com.br

Windsurf

Em 1987, a Escola de Vela do Clube Desportivo Municipal de Iatismo, com o Windsurf sendo gerenciado pelo Ricardo Munhoz, que ficou por muitos anos no comando da ABPV (Associação Brasileira de Prancha a Vela) crescia de vento em popa e o esporte crescia ainda mais. Regatas de norte a sul do Brasil formaram apaixonados do esporte e verdadeiras amizades. Hoje, instalado em outra área da represa de Guarapiranga, quando se fala em Windsurf, não há quem não conheça a Tempo Wind Clube do Ricardinho.


Semana Finasa de Vela

Um dos eventos mais esperados, além da Regata de Abertura, era a Semana Finasa de Vela, patrocinada pelo Banco Mercantil de São Paulo. Todos os anos em que aconteceu, pelo menos 400 veleiros de todas as classes e de todos os clubes da represa e alguns de fora, participavam do campeonato preenchendo com velas todas as raias da represa.

Achei estas fotos da Copa Finasa de Vela 1992 na Guarapiranga, onde fui campeão de Windsuf Raceboard B… no mesmo ano fui campeão paulista de windsurf na mesma classe… minha vela era a número 123… foi um fim de semana chuvoso e frio… a foto da premiação está fora de foco mas dá para me reconhecer… estou no topo do pódio e acho, vestindo uma jaqueta verde, aparece o nosso saudoso Dêga do CDMI e de sweater beije, de costas, o Sr. Dionísio, sempre na juría dos mais importantes campeonatos da vela do Brasil… incrível é ter achado também o Boletim Informativo da FEVESP… veja se o seu nome não consta nos resultados…


O início da Vela Paralímpica

Desde 1999, em Guarapiranga – SP, existe a iniciativa de promover a vela de competição para pessoas portadoras de deficiência física em um projeto denominado “Água Viva”. Esta iniciativa reúne o Clube Desportivo Municipal de Iatismo, o Clube Paradesportivo Superação e a Associação Paulista de Velejadores da Classe Day Sailer. A Federação Brasileira de Vela e Motor – FBVM uniu-se ao projeto para facilitar o desenvolvimento de condições para a implantação da Classe 2.4, internacional e paraolímpica, no Brasil.

A história começa em 1999 com Berenice Chiarello, fisioterapeuta com mestrado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), que desde os anos 1980 ministrava aulas de natação para pessoas com deficiência e que, de forma espontânea, mostrou interesse em velejar, querendo saber se era possível para uma pessoas com deficiência física praticar a modalidade.

O marido de Berenice, Renato Valentim, empresário, tinha na vela sua grande paixão, tendo, inclusive, ganho campeonatos paulistas. Tentando solucionar a questão levantada pelo aluno de sua esposa, Valentim procurou a então Federação Brasileira de Vela e Motor (FBVM) para saber o que o Brasil oferecia em termos de vela paralímpica. Foi quando descobriu que nada era feito nesse sentido no país. Renato passou então a pesquisar sobre a modalidade e decidiu usar barcos da classe Day Sailer, uma categoria da vela convencional, com a intenção de propiciar a prática da vela a quem se interessasse. “Eram os mais parecidos com os barcos oficiais da vela paralímpica, que eram muito caros. Mas estavam longe do ideal, já que esses barcos não têm quilha, diferentemente dos barcos oficiais da vela paralímpica. A quilha ajuda demais a não virar o barco, dá uma estabilidade maior”, explica Valentim. Em 3 de julho daquele ano, o Clube Municipal de Iatismo, na represa de Guarapiranga, em São Paulo, recebeu 15 atletas com vários tipos de deficiência física para o primeiro dia de treinos, coordenados pelo casal Renato e Berenice. Saiba mais em http://livrolegado.aureaeditora.com.br/modalidades/vela/

Veja também: http://ippbrasil.org.br/modalidades/vela/

O grande sucesso desse primeiro trabalho resultou em um convite feito aos atletas paralímpicos para um programa batizado pelos próprios velejadores de Projeto Água-Viva, que consistia em treinamentos realizados em barcos Day Sailer.


O bar

Lembro do tempo em que passei sentado na varanda em frente ao bar do Mariano (um dos proprietários do bar por uma época), comendo hambúrguer ou algum refrigerante ao final de um dia de velejada.

O bar era o ponto de encontro e todos se reuniam lá para comer, beber e contar “causos” depois de ter tomado um bom banho para tirar o “cheiro da água da represa”.


Fotos dos CDMI

Mande sua foto!


O Fim dos Clube Desportivo Municipal de Iatismo

DECRETO Nº 49.374, DE 3 DE ABRIL DE 2008: GILBERTO KASSAB, Prefeito do Município de São Paulo, no uso das atribuições que lhe são conferidas por lei, e à vista dos elementos constantes do processo administrativo nº 2008-0.088.837-1, DECRETA:

Art. 1º Fica criado e denominado o Parque Praia de São Paulo, na Subprefeitura de Capela do Socorro, em área de 168.679,00m² (cento e sessenta e oito mil, seiscentos e setenta e nove metros quadrados), localizada na orla da Represa Guarapiranga, entre, incluindo-o, o Centro Desportivo Municipal de Iatismo, na altura do número 5.300 da Avenida Robert Kennedy, e o antigo Golf Clube, no número 2.450 da mesma avenida, conforme croqui anexado à fl. 09 do processo administrativo nº 2008-0.088.837-1.


A Represa de Guarapiranga

Livro Guarapiranga 100 anos: http://www.museudaenergia.org.br/livro/Livro-Guarapiranga100Anos.pdf


Depoimentos

Estevão Cardoso de Almeida por e-mail em 20/06/2020

Bom dia Max,

Li sua reportagem sobre o Flório e sobre o TOM, e me veio uma ideia de sugerir uma reportagem sobre o CDMI.

Comecei a velejar em São Paulo (já velejava desde os anos 70 no litoral de SP) na década de 80 quando surgiu o CDMI, com uma cultura, um ambiente e uma filosofia que permitiam quem tinha poucas condições de emprestar veleiros, aprender a velejar e aproveitar aquele ambiente. Sempre, em qualquer dia da semana, tinha alguém para conversar no CDMI. O Tom, outros velejadores, a famosa “severa” e “especial” Da.Henriqueta na secretaria da Federação.

Velejei dos anos 80 até o fim dos anos 90 no CDMI em diversas embarcações como, Laser, Lightning, 470, 420 com o Gilbert Fabalet e, finalmente consegui comprar meu HC-16.

Infelizmente, com aquela grande seca dos anos 90…ideologias que penalizavam o iatismo (coisa das elite), questionamento do uso do espaço público (os Clubes Desportivos Municipais eram uma modalidade criada pela prefeitura para que as federações de vários esportes usassem área pública para estimular–pelo que sei, acho, somente o CDMI e acho que o CDM de tiro – no Clube Regatas Tietê tinham vingado) e outras coisas ideológicas, o CDMI da Guarapiranga despareceu …RIP… a sede e etc, modestas e suficientes, mantidas por taxas irrisórias nos dias de hoje, mas suficientes….deixam sempre boas lembranças.

Mas, acho que tem muita gente por aí que poderia contribuir com imagens, relatos e, talvez, desse para fazer uma reportagem de memórias do CDMI.

Abraços,
Estevão Cardoso de Almeida

Resposta: Boa noite Estevão, Boa ideia!!! Vou ver como estruturar esta matéria e sem dúvida vou “usar você”, no bom sentido, como fonte… velejei no CDMI (No. de socio 210-0… lembro até hoje) começando com Lightning (Brisa do Luiz Planas) e indo para Windsurf e HC-16 (Bad Max)… naquela seca que você mencionou, eu vendi o HC-16 e comprei um Ranger 26 de nome ORM que ficou na Marina Nacionais no Guarujá por 18 anos… adorava o CDMI!!! Vamos nos falar semana que vem!

Um excelente final de semana! Max Gorissen 


Rubens Bueno em 23/06/2020

Oi Max.

Procure o Petrucci na internet.

O Souza Ramos também pode saber de tudo por lá. Também:

  • Mario Buchup.
  • Dionísio.
  • Cuca Sodré.
  • Ann Veigue
  • Alexandre Ferraz (filho do famoso Empire Claudio Ferraz)

Esse é um bom caminho. Espero ter colaborado para história de um berço de campeões do iatismo Paulistano e Paulista.

Ah! Ia me esquecendo; ouvi dizer que Da. Henriqueta foi vista lá pelas bandas do Yacht Club Paulista.


Fabien Lerner em 23/06/2020

Velejei lá.
Só me lembro da secretária que era muito brava kkkk.
Eu tinha 60 quilos e andava de Fin 🥴
Ela me deu uma bronca enorme uma vez, quando estava regulando o meu barco, disse que eu não devia mexer no barco dos outros 😂.
De fato não tinha e não tenho gabarito para o Fin


Raymond Grantham em 23/06/2020

Olá, Max! Também fui sócio do CDMI. Eu era sócio do Castelo, mas não havia vaga para meu Lightning ( made by Florio).

Desta forma fui para o CDMI que estava iniciando na época 1979 aproximadamente.

Fui sócio até 84 quando optei por morar em Santos.

A frequência era ótima e lá também ficava a sede da Fevesp, cujo mandatário era, na época, nosso grande amigo Dionísio.

O Dionísio era dono de outro Lightning, by Florio, o “Viking” assim como o meu, todo envernizado.

Lightning Thais VIII no CDMI. Este Lightning hoje está no Museu do Veleiros em Rio Grande RS. – Foto: Raymond Grantham

Roberto em 23/06/2020

Também fui do CDMI entre 2003 até 2005 . Daí comprei um Snipe e passei a velejar de novo em Santos mesmo morando em SP.

Na época o CDMI já era bagunçado e ainda tínhamos a Fevesp com a Da. Henriqueta na secretaria.


Amadeu em 23/06/2020

Dona Henriqueta acho que tinha plaquinha de patrimônio!

Fiz um curso de vela no CDMI, meados da década de 80. Morava no Paraíso, pegava um ônibus na Av. Nove de Julho e trocava no terminal de Santo Amaro. Era mais ou menos 1:30h pra ir e outra 1:30h pra voltar, duas vezes por semana!

Meu primeiro Finn veio do “cemitério” do CDMI. Era um Bruder e estava abandonado lá. Conversei com o dono, acertei as mensalidades atrasadas e fiquei com o barco. Não tinha estanque, só umas bóias “à la Op”. Tive que tirar esse Finn do fundo duas vezes, uma na Represa e outra na Ilhabela….


Max Gorissen

Velejador, escritor e editor da SailBrasil.com.br… nessa ordem!

About Max Gorissen
Sailor, writer and editor, in that order...

1 Comment

  1. SERGIO FELIX HAUAGGE ADAMOVICZ julho 3, 2020 at 10:49 am

    Bons tempos !!!

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