Veleiro Itacibá II

Foto: Conrado García Ferrés

Especificações:

  • Ano de Fabricação: 1946
  • Outros nomes: –
  • Modelo: Classe Guanabara – Modelo de uma Iole Alemã adaptada às condições da Baía da Guanabara.
  • Estaleiro: Estaleiro “Varetas”, propriedade do Mestre Manoel Rodrigues – Vitória – ES
  • Material construtivo: Madeira
  • Armação: Sloop
  • Tripulantes/ Passageiros: 6/ 4 pernoite
  • Numeral: G 97
  • Comprimento (LOA):  7,20 m (24 pés)
  • Linha d’água (LWL) (m): 6,60
  • Boca (Beam) (m): 2,36
  • Calado (m): 0,30/ 1,47
  • Área velica (m²): 20,00
  • Deslocamento (Kg): 1.200
  • Projetista: Friederich Heuer
  • Observações: Os dois primeiros veleiros da classe denominados de GUANABARA, foram construídos em Hamburgo-Alemanha pelo construtor naval Friederich Heuer, que também fez seu projeto, e importados para o Brasil chegando aqui em 1936 com os nomes Flanenlob IV e Sênior (posteriormente, os nomes foram trocados por Itapacis e Itaicis, respectivamente).

Esta é uma história em desenvolvimento… caso possua informações, contribua!

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Texto/E-mail enviado por Conrado García Ferrés, em 23/11/2009:

O “Itacibá” foi construído no Estaleiro “Varetas” em 1946, propriedade do Mestre Manoel Rodrigues, em Vitória, ES. No mesmo estaleiro foi construído o Guanabara “Bruma” do Comandante Justus, hoje no ICB de Niterói, Baia de São Francisco.

O “Itacibá” teve sua caixa de bolina modificada em 1958, deixando de ser tipo “meia lua” e passando a ser tipo “patilhão bolina” com 1,70m de calado com ela abaixo. Esta solução, além de baixar o CG da bolina, limpou a cabine, deixando a caixa de bolina bem baixa e servindo como mesa. Ela não ultrapassa a altura dos beliches.

Dentro, cabem quatro pessoas dormindo. Não tem banheiro nem nenhuma instalação elétrica. Aos lados da portinhola da cabine, dois armários guardam os trecos. Na proa uma caixa de madeira recebe a âncora, com acesso pela gaiúta de proa. As vigias são todas fixas, com requadros em bronze externamente e madeira internamente.

Todo o casco e cavernas são visíveis desde dentro, sem nenhuma forração além dos paineiros.

Sob os paineiros da cabine enchi de garrafas Pet para ajudar na flutuação em caso de capotagem. Sob os paineros do cockpit e na proa coloquei flutuadores de Optimist com o mesmo objetivo.

O fundo do cockpit se comunica direto com o porão. Não é estanque. De forma que toda a água que embarca pelo cockpit vai parar no porão interno. Para isso temos uma bomba de porão manual no cockpit. Dois bujões, no ponto baixo do porão, um de cada lado da quilha, permitem esvaziar o porão quando em seco. O cockpit é todo aberto e a tripulação senta-se na lateral do deck, sobre uns banquinhos ripados.

Não há guarda-mancebo no barco.

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Guanabaras, com o Itacibá II à direita, participando da Semana Internacional de Vela de Ilhabela 2017 – Foto: Max Gorissen

Originalmente todas as adriças se manobravam no pé do mastro. Eu desviei a adriça da grande e da buja para o teto da cabine com acesso desde o cockpit.

Originalmente tinha somente uma única catraca no centro do banco do cockpit que permite acionar alternadamente, as escotas e o cabo da bolina. Eu comprei duas catracas de bonze maciço em um desanche em San Isidro, Buenos Aires, e coloquei nas bases existentes em cada bordo. Agora temos 3 catracas de bronze, com suas manicacas originais.

Originalmente tinha uma cana de timão em forma de “V” para permitir o timoneiro ficar na escora. Porém ocupava um espaço enorme, diminuindo o conforto e capacidade do cockpit. Coloquei uma cana reta com extensão “Spinlock” e ficou bem mais espaçoso e comodo. Com a cana em “V” era impossível manobrar quando alguém tinha que acionar o motor de popa.

O mastro é de Pinho de Riga maciço com trilho para garrunchos. Obéns e stais em cabo de aço 1/4″ com esticadores de bronze maciço. No topo, uma “Martingala” sustenta o fracionamento do estaiamento. Na popa um esticador de cabos regula o stay de popa.

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Itaciba II – Foto enviada por José Guilherme Clementi Charles

A retranca é de Cedro naval maciço também com trilho para garrunchos. A esteira se regula na própria retranca com multiplicador de cabo de aço.

O pau de spinaker é de Pinho de Riga maciço.

O traveller original era um simples trilho de bronze sobre o qual corria em seco a base do moitão da escota da grande, com o qual sob pressão não corria devidamente. Troquei por um traveller de trilho de alumínio com carrinho sobre roletes e agora funciona fácil.

Na popa, sob o deck tem espaço para bujão de gasolina, escada de abordagem, boia circular, defesas, etc.

Fotos do Itacibá II – Autor das fotos: Conrado García Ferrés


Cadastro Nacional de Veleiros

Cadastro Nacional de Veleiros Brasileiros (LOA até 100 pés).

Não importa se esses veleiros são de propriedade de indivíduos, organizações, fundos fiduciários ou museus. Também não importa se são novos, usados, estão em péssimas condições, se já foram destruídos ou afundaram.

Não importa se foram produzidos no Brasil ou no exterior, desde que tenham algum tipo de relação com o Brasil… Todos são importantes.

Quer ajudar ou possui informações? Clique aqui para saber como.

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About Max Gorissen
Sailor, writer and editor, in that order...

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