Diário 26 – 08/07/22 – Expedição Rota Polar

Tomar decisões em ambientes inóspitos e imprevisíveis é o maior desafio para qualquer viajante que se lança em uma empreitada semelhante à nossa.

Inicialmente pretendíamos iniciar a viagem em Nome no Alasca. Porém depois da invasão russa na Ucrânia os fretes encareceram muito e as datas de entrega do barco ficaram imprecisas.

Isso nos causou muita insegurança, então o Igor e eu decidimos partir de Prudhoe Bay no Norte do Alasca mais próximo da fronteira com o Canadá.

A questão é que esta estrada é a única que leva para o Oceano Ártico no Alasca, mas ela não chega no mar. Ela chega quase no mar, pois existe uma empresa petrolífera no caminho.

Tentamos por dois meses argumentar com a empresa que queríamos entrar na área privada apenas para colocar o barco na água e partir. Não teve jeito e partimos para a última opção que era Tuktoyaktuk no Canadá também próximo a fronteira do Alasca.

Pensamos. Saímos de Tuktoyaktuk e voltamos para o Alasca em Kaktovik e de lá retornamos para o Canadá em direção ao Leste para cruzar o principal objetivo, a Passagem Noroeste.

O que não esperávamos era encontrar um verão atrasado em três semanas, onde o gelo continua bloqueando a nossa baía aqui em Tuktoyaktuk.

Diariamente olhamos a atualização via fotos do satélite sobre como estão as rachaduras e as possíveis aberturas do gelo.

Já estamos aqui há 8 dias e agora que o cenário está começando a dar sinais de melhora.

Temos duas opções. Voltar as 200 milhas até Kaktovik ou seguir viagem para o nosso objetivo procurando chegar em Paulatuk, nossa primeira escala a Leste daqui.

Qual é o impasse? Se gastamos 7 dias para ir e voltar para Kaktovik e neste tempo aparece uma oportunidade para avançarmos para Paulatuk temos um risco de na volta o gelo ter fechado o caminho novamente.

A questão do gelo não tem a ver com derretimento apenas. O que faz o gelo abrir no verão são os fortes ventos do final da primavera que provocam ondulações e as correntes com ventos de leste, tirando o gelo do caminho.

Temos muito receio de não conseguirmos terminar a viagem este ano e termos que voltar no ano que vem, deixando o IGLOO em alguma comunidade Inuit.

Como estamos atrasados decidimos avaliar na segunda feira como estão as condições para irmos para Paulatuk e mesmo se não estiver totalmente aberta é possível que tomemos a decisão de partir.

Com muita responsabilidade a nossa estratégia será escolher um caminho onde possamos eventualmente esperar com segurança o gelo abrir.

Temos algumas indicações que será possível partir, mas só decidiremos na semana que vem.

Eu pessoalmente creio que muitas vezes ficamos esperando o momento ideal para partir e acabamos deixando escapar uma oportunidade de ouro.

Velejar é jogar xadrez com o vento, temos que dosar a audácia com a cautela, a ânsia de partir com a sabedoria de esperar.

Um excelente sábado!

Beto Pandiani

Autor da foto em destaque: Expedição Rota Polar – Beto Pandiani e Igor Bely


Beto Pandiani e Igor Bely embarcam em uma jornada de 100 dias velejando por uma rota marítima lendária: a Passagem do Noroeste.

Localizada no extremo norte das Américas, acima do Círculo Polar, a Passagem é uma área de estreitos que esteve, por séculos, congelada.

Esse cenário, porém, tem mudado nos últimos 25 anos, com o degelo da região e a abertura de caminhos antes intransponíveis.

Partindo do Alasca rumo ao mar da Groenlândia, Beto e Igor querem entender em que medida essa transformação tem sido causada pelo homem e em que medida é ação da natureza.

Filmada pela Tocha Filmes e acompanhada por um time de especialistas da USP, a viagem dará origem a um documentário sobre as mudanças climáticas no Ártico e seu eventual efeito no resto do planeta.

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