Diário 36 – 21/07/22 – Expedição Rota Polar

Está difícil digitar pois tive que tirar as luvas. Aqui temos 5 graus mais a sensação térmica do efeito do vento contra.

O mar não está alto, mas as ondas são curtas no intervalo, fazendo o Igloo bater. Dia longo, com muitos acontecimentos. O dia começou com uma neblina fortíssima e nós dois no meio do mar de gelo. Um silêncio absoluto somente interrompido pelos blocos de gelo caindo ou alguma foca respirando. Uma das cenas mais insólitas da minha vida. Pelo fato de estar preocupado em encontrar uma solução para sairmos de lá não estava muito relaxado As 6:30 da manhã a bruma levantou e eu puder ver o tamanho do problema que nós arranjamos. Não havia mais saída à frente só grandes massas de gelo, e todas conectadas. Na hora bateu um desânimo mas sem vento a solução era usar o sistema de pedal que gira um hélice e nos dá menos de 4 kms por hora. Aos poucos fui fazendo um zigzag entre os blocos até aparecer uma brisa muito leve. Passei a velejar fazendo uma manobra atrás da outra, sempre procurando espaços mais abertos. Apostei que tinha que ir para o lado Norte e passado duas horas ví uma passagem bem ao longe. Deu certo, e assim que nos livramos do gelo rumamos para a Ilha Bailey. Foi uma novela para chegar pois o vento estava na cara, contra. Contornamos a ponta já com um ótimo vento ondas bem rápidas e muita correnteza.

O Igloo pulou muito até chegarmos em uma linha de gelo gigante e que servia de proteção contra aquela ondulação indesejada. Assim foi a nossa tarde e agora a noite. Andando contra o vento a dentro da grande baía ao lado da baía de Paulatuk. Está saindo caro a primeira perna, e neste instante o Igor está la no leme com uma chuva congelante. Outra noite longa nos aguarda com muito vento contra, quem sabe chegaremos amanhã na sexta. Nestas condições tudo é complicado, cozinhar, comer, banheiro e dormir. Esqueci, e fazer o diário!

Acabei de ouvir o Igor dizer: vou dar um bordo. Pronto, viramos com a proa para o sentido ruim mas é para tentar fugir de uma chuva. Saí para um xixi rápido porque começou a chuva. Abri a jaqueta náutica, a outra de pena de ganso, o polartec, o macacão impermeável, o outro macacão que é inteiro isolante com gorotex, puxei um minhocão grosso, a cueca e quase não encontrei ninguém… Sem comentários maldosos por favor, rsss

Beto Pandiani

Autor da foto em destaque: Expedição Rota Polar – Beto Pandiani e Igor Bely


Beto Pandiani e Igor Bely embarcam em uma jornada de 100 dias velejando por uma rota marítima lendária: a Passagem do Noroeste.

Localizada no extremo norte das Américas, acima do Círculo Polar, a Passagem é uma área de estreitos que esteve, por séculos, congelada.

Esse cenário, porém, tem mudado nos últimos 25 anos, com o degelo da região e a abertura de caminhos antes intransponíveis.

Partindo do Alasca rumo ao mar da Groenlândia, Beto e Igor querem entender em que medida essa transformação tem sido causada pelo homem e em que medida é ação da natureza.

Filmada pela Tocha Filmes e acompanhada por um time de especialistas da USP, a viagem dará origem a um documentário sobre as mudanças climáticas no Ártico e seu eventual efeito no resto do planeta.

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