Diário 38 – 23/07/22 – Expedição Rota Polar

Depois de ancorar aqui em Paulatuk na sexta-feira à noite foi um alívio , pois precisávamos dormir.

A primeira perna de 75 horas foi bem puxada. Dois fatores contribuíram. A própria questão do gelo, neblina e a outra já é bem conhecida. Para velejar um barco aberto expostos aos elementos precisa de preparação, mas mesmo assim os primeiros dias são para entrarmos no ritmo da viagem, do barco, do corpo entender a nova dinâmica de sono cortado, nova alimentação e assim por diante.

Temos que consumir muitas calorias, proteínas e coisas quentes para manter a nossa energia alta. Mas sempre no início de uma viagem é difícil a adaptação que só vem para mim por exemplo a partir do oitavo dia.

Depois tudo melhora. Tem o aspecto emocional que está ligado ao medo. Não um medo que paralisa, mas o receio de uma quebra, da segurança, etc. Isso gera um desgaste mental, pois existe já a experiência das viagens passadas que me ajudam a aquietar a mente.

Não é uma tarefa simples, mas quanto mais nos preparamos, mais estáveis permanecemos.
Velejar na latitude 70 graus requer precisão, decisões ponderadas, e muita confiança. Lembro me que antes de partirmos para a Antártica em 2003, o Duncan Ross meu companheiro escreveu no barco a regra dos 3 Ps. Paciência, prudência e persistência. Foi um grande aprendizado que perdura até hoje.
Estou escrevendo este diário encolhido aqui na mini cabine porque chove muito lá fora. Improvisamos um toldo para cobrir a parte de trás do Igloo, mas todo mundo sabe que segurar a água é uma tarefa difícil.

Como metade da minha perna fica fora da cabine a chuva pegou já meu saco de dormir. Vamos ver se compramos uma lona plástica maior.

Ontem o problema para dormir foi a ventania que sacudiu o Igloo com uma ondulação lateral. Quem mandou não ficar em casa quieto, Ahahahaha.

Vamos na base da gambiarra encontrando soluções. Como dizia um querido amigo que já partiu.

“Pato que não se mexe leva chumbo”

Antes de dormir quero fazer uns esclarecimentos.

Faz tempo que ouço, ah o Beto foi para o Polo Sul, agora ele vai para o Polo Norte. Impossível isso acontecer, mas se tivesse feito isso eu seria o primeiro velejador do mundo bipolar Rsss.

O Polo é o eixo da Terra. No Ártico ele está a 90 graus, o eixo da Terra que se localiza no meio do Oceano Ártico congelado. Ou seja, gelo flutuante sobre a água.

No caso do oposto, inclusive a palavra nasceu desta ideia. Antártica pode ser Anti Ártico é um continente onde tem gelo sobre terra e o Polo Sul fica a uns 2.400 metros de altitude. Pode se chegar caminhando, jamais navegando. Aliás o primeiro homem a chegar caminhando no Polo Sul foi o mesmo a fazer a Passagem Noroeste em 1906. Roald Amundensen foi um explorador norueguês que tem uma vida muito expressiva. Recomendo a leitura dos livros que narram as suas expedições. Um deles, Race to South Pole. No YouTube tem muitos documentários.

O que estamos fazendo é navegar pelo Oceano Ártico que fica em uma região Ártica.

Bom, vou dormir.

Um grande abraço

Beto Pandiani

Autor da foto em destaque: Expedição Rota Polar – Beto Pandiani e Igor Bely


Beto Pandiani e Igor Bely embarcam em uma jornada de 100 dias velejando por uma rota marítima lendária: a Passagem do Noroeste.

Localizada no extremo norte das Américas, acima do Círculo Polar, a Passagem é uma área de estreitos que esteve, por séculos, congelada.

Esse cenário, porém, tem mudado nos últimos 25 anos, com o degelo da região e a abertura de caminhos antes intransponíveis.

Partindo do Alasca rumo ao mar da Groenlândia, Beto e Igor querem entender em que medida essa transformação tem sido causada pelo homem e em que medida é ação da natureza.

Filmada pela Tocha Filmes e acompanhada por um time de especialistas da USP, a viagem dará origem a um documentário sobre as mudanças climáticas no Ártico e seu eventual efeito no resto do planeta.

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