Regata de Abertura de Alcatrazes é substituída por Toque Toque por Boreste. Saiba o que muda na estratégia de regata.

Neste domingo, 24/07/2022, às 12:10 hs, tivemos a largada da 49ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela, competição que se iniciou com um belíssimo desfile de veleiros às 11h em frente ao píer da Ilhabela.

A regata Alcatrazes por Boreste Marinha do Brasil, que deveria ser realizada neste domingo, devido à previsão de ventos fracos, foi substituída pela de Toque Toque por Boreste, o que provocou uma revisão das estratégias de regata de cada equipe.

Pela manhã, antes da largada, passei pelo YCI – Yacht Clube de Ilhabela e conversei com vários capitães e velejadores para entender o que muda na sua estratégia de participar de uma regata mais curta, até Toque Toque em vez de Alcatrazes, e aqui replico o que me disseram durante as entrevistas (por ordem de entrevista):

Renata Belotti – Veleiro Rudá XX.

SB – O que muda na sua estratégia com a troca da regata de Alcatrazes por Toque Toque por Boreste?

Renata – Olha, é uma excelente pergunta porque precisa ter uma mudança e, apesar de não ser uma mudança absurdamente significativa, com a previsão de vento muito fraco vindo do Sul, prevemos que a largada vai ser basicamente no contravento e, porque Toque Toque está mais perto do continente, a diferença de estratégia está em identificar quando devemos atravessar o canal e ir costeando São Sebastião. Se a gente fosse para Alcatrazes, muito provavelmente iríamos costear Ilhabela e, em algum momento, cruzar para São Sebastião. Então, respondendo sua pergunta, a mudança será estabelecer a hora certa de cruzar para São Sebastião. Que hora é essa? Vamos ver uma vez que estivermos lá. Não dá para saber agora.

Paco Belloc – Veleiro Gorria

Paco – Meu nome é Paco Belloc e sou o capitão do Gorria, que é um barco clássico de madeira construído em 1936. Somos de Buenos Aires, Argentina, e viemos este ano passar uns dias em Angra do Reis, participar da 49ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela e então participar de mais um campeonato em Ilha Grande na categoria Clássicos antes de retornar para a Argentina.

SB – Paco, obrigado por falar com a SailBrasil. Minha pergunta é simples, o que muda na sua estratégia com a mudança da regata Alcatrazes para Toque Toque por Boreste?

Paco – Aparentemente teremos vento de sul e o Gorria não gosta muito do vento contrário, navega melhor com ventos favoráveis. De qualquer maneira, a regata Toque Toque não muda muito nossa estratégia, só que por ser uma regata bem mais curta, vamos chegar com tempo para aproveitar mais o dia na marina… finalizou ele com uma risada simpática.

Paco posa para foto na popa do Gorria.

Alexandre Ferrari – Veleiro Atrevida.

SB – O que muda na sua estratégia com a troca da regata de Alcatrazes por Toque Toque por Boreste?

Alexandre – A estratégia não muda, contudo, acho que foi um ato de bom senso da organização da regata mudar para Toque Toque já que a previsão de ventos fracos não permitiria uma regata tão longa assim e, para os clássicos em geral, que nunca tiveram uma regata específica para eles até Alcatrazes, poderia ser muito demorada.

Lars Grael – Veleiro Argos

SB – O que muda na estratégia do Argos com a mudança da Regata da Alcatrazes para Toque Toque por Boreste?

Lars – O que muda é que Toque Toque é uma regata bem mais curta e, com base nas condições de hoje, Toque-Toque deve estar num grande buraco de vento, o que torna a definição da estratégia e da tática muito difícil. Eu acho que tem que comer o que está no prato e, por isso, ao largar vamos observar muito as condições. Deve ter uma corrente robusta vindo de sul e a decisão de velejar rente à ilha ou rente ao continente é que vai definir a regata.

SB – Parece que vamos ter vento sul.

Lars – A previsão começa com um sudoeste rondando para um sul, enfraquecendo bastante e provavelmente acabando, para entrar um Terral no princípio da noite.

SB – Então foi uma boa decisão?

Lars – Parece que sim. Eu acho que teria sido melhor ainda se utilizássemos o lado leste da ilha, como por exemplo, montar a ilha Vitória ou a ilha de Búzios. Mas  está posto e vamos lá, Toque-Toque.

Miller Lazur – Veleiro Rudá.

SB – O que muda na estratégia do Rudá com a troca da Regata de Alcatrazes pela de Toque Toque por Borteste?

Miller – Como hoje é esperando vento fraco durante toda a regata e, com um percurso mais curto, influenciado por marés enchendo e esvaziando durante a duração da regata, nossa estratégia vai passar a calcular tudo isso. Além disso, na largada, parece que vamos ter vento sul, ou seja, vento contra na largada, o que é bom pois a largada fica menos tumultuada que uma em que largamos de popa, com balão. Ou seja, devemos ter uma largada um pouco mais tranquila, o que é ótimo e, talvez, um retorno com ventos a favor, de popa.

Julian Somodi, Veleiro Katara, um Jeanneau de 39 pés, projetado por Patricio Gutiérrez, fabricado na Argentina e atual campeão argentino de ORC.

SB – O que muda na sua estratégia com a mudança da regata Alcatraces para Toque Toque por Boreste?

Julian – O único que muda é levarmos menos comida. Vamos velejar contra o vento, que gostamos mais do que com vento a favor, de popa, que seria uma vantagem para os veleiros grandes, que têm balões assimétricos. Então nossa estratégia é estar perto dos líderes e se manter lá brigando por uma boa posição. Não somos os primeiros, mas vamos tentar estar no segundo grupo de barcos.

André Fonseca, Bochecha, Phoeniz 44

SB – Com a mudança de Alcatrazes para Toque Toque por Boreste, o que muda na estratégia da equipe?

André – São duas regatas totalmente diferentes. Uma é uma regata que você sai no mar e a outra é quase sempre uma regata “pegada” à terra, então, a estratégia muda nesse sentido, contudo, é uma pena que a gente não vai a Alcatrazes pois estávamos ansiosos para ir. Talvez a comissão tenha se precipitado de anular com tanta antecedência uma regata tão tradicional, afinal de contas, o dia de amanhã é o dia de descanso e a gente poderia estar correndo uma regata um pouco maior do que uma regata de apenas 18 milhas. Mas ficou assim decidido e temos de acatar.

Robert Scheidt – Veleiros C30 Caballo Loco

SB – O que muda na estratégia de vocês com a mudança da Regata de Alcatrazes para Toque-Toque por Boreste?

Robert – Bom, provavelmente vai ser uma regata em que a gente vai velejar mais próximo de terra, então, vamos ter que ficar mais atento com as pequenas baías, as pequenas minúcias, as pedras e encontrar o melhor vento nessa geografia do lado direito da costa. Acho que isso vai ser importante. Já Alcatrazes é uma regata off-shore e, depois da ponta da sela, já se está em mar aberto, sendo uma regata um pouco mais simples. A regata Toque Toque vai ter mais sombra de vento da ilha, enfim, existem mais obstáculos no caminho o que torna a regata mais técnica.

Independente da estratégia adotada, desejo bons ventos a todos!

Fotos e reportagem pela SailBrasil (SB): Max Gorissen – Jornalista e Editor da SailBrasil

A SailBrasil é sobre muito mais do que vela e veleiros; é sobre o estilo de vida da vela e a relação que existe entre os seres humanos e o mar, descrita através de histórias curtas, mas muito bem contadas, informações atualizadas, de um lindo design e de uma fotografia impressionante.

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