Diário 40 – 25/07/22 – Expedição Rota Polar

Neste momento a bordo do Igloo termino de preparar minhas roupas para nossa saída amanhã de manhã.

Lembrando que estamos 3 horas mais cedo, e que se querem acompanhar este trecho de mar até Kugluktuk, serão mais ou menos 270 milhas e esperamos um pouco mais para termos ventos favoráveis.

Amanhã, hoje no Brasil, sairemos desta grande baía por volta das 10hs da manhã, e se tudo correr como diz a previsão no início da tarde contornamos o Cabo Lyon velejando com a proa para leste. No meio da tarde o vento ronda para Sudoeste, Oeste, simplesmente perfeito.

A nossa dúvida é em relação ao gelo que poderemos encontrar já na madrugada de quarta feira.

As cartas tem chegado com pouca precisão pois tivemos uma semana de tempo encoberto, desta forma a foto do satélite nos confunde. O que é nuvem, o que é gelo?

Desde ontem o Sol começou a se por, ou seja, passou a linha do horizonte. Ainda não temos noite escura, mas em alguns dias começaremos a ter. Gelo e escuridão não costuma dar certo.
Isso provavelmente começará a acontecer a partir de Kugluktuk quando rumarmos para Cambridge Bay, um lugar com mais estrutura.

As cartas de gelo mostram que depois de Cambridge Bay o mar está muito congelado.

Temos esta equação para resolver. Quanto mais para o final de agosto, mais o mar deverá estar descongelado nesta região.

Mas será que teremos tempo de velejarmos do dia 20 de agosto a 20 de setembro 1.500 milhas bem complicadas?

Uma boa opção seria terminar a viagem dentro da Hudson Bay.

Qual o seu palpite? Veja o mapa.

Paulatuk, assim como Tuktoyaktuk são comunidades do povo do Norte. Estes pequenos vilarejos, assim como outros vários são ainda um registro do que foi o povo Inuit. Eles estão presentes em todo Ártico, e a opção de viverem nesta região é para mim um mistério.

Imagine que no inverno as temperaturas podem chegar a menos 40 graus, dois meses de escuridão, nevascas…

Agora pense, como a água da caixa d’água não congela? Como não estouram os cabos? Não podem ter esgoto como conhecemos. A energia vem de geradores. Como chega aqui o combustível para os carros e as comunidades se esquecerem? Alimentação. É uma loucura.

Hoje fui no mercado comprar pão, queijo, 5 maçãs, e um pote de iogurte. Paguei R$ 200 reais.
As casas recebem diariamente um caminhão pipa que abastece com água, e o reservatório fica em um lugar com calefação.

Os Inuits continuam sendo caçadores, mas não saem de caiaque e arpão. Caçam usando lanchas e rifles. No inverno usam o snowmobil.

Aqui nesta região eles caçam as baleias Belugas, o Caribou e os ursos, tanto o polar quanto o pardo. Pescam também.

A caça feita apenas para a subsistência não desequilibra e nem afeta a existência das espécies.

Um grupo de pesquisadores que estão aqui em Paulatuk disseram ao Igor hoje que só aqui nesta região tem provavelmente 30 mil Belugas.

Apesar de não ser capaz de matar nenhuma baleia, eu não faço julgamento Eles vivem assim faz séculos e a caça faz parte da identidade deles.

Paulatuk é um dos lugares mais remotos que visitei. Senti aqui como a natureza é extrema. Um lugar onde as pessoas saem pouco de casa mesmo no verão. Um lugar de introspecção.

Mesmo assim, todo mundo que encontrei na rua sempre foi muito sorridente e doce.

Hoje descolamos um banho, então vamos para o mar cheirosos.

Paulatuk tem 294 habitantes. Consegui ser a pessoa mais alta de uma cidade…Rs

Hora de dormir

Grande abraço

Beto Pandiani

Autor da foto em destaque: Expedição Rota Polar – Beto Pandiani e Igor Bely


Beto Pandiani e Igor Bely embarcam em uma jornada de 100 dias velejando por uma rota marítima lendária: a Passagem do Noroeste.

Localizada no extremo norte das Américas, acima do Círculo Polar, a Passagem é uma área de estreitos que esteve, por séculos, congelada.

Esse cenário, porém, tem mudado nos últimos 25 anos, com o degelo da região e a abertura de caminhos antes intransponíveis.

Partindo do Alasca rumo ao mar da Groenlândia, Beto e Igor querem entender em que medida essa transformação tem sido causada pelo homem e em que medida é ação da natureza.

Filmada pela Tocha Filmes e acompanhada por um time de especialistas da USP, a viagem dará origem a um documentário sobre as mudanças climáticas no Ártico e seu eventual efeito no resto do planeta.

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