Diário 46 – 31/07/22 – Expedição Rota Polar

Partimos de Kugluktuk na hora do almoço de domingo. Almoço de domingo em São Paulo é sinônimo de restaurantes cheios, muita comilança e família.

Aqui não existe mais os dias, tão pouco os dias da semana. O que pauta um dia aqui é a natureza.

Se temos vento, vento Leste que alonga o caminho, vento Norte que trás o frio, vento Oeste que nos leva com ele.

Para nós é o vento que pauta nossas vidas por estas latitudes. Pode ser gelado, suave, feroz ou simplesmente vento. O mundo já foi assim, onde o tempo podia ser contado por ciclos naturais que poderiam reger uma colheita, um tempo de caçar algum animal, ou pescar.

Tempo de migrar, tempo de sentir o calor, tempo de se proteger, e tempo de sentir o vento.

Havia um outro tempo, um tempo mais longo, onde tudo se movia lentamente, e esta lentidão abria um espaço dentro do coração. Existia o sentir e o pensar, assim o tempo era a medida ou o tamanho da oportunidade que tínhamos para traduzir tudo o que sentíamos .

Depois o tempo nos convidava a traduzirmos tudo aquilo que sentíamos. Era o tempo do pensar.

E o que aconteceu com o tempo agora que não temos mais tempo? Já que não prestamos mais atenção no tempo ele decidiu andar rápido, tanto que se ouve muito por aí que o tempo voa.

Agora que ele quer ir embora percebe-se uma melancolia pois entendem que o tempo deveria ser controlado. Quanto mais tempo se vive melhor é.

Será que devemos olhar para o tempo de forma linear se a Vida não é linear? Vejo a Vida como ciclos que tem um tempo próprio, e cada ciclo carrega um convite.

Tempo de retração e tempo de expansão. As vezes a Vida nos convida a desconstruirmos algumas ilusões e chega um tempo de retração onde aparentemente as coisas se tornam mais difíceis, mas é na descida da onda que tomamos impulso para subir mais alto e expandirmos. Este é o tempo de expansão.

Mas onde cabe o sofrimento nestes ciclos tão perfeitos? Sinto que ao não aceitarmos o convite que recebemos diariamente do Tempo que ajusta todos os acontecimentos com uma precisão divina com o intuito de nos colocar em sincronicidade com uma ordem espiritual muito profunda.

Quando entendemos a essência do Tempo prestamos atenção no que sentimos, e é este sentir que revela esta Espiritualidade que permeia a Vida.

Enquanto isso o Igloo rasteja sem vento pelo belíssimo Coronation Golf a mercê do Tempo. Quantos dias para Cambridge Bay?

Quem vai decidir o tempo é o vento. São os ciclos da Natureza que sempre irão reger a Vida.

Beto Pandiani

Autor da foto em destaque: Expedição Rota Polar – Beto Pandiani e Igor Bely


Beto Pandiani e Igor Bely embarcam em uma jornada de 100 dias velejando por uma rota marítima lendária: a Passagem do Noroeste.

Localizada no extremo norte das Américas, acima do Círculo Polar, a Passagem é uma área de estreitos que esteve, por séculos, congelada.

Esse cenário, porém, tem mudado nos últimos 25 anos, com o degelo da região e a abertura de caminhos antes intransponíveis.

Partindo do Alasca rumo ao mar da Groenlândia, Beto e Igor querem entender em que medida essa transformação tem sido causada pelo homem e em que medida é ação da natureza.

Filmada pela Tocha Filmes e acompanhada por um time de especialistas da USP, a viagem dará origem a um documentário sobre as mudanças climáticas no Ártico e seu eventual efeito no resto do planeta.

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